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    O Doutrinador: Série expande universo do anti-herói e oferece novas perspectivas (Primeiras Impressões)
    Por Ygor Palopoli — 1 de set. de 2019 às 08:00
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    Nem sempre as moscas mudam.

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    Para qualquer pessoa que torce minimamente pela ascensão da cultura popular brasileira e sua retratação em adaptações cinematográficas, falar a respeito da franquia O Doutrinador nunca é fácil. Afinal de contas, sua primeira transposição das HQs para as telas ocorreu em 2018 — de maneira até um pouco tímida — e tornou-se uma espécie de marco dentro do cenário de heróis brasileiros no entretenimento: para este efeito, todos os pontos possíveis ao criador da obra original, Luciano Cunha

    No entanto, aplicado o devido contexto à situação, é quase unanimidade que o filme do ano passado deixou a desejar em diversos aspectos. E por mais que não seja sobre esta questão trataremos hoje, em breve você entenderá como tudo isso se conecta. Vamos lá! 

    Com lançamento previsto no canal de TV fechada, Space, para 1° de setembro, às 21h, O Doutrinador - 
    A Série
     chega com a difícil tarefa de explorar a trama vista anteriormente, manter a essência e as origens do destemido anti-herói e criar terreno para o que pode ser uma espécie de universo compartilhado do personagem vivido por Kiko Pissolato. Aproveitando a ocasião, o AdoroCinema recebeu, com exclusividade, os três primeiros episódios do vindouro programa de TV que contará com sete capítulos de 45 minutos.

    À primeira vista, caso o seriado lhe pareça muito familiar ao filme, não estranhe: diversas das cenas retratadas na adaptação episódica são exatamente as mesmas já lançadas nos cinemas há algum tempo. Após alguns minutos para que o espectador se acostume com a decisão, chega-se à conclusão de que O Doutrinador - A Série tenta jogar com os dois lados do público: aqueles que já viram sua versão cinematográfica e procuram encontrar uma outra narrativa, e os que pretendem conhecer o inimigo da corrupção através desta nova produção.

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    Mas apesar da direção lúcida (e até um pouco noir, por quê não?) de Gustavo Bonafé e o acabamento novamente impecável das cenas mais ousadas de ação e adrenalina, algo muito estranho parece ter acontecido na montagem dos episódios. Com o intuito de alongar a história para criar pequenas bifurcações nos acontecimentos "originais", fica evidente que algumas soluções precisaram ser pensadas sem muito tempo para maturação — novos personagens, quando não apareceram para morrer, pouco impactaram o seguimento até aqui. 

    A trama continua seguindo a jornada de Miguel (Kiko), determinado agente federal que, após uma tragédia familiar, proclama-se inimigo número um da endêmica corrupção que assola o Brasil. Apesar de contar com o carisma e a presença imponente de um verdadeiro vigilante rebelde, o anti-herói tem seu desenvolvimento um pouco apressado, assim como sua construção mitificada diante da mídia e sociedade. Aqui, o roteiro parece ter ainda mais pressa para chegar ao clímax, gastanto pouquíssimo tempo dedicando-se ao que tornou Miguel n'O Doutrinador. Os destaques negativos, neste caso, ficam para as apressadas cenas da tragédia que serve como ponto de virada na mente do personagem e a sua autodescoberta como combatente alternativo. 

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    Passadas as questões mais problemáticas de desenvolvimento, a série acerta quando permite se aproveitar da dualidade de Miguel, agente federal focado na missão de prender o assassino mascarado a qualquer custo, e O Doutrinador, figura temida por políticos, contraventores do poder público e corruptos. Nestes três primeiros episódios, o desenrolar da série mostrou-se interessante em ordem crescente: foi no terceiro capítulo que as vertentes sociais e sintomáticas do governo corrupto passaram a tomar ares um pouco mais ousados. 

    Apesar do desenvolvimento descompassado e os personagens caricatos (as longas cenas de políticos juntos em uma mesa, dando altas gargalhadas, mais pareciam uma reunião de vilões de desenhos animados), O Doutrinador - A Série parece guiar o espectador ao mesmo caminho do filme usado como inspiração e complemento: uma obra bem acabada tecnicamente, e um tanto inflexiva, mas com pontuais momentos empolgantes. Diga-se de passagem, um bom começo para abrir o terreno ainda pouquíssimo explorado para os heróis nacionais. 

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    Comentários
    • Luana Oliveira
      Se o fato de existir um personagem gay lhe incomoda ou estraga a história pra você... isso se trata mais do seu preconceito do que realmente um desmérito da história.O personagem ser hetero ou homo, não influencia em absolutamente nada.
    • Carlos Mayer
      Nossa meu , quanto mimimi. Quem escolhe os parceiros violentos são vocês mesmo, que gostam de bad boys, e fazem fila em presídio pra visita íntima, depois ficam reclamando, quando acontece o óbvio ao se juntar com tipos como estes.
    • Carlos Mayer
      Gostei da série, boas cenas de ação, hacker , tiros, políticos corruptos se lascando e finalmente um herói nacional em que a série é filmada seguindo padrões internacionais. A única coisa que não entendo é o porque da inserção de um personagem gay. Tipo , não acrescenta nada a série, parece que só está lá pra cumprir alguma cota implícita idiota de que toda e qualquer produção tem que ter um gay na história. Dá um tempo né, isso a gente já vê em outras produções, não precisava estragar mais esta. É a mesma coisa de receber um ótimo prato num restaurante, mas no meio achar um fio de cabelo.
    • Andrea Pinho
      A chamada da série na TNT é uma vergonha. O suposto herói agride fisicamente uma moça que o desafiava verbalmente, segurando seu rosto com as mãos. Detalhe: o ator que interpreta o personagem mede o dobro do tamanho da atriz. É um convite à agressão contra as mulheres. Mas não surpreende em momentos nos quais os doutrinadores, eles próprios parecem ter assumido os governos em vários lugares do mundo.
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