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    Stranger Things: Crítica da 3ª temporada
    Por Barbara Demerov — 2 de jul. de 2019 às 16:42
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    Expandindo horizontes sem tocar em sua essência, série traz ainda mais nostalgia dentro de uma trama alinhada.

    NOTA: 5/5

    Com o passar de suas temporadas, Stranger Things formou diversos núcleos de personagens que passaram a funcionar de uma maneira tão natural quanto admirável; afinal, por mais que todos se conheçam de alguma forma e possuam mais força enquanto unidos, cada um encontrou sua parcela individual de participação na grande missão que é salvar Hawkins do Mundo Invertido. Tal constatação fica ainda mais clara no terceiro ano da série dos irmãos Duffer, que mesmo possuindo uma narrativa extremamente focada na nova ameaça à cidade ainda costura com dignidade as motivações de cada um dos personagens – sejam eles jovens ou adultos, conhecidos ou novatos.

    Essa é a maior proeza da série e é o que faz esta temporada ser tão particular. Não existe a necessidade de reapresentar temas já abordados nos anos anteriores pois o desenvolvimento de cada parte do elenco já foi bem encaminhado desde o princípio. Após os eventos da segunda temporada, o verão americano chegou e, com ele, novos e antigos sentimentos continuam a aparecer – seja com Eleven (Millie Bobby Brown) e Mike (Finn Wolfhard) aproveitando a primeira paixão, com Dustin (Gaten Matarazzo) retornando de um acampamento de férias após saber que não daria certo com Max (Sadie Sink) ou com a dificuldade de Hopper (David Harbour) e Joyce (Winona Ryder) em tomar apenas um passo para entenderem sua ligação um com o outro. O espectador já está ciente de como os personagens estão se sentindo e em qual momento da vida estão – por isso, a narrativa ganha ainda mais potência ao inserir sem menores delongas o retorno do Devorador de Mentes.



    Com a estruturação de todas as ambientações e indivíduos bem firmadas, só resta a Stranger Things ser exatamente aquilo que é desde o princípio: agradável, leve e espontânea, ao mesmo tempo que perturbadora e até ousada em certas escolhas – ainda mais nesta temporada, que possui um bônus de trabalhar, também, o patriotismo aflorado do norte-americano em meados dos anos 80, época da Guerra Fria. Mas o mais interessante é que o fato de algumas criaturas do Mundo Invertido voltarem para assombrar Eleven e todo o grupo de Hawkins já é algo que o roteiro toma como "natural", apesar de ser um problema que todos haviam considerado finalizado anteriormente. Tanto que os problemas (apesar de realmente trazerem ameaças às vidas locais) recomeçam em menor escala, com a reintrodução do Devorador de Mentes sendo feita pacientemente, de modo que a maior preocupação seja a de fazer com que o espectador tenha vislumbres de como a cidade funciona num verão qualquer, com a diversão inata da juventude.

    E tal diversão tem nome e lugar nesta temporada: o novo shopping Starcourt, que também representa a noção de modernidade dentro de uma cidade do interior em 1985. É ali onde Steve (Joe Keery) consegue um emprego numa sorveteria ao lado da nova personagem Robin (Maya Hawke) e onde Max torna-se amiga de Eleven, fazendo com que ela enxergue novos horizontes. Naquele mesmo local há também mistérios envolvendo a trama principal, o que faz com que o centro seja mais do que comercial. Assim, é interessante ver como um local utilizado para unir as pessoas no dia a dia também consegue fazer isso com todos os núcleos de personagens da série, desde Hopper até Billy (Dacre Montgomery). O trunfo de Stranger Things é saber exatamente como dosar os momentos explicativos com a ação, assim como a reflexão contida em diálogos que parecem começar despretensiosos. Aliado às excelentes atuações de seu elenco, a experiência de acompanhar esta nova etapa em Hawkins nos aproxima ainda mais dos personagens como indivíduos, especialmente no que se diz respeito a temer e torcer por cada um.



    A mitologia do Mundo Invertido, dos cientistas e seus experimentos, assim como a importância de Eleven dentro deste contexto, continuam em voga e dão a parcela de suspense e terror à temporada; mas o cuidado dos roteiristas em humanizar ainda mais o elenco eleva a trama a um nível que até a 2ª temporada não conseguiu. Considerando que no 3º ano há mais personagens dentro do círculo, é impressionante observar como os diálogos permanecem fluidos, consistentes e trazem uma maturidade que não só é originada pela passagem do tempo, mas principalmente pelas vivências que o público pode acompanhar desde a 1ª temporada. O crescimento dos garotos não só é apresentado pela mudança em seus tons de vozes, mas pelo modo como reagem às adversidades em conjunto. O clima jovial entre Will, Mike, Lucas (Caleb McLaughlin) e Dustin ainda está presente em certos momentos (como quando discutem Dungeons & Dragons), mas o quarteto já entende que algumas mudanças vêm para ficar.

    Da mesma forma que os garotos estão mais maduros, alguns personagens adultos também ganham destaque sob diversas óticas: Hopper segue sendo um dos líderes, mas ainda precisa lidar com sua dificuldade de expressão, Nancy (Natalia Dyer) encontra sua vocação jornalística ao investigar o retorno das criaturas em Hawkins enquanto lida com o machismo intrincado na equipe do jornal da cidade, e Steve permanece como um dos personagens que mais evoluiu ao longo das temporadas, com maturidade e senso de responsabilidade nato para com as crianças (que já não mais são tão crianças assim).



    Além da alta qualidade no roteiro que mescla fantasia, drama e tensão na mesma intensidade, Stranger Things parece estar cada vez mais à vontade para explorar o mundo de referências contidas nos anos 80. Desde o shopping em si até os looks coloridos, passeando por músicas de Madonna e REO Speedwagon a clássicos do cinema como De Volta para o Futuro, a série abraça seu lado pop de maneira segura, trazendo ainda mais nostalgia sem a menor dificuldade. O trabalho de fotografia e design de produção também conversam diretamente com tais características que participam da trama e mostram-se ainda mais apuradas. Sendo assim, o crescimento da série é refletido tanto no âmbito técnico quanto criativo.

    A junção de dois extremos – humano com científico – é o que faz Stranger Things ser imprevisível e atraente. Deixando pontas soltas que mais se entrelaçam à "vida real" e priorizam a chance dos personagens olharem para o futuro, o 3º ano de uma das produções mais conhecidas da Netflix garante uma maratona que diverte, emociona e aprofunda uma base já sólida, e que com certeza poderá fornecer muito mais pela frente.

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    Comentários
    • Lucas D
      Os quatro primeiros episódios da 3 temporada foram os piores de toda a série, desde a primeira temporada, mas o final foi muito bom. Muitas coisas sem lógica, alguns personagens perderam o brilho, a atuação da Millie Bobby Brown deixou muito a desejar, mas a trama da série só fica boa a partir do sexto episódio adiante. Os efeitos especiais, a qualidade da série está incrível. Vale a pena assistir, só o começo que foi horrível, mas logo à frente é excelente.
    • cara2100
      pois é, mas foi claro ela gostava dele sim, tanro que assumiu, mas depois no banheiro ela mudou de conversa gostava de outra garota agora não sei se aquilo foi sincero ou foi um blefe cliche pra não assumir pra 4° temporada ou mesmo do nada virou lesbica pra agradar um grupinho mas a Érica vamos derrubar os comunistas salvou a série e tambem na parte que ninguem gosta de comunista
    • FSociety
      Só achei desnecessário colocarem uma personagem lésbica e ficarem escondendo até o episódio 6 dando a entender que ela tinha uma queda por outro personagem, pra que fazer isso? seria melhor já revelar de cara, parece que mudaram de ideia em cima da hora ficou forçado isso, acabou ofuscando o brilho de tal personagem depois da revelação, coisa de diretor modinha faz isso pra preencher a cota e agradar determinados grupos.
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