Meu AdoroCinema
    Jessica Jones: Crítica da 3ª temporada
    Por Katiúscia Vianna — 15/06/2019 às 13:18
    Atualizado 15/06/2019 às 20:16
    facebook Tweet

    Krysten Ritter segue interpretando uma das melhores heroínas do momento, mesmo que sua temporada final tenha problemas.

    Nota: 3,0/5,0

    Chega ao fim a parceria Marvel-Netflix! A terceira temporada de Jessica Jones não serve apenas para encerrar o arco da incrível personagem de Krysten Ritter, como também é o último vislumbre dos Defensores na plataforma. Mas quem já acompanha tal universo televisivo sabe que não se trata de um evento crossover com DemolidorLuke Cage e Punho de Ferro. Cada série tem sua própria jornada e o foco aqui, dessa vez, é ver a transformação da investigadora numa heroína pública.

    Após a morte da mãe, Jessica ainda se mantém afastada de Trish (Rachael Taylor), e praticamente todo mundo que ama, para focar em seu trabalho ao ajudar pessoas. Paralelamente, "Patsy" começa sua própria jornada como vigilante, aprendendo a usar seus poderes. Tudo muda quando o misterioso Erik (Benjamin Walker) cruza o caminho da protagonista, obrigando-a pedir ajuda da irmã para caçar o psicopata Gregory Salinger (Jeremy Bobb). Por baixo de tudo isso, a questão que assombra a série de Melissa Rosenberg é a moralidade.

    "Vale a pena se importar?" e "Os fins justificam os meios?" são duas perguntas que aparecem frequentemente nas vidas dos personagens e, por mais que não seja algo inédito numa história de super-heróis, funcionam num universo cheio de pessoas tão imperfeitas como o de Jessica Jones. Cada um deles tem sua própria dúvida. Longe de ser um exemplo, a protagonista tenta fazer o que é certo, mantendo até um acordo com o detetive Costa (John Ventimiglia), em contraposição a um Erik desiludido com a humanidade. Trish vive na corda bamba em seu trabalho como justiceira, cansada de sua figura pública e superficial. Até os arcos de Malcolm (Eka Darville) e Jeri (Carrie-Anne Moss) começam a ficar interessantes na tela: ele se afastando dos próprios princípios em busca de poder, ela tomando atitudes drásticas e temendo sua vulnerabilidade diante da morte. 

    Mesmo que o início da temporada seja lento para o gosto de alguns (algo já comum em atrações da Netflix), surge com uma proposta bem mais intrigante que seu segundo ano. Sem falar que combina perfeitamente com a estética noir de Jessica Jones, numa clara tentativa de retomar o charme inicial da série. Afinal, o lado investigador da personagem de Ritter é tão importante quanto seus poderes. Principalmente quando a força da heroína é mente profundamente afetada por um atentado, gerando um ângulo ainda pouco abordado na narrativa, até então. Sem falar que quanto mais tempo de tela acontece na Alias Investigations, são mais chances de Gillian (Aneesh Sheth) roubar a cena como a nova secretária de Jessica, mesmo em um papel pequeno.

    Todavia, é inegável que a temporada engrena de vez com o surgimento de Sallinger. Apesar da origem meio genérica, Jessica encontra um adversário a altura que, mesmo sem poderes, obriga a protagonista a sair de sua zona de conforto. Por trás de uma fachada calculista, o vilão se torna uma metáfora (extrema, é claro) da frágil masculinidade tóxica presente nos dias atuais, onde sua inveja é mascarada com violência, tentando esconder quão ordinário ele é. Não é a toa que Gregory, literalmente, se defende como "vítima fácil, sendo um homem branco diante de uma feminista vingadora". Novamente, Rosenberg acerta em usar o gênero numa crítica para sociedade, ainda mais impactante pela ótima performance de Bobb.

    Por outro lado, Sallinger promove a aguardada parceria entre Jessica e Trish, opondo suas visões diferentes de heroísmo. A primeira sendo pessimista e determinada a proteger a outra. A segunda tentando provar seu valor num determinismo exagerado. Tal dualidade ainda é ressaltada quando mesmas cenas passam a ser recontadas sob os ângulos de cada personagem, quebrando o ritmo clichê (e dando uma chance de Kristen se esbaldar na direção, ao contar o início da jornada de Felina no segundo episódio). A forte conexão entre as irmãs sempre foi um dos maiores trunfos da série e, dessa vez, não é diferente. Ritter e Taylor seguem com uma dinâmica incrível, ao mesmo tempo que entregam grandes performances. 

    Infelizmente, todas essas boas intenções se perdem com a função de preencher desnecessários 13 episódios. A partir de uma determinada reviravolta chocante, os personagens são jogados em diversas subtramas sem sentido, enquanto rostos importantes da série retrocedem seus desenvolvimentos apenas para criar impacto ou proporcionar mais dores de cabeça para a coitada da Jéssica. Sem falar que determinados pontos essenciais do início da narrativa são completamente esquecidos, como um baço na aula de anatomia. Entendedores entenderão...

    Atenção, o próximo parágrafo terá grandes spoilers sobre a terceira temporada de Jessica Jones. Se quiser fugir, pule para o encerramento do texto após a próxima foto.

    Parafraseando o famoso filme, precisamos falar sobre Trish. Na segunda temporada, as atitudes extremas da personagem já irritaram muita gente, porém tudo seria perdoado diante de seu desenvolvimento como Felina — apesar de tal nome nunca aparecer na atração, apenas no título de um episódio. Só que a transformação final da loira surge de uma forma tão brusca que não traz o drama emocional que tanto almeja. No papel, suas atitudes até fazem sentido. Ela é uma ex-viciada que perdeu a mãe e está obcecada com seus novos poderes, ainda mais quando o raivoso lado emocional ofusca qualquer racionalidade. Mas é difícil engolir como a mulher que sempre incentivou Jessica a ser uma pessoa melhor possa assumir o posto de psicopata julgadora, que use as (pouco explicadas) habilidades de Erik para se justificar, só quando lhe convém. Diversas oportunidades surgem para mostrar um possível arrependimento da personagem, mas são ignoradas para culminar no confronto entre Trish e Jessica. Como entretenimento televisivo, colocar duas irmãs em lados opostos numa briga quase fatal é compreensivel, mas isso não funciona em Jessica Jones, pois ignora qualquer desenvolvimento de "Patsy" — sem falar que transforma o principal relacionamento da protagonista numa espécie de cópia fajuta da oposição moral entre Demolidor (Charlie Cox) e Justiceiro (Jon Bernthal).

    Ps: colocar duas mulheres (cuja força sempre esteve em sua união) para lutar após a manipulação de um homem também não pega bem, principalmente numa história feminista como essa.

    Tendo dito isso, Rosenberg teve a consciência de criar um encerramento satisfatório para os fãs de Jessica Jones — pelo menos, a partir dos erros construídos na metade final da temporada. Os arcos dos personagens principais foram finalizados, porém sem tentar forçar algum último capítulo feliz e colorido de novela. Basta ver as outras finales para perceber que esse nunca foi o estilo da atração e não conversaria com tal protagonista, eternamente numa jornada em busca de desenvolvimento.

    Já o público fã de quadrinhos, e do próprio universo televisivo Defensores, ficará contente com alguns easter-eggs, principalmente no último capítulo. Logo, Jessica Jones não consegue redimir seus erros da mesma forma que a terceira temporada de Demolidor, porém ainda traz o ponto final digno para uma heroína tão importante para os dias atuais. Jessica Jones, a personagem, deixará saudades. A série não. Fica a dica (e uma torcida) para o streaming Disney+ aproveitar Krysten Ritter, viu?

    facebook Tweet
    Links relacionados
    Pela web
    Comentários
    • Alessandro Silva
      Concordo com você na parte referente a Trish. A segunda temporada, embora tenha sido a mais chata, preparou caminho para ela se tornar uma vilã. Não gostei do desenvolvimento dela na segunda temporada. A personagem estava um porre, parecia uma louca, querendo matar a mãe da Jéssica sem nenhum motivo concreto. Mas ao assistir a terceira temporada, muitas coisas fizeram sentido, como o fato dela surtar atrás de poder e querendo ser uma heroína a todo custo. E foi coerente ela ter se perdido e acabado, sem perceber, se tornando uma assassina. Na minha opinião, o desenvolvimento da Trish foi a melhor coisa da terceira temporada, gostei mais dela do que do vilão. Por mim, ele poderia ter sido morto mais cedo, para dar mais espaço para ela brilhar. Os primeiros episódios realmente foram meio chatos e parecia mesmo que eles não sabiam aonde queriam ir. A história poderia ter sido um pouco mais dinâmica. No inicio, eu fiquei pensandoNão acredito que a última temporada de Jéssica Jones vai ser a única que vai terminar sem graça, pois todas as outras séries Demolidor, Luke Cage, Punho de ferro e o Justiceiro se saíram muito bem nas últimas temporadas. Mas ainda bem que me enganei, a série concluiu sua jornada de forma satisfatória, se redimiu pelo fiasco que foi a segunda temporada e me deixou com um gostinho de quero mais, mesmo sabendo que isso não vai acontecer. Aquele final da Jéssica voltando para casa, dando a entender que sua jornada continua foi ótimo.
    • Ex Main Yasuo
      Discordo em várias partes da crítica:1-Os 13 eps não são desnecessários,na verdade achei até que podiam ter mais,todos os episódios foram essenciais para o desenvolvimento tanto da Jessica como uma pessoa que se importa,quanto das características que levaram a Trish a ser tornar a vilã que acabou se tornando,características essas que falarei mais na frente,além de ter que apresentar um novo personagem(Erik) ainda desenvolveram um Malcom com conflitos morais internos e externos.2-Para mim sempre foi clara a tendência da Trish ser vilã,ela foi uma garota que sofreu super exposição e agressões da mãe,sempre foi fanática por reconhecimento e atenção,além de ser egocêntrica,ela falava com a Jessica para era ser melhor pois não vivenciava na pele a experiência de ter poderes,além de tudo é muito bem desenvolvido na trama ao longo dos 13 episódios que se mostram muitos necessários novamente.3-A série vai deixar saudades sim ,e muita,com uma primeira e terceira temporada marcantes,com vilões inesquecíveis(Killgrave e Sallinger) e personagens que tem sim falhas narrativas mas que são memoráveis .Para mim a terceira temporada de Jessica Jones foi muita boa,com uma narrativa coerente e bons motivos que fazem sentido.Mostra uma Jessica Jones mais responsável inclusive com as questões legais,mostra o desenvolvimento da Trish vilã e do Malcom com problemas morais ,traz um personagem novo interessante,onde o enredo peca ao não se aprofundar na origem dos poderes,mas que também tem uma história de origem interessante.Minha nota é 8,5/10
    Mostrar comentários
    Siga o AdoroCinema
    Séries novas mais esperadas
    The Witcher
    1
    The Witcher
    Elenco: Henry Cavill, Freya Allan, Anya Chalotra
    Aventura, Fantasia
    Estreia
    20 de dezembro de 2019 em Netflix
    Todos os vídeos
    V Wars
    2
    V Wars
    Elenco: Ian Somerhalder, Adrian Holmes, Jacky Lai
    Drama, Terror
    Estreia
    5 de dezembro de 2019 em Netflix
    Todos os vídeos
    Harley Quinn
    3
    Harley Quinn
    Elenco: Kaley Cuoco, Lake Bell, Alan Tudyk
    Animação
    Estreia
    29 de novembro de 2019 em
    Todos os vídeos
    Servant
    4
    Servant
    Elenco: Lauren Ambrose, Toby Kebbell, Nell Tiger Free
    Terror, Suspense
    Estreia
    28 de novembro de 2019 em
    Todos os vídeos
    Novas séries mais esperadas
    Últimas notícias de séries
    Vikings vai ganhar sequência na Netflix
    NOTÍCIAS - Produção
    terça-feira, 19 de novembro de 2019
    Vikings vai ganhar sequência na Netflix
    Runaways: 3ª temporada será a última da série da Marvel
    NOTÍCIAS - Visto na web
    terça-feira, 19 de novembro de 2019
    Runaways: 3ª temporada será a última da série da Marvel
    V Wars: Ian Somerhalder se envolve novamente com vampiros no trailer da série da Netflix
    NOTÍCIAS - Visto na web
    terça-feira, 19 de novembro de 2019
    V Wars: Ian Somerhalder se envolve novamente com vampiros no trailer da série da Netflix
    Crise nas Infinitas Terras: Novas imagens trazem os Superman's de Tom Welling e Brandon Routh
    NOTÍCIAS - Visto na web
    terça-feira, 19 de novembro de 2019
    Crise nas Infinitas Terras: Novas imagens trazem os Superman's de Tom Welling e Brandon Routh
    His Dark Materials 1x03: A criança mais importante dos universos
    NOTÍCIAS - Produção
    terça-feira, 19 de novembro de 2019
    His Dark Materials 1x03: A criança mais importante dos universos
    Hebe: Série com Andréa Beltrão ganha data de estreia no Globoplay
    NOTÍCIAS - Produção
    terça-feira, 19 de novembro de 2019
    Hebe: Série com Andréa Beltrão ganha data de estreia no Globoplay
    Notícias de séries
    Back to Top