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    Shippados: Critica da 1ª temporada
    Por Katiúscia Vianna — 12/06/2019 às 18:12
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    Tatá Werneck e Eduardo Sterblitch estrelam a comédia romântica que pode ser Os Normais da nova geração.

    Nota: 4,0/5,0

    "A gente trata a solidão com muito respeito!", diz o garçom para um dos protagonistas de Shippados, aguardada série do Globoplay. E, realmente, os roteiristas Fernanda Young e Alexandre Machado (Os Normais, Como Aproveitar O Fim do Mundo) abrem os braços para todos aqueles que se sentem excluídos, colocando-os como heróis românticos de seu novo projeto.

    A trama gira ao redor de Rita (Tatá Werneck) e Enzo (Eduardo Sterblitch), cujos caminhos se cruzam ao terem encontros desastrosos no mesmo bar, resultados de um aplicativo de relacionamentos. Ela é uma vlogueira insegura, que não ri de piadas, e acabou de descobrir uma grande mentira da mãe controladora, Dolores (Yara de Novaes). Já ele é um nerd antissocial, cheio das teorias de conspiração. Ou seja, duas pessoas imperfeitas — que talvez sejam perfeitas um para o outro.

    Parece clichê, mas a graça é justamente compreender como encontrar o clichê do amor verdadeiro em pessoas diferentes de galãs e mocinhas de Hollywood. Werneck e Sterblitch se esbanjam em seus personagens, diante do texto afiado de Young e Machado, mas também inserindo seus famosos improvisos de forma natural na história. Seria fácil transformá-los em estereótipos, mas a dupla de comediantes consegue misturar seus estilos de maneira bem bacana, construindo um 'ship' que vive na linha tênue entre o humor absurdo e identificação do espectador.

    Obviamente, o casal #Rizo será comparado com Os Normais, trabalho mais icônicos de seus criadores. Porém, isso não deve ser visto como algo ruim. Nesse caso, a química de Tatá e Edu funciona tanto que Shippados tem o potencial de ser o Rui (Luiz Fernando Guimarães) e Vani (Fernanda Torres) da nova geração. Agora, Young e Machado usam um casal para expor todo seu cinismo inteligente sobre o início de relacionamentos sérios, acrescentando uma crítica sobre o uso das tecnologias atuais. Afinal, saber qual emoticon usar é tão importante como comprar a flor certa para amada.

    Mesmo carregando o estilo sarcástico e veloz de Os Normais em seu texto, a direção de Patrícia Pedrosa se encaminha para uma visão mais contempladora. São diversas as sequências sem diálogo, se apoiando no uso de câmeras lentas e uma fotografia mais ilusória — lembrando algo na vibe de Apenas o Fim (2008), de Matheus Souza. Assim, acrescenta um clima romântico em todo o absurdo, sendo acompanhado por uma trilha sonora direcionada. É um estilo que encaixa com o formato das séries online e, provavelmente, não teria o mesmo impacto numa exibição semanal na TV, já que só começa a engrenar mesmo em seu 4º episódio.

    Tal característica é reforçada pela existência de um drama que foge dos confrontos românticos: a busca de Rita pelo seu verdadeiro pai. O arco permite que Shippados não fique repetitivo em seus diversos comentários sobre a sociedade e ajuda a entender os medos de Rita (inclusive, Tatá e Edu aproveitam essa chance para mostrar como também conseguem carregar cenas dramáticas). Sem falar que essa subtrama segue um ritmo diferente, não esperando para desenvolver um auge no meio da temporada — tanto que o espaço criado entre o 5º e 8º episódios constrói algo como se fosse o momento "Chaves em Acapulco" na comédia romântica", no melhor dos sentidos. Mas, não se preocupe, pois ainda guarda umas ideias inusitadas para o final, fugindo de certos clichês.

    Enquanto Rita e Enzo penam para fazer o relacionamento acontecer, a série ainda traz outros dois romances paralelos, que ajudam a explorar o amor dos dias atuais. O casal naturista Brita (Clarice Falcão) e Valdir (Luis Lobianco) demora para engrenar apesar dos bons trabalhos de seus intérpretes, que sentem dificuldades em fugir apenas da função de alívio cômico. Por outro lado, Suzete (Julia Rabello) e Hélio (Rafael Queiroga) representam aquele que seria o 'ship' mais moderno, tendo boas tiradas e se beneficiando da química entre os dois.

    Além dos protagonistas, vale a pena ressaltar como Julia Rabello sabe performar as falas criadas por Young e Machado de forma impagável, trazendo espontaneidade para uma personagem que poderia ser bem superficial. Quem também rouba a cena é Yara de Novaes, assumindo o papel de vilã com maestria e sabendo dosar suas atitudes exageradas, garantindo sempre grandes sequências ao lado de Tatá Werneck (e dois cachorros bem maravilhosos).

    Por fim, é seguro dizer que Shippados irá cumprir as expectativas daqueles que estavam ansiosos para ver a parceria de Tatá e Edu nas telinhas, com uma história capaz de equilibrar ironia e esperança num humor inteligente. Por sua vez, é bom ver a voz de Fernanda Young e Alexandre Machado voltando a ocupar seu espaço no cenário das comédias românticas, usando as tecnologias apenas como um pontapé inicial para conversar sobre a esperança do romance com uma nova geração. Ou seja, tem tudo para se tornar viral.

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    Comentários
    • Thaylon Veiga
      Comparar a série com Os Normais acho injusto com ambas. Os Normais é um auge, e shippados não chega perto e a pressão não ajuda. Vani e Rui embora as vezes exagerados eram muito identificáveis com qualquer brasileiro, shippados é mais fechada em um mundinho. Rita e Enzo enchem o saco em certo momento, talvez dosar melhor com os 3 outros personagens que mandam muito bem fique melhor o ritmo. Suzete, Brita e Valdir são o ponto alto da série. Uma boa fotografia e trilha. Que tenha uma segunda temporada, mas melhor dosada.
    • Giovanna M.
      A série tem 1 fã apenas no Adorocinema. Nunca ouvi ninguém comentar a respeito dela. Meu amigo foi assistir comigo e dormiu. A “Folha” também comparou a “Os Normais”, o que eu achei muito injusto, pois “Shippados” é uma versão muito artificial do mundo já artificial em que vivemos enquanto “Os Normais”, apesar se absurdo, trazia situações mais reais, com mais identificação pelo público, sem faltar altas doses de sarcasmo e ironia, como um “Friends”. A Rita é um saco. Valdir e Brita engraçados, mas um pouco pastelões. Enzo é ótimo. Os demais também cumprem muito bem seus papéis apoiando muito os protagonistas e o desenrolar da estória. Mas o texto é fraco, muito, muito forçado. A crítica parece ter gostado, o que estranha, porque é NÍTIDO que a série (pelo menos ainda) não caiu no gosto popular e começa a ser conhecida agora, depois de divulgação maciça dos atores nas suas redes sociais e alguns comerciais na Globo. Por isso retorno: muito estranha toda essa aclamação da crítica e essa aderência medíocre do consumidor alvo. Deve ser mais uma daquelas coisas “cult”, não sei, mas sei que a série frustrou minhas expectativas.
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