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    Game of Thrones 8x06: Fim amargo escancara os problemas de temporada irregular
    Por Laysa Zanetti — 20 de mai. de 2019 às 06:20
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    Episódio final da série não agradou.

    ATENÇÃO! Contém SPOILERS do episódio final de Game of Thrones.

    O episódio final de Game of Thrones jamais iria agradar a todos, quaisquer que fossem os acontecimentos. Partindo deste princípio, sabemos que, de qualquer forma, as pessoas iriam discordar. Mas será que este é um episódio de TV que vai dividir o público em fortes opiniões contrárias, gerando debates intermináveis entre aqueles que amaram e aqueles que odiaram? Provavelmente não. Mas seria melhor se o fizesse.

    Intitulado “The Iron Throne”, o episódio dirigido e escrito por David BenioffD.B. Weiss não falha necessariamente como uma hora de televisão (ou, neste caso, 1h20). Fosse qualquer outro episódio, no meio de uma temporada, cairia perfeitamente entre os capítulos medianos, daqueles que são pouco brilhantes mas não chegam a ser ofensivos. O grande problema é que esta não é a impressão que deveria ficar no episódio final da série mais popular da televisão.

    Os momentos finais de Game of Thrones começam com Tyrion (Peter Dinklage) andando pelos escombros do que restou de Porto Real. Os minutos iniciais do episódio são bem silenciosos, refletindo o ar solene e esvaziado que ficou na cidade após a destruição. Quando Jon (Kit Harington) encontra Verme Cinzento (Jacob Anderson) executando soldados Lannister “a mando de sua rainha”, não há mais o que fazer para Jon a não ser confrontar Daenerys (Emilia Clarke).

    Helen Sloan/HBO

    O clima, é claro, não poderia ser mais sombrio. A Fortaleza Vermelha está parcialmente destruída, mas exibe uma gigante bandeira com o estandarte dos Targaryen enquanto Daenerys faz um discurso utópico e vazio apenas para os seus soldados — de onde saíram tantos deles depois das batalhas em Winterfell e em Porto Real, inclusive, jamais saberemos. Tyrion abandona o cargo de Mão da Rainha e é sentenciado à prisão. Quando Jon o visita, acaba convencendo-o de matar Daenerys para o bem do reino, usando para isso o argumento de que Arya (Maisie Williams) e Sansa (Sophie Turner) jamais iriam ajoelhar para Daenerys e, por isso, poderiam também ser mortas.

    Por mais crua que seja a construção para o momento, a cena em que Jon mata Daenerys é incrivelmente bonita — pouco se pode reclamar da fotografia, da direção e da direção de arte de Game of Thrones em geral. O enquadramento da cena em que ele segura o corpo dela com a espada atravessada tem flashes assombrosos de Azor Ahai (algo que não tem significado algum para a série, mas faz pensar na hipótese de ter uma consequências ou simbolismos mais densos caso aconteça nos livros de George R.R. Martin), e a cena anterior, quando Dany entra na sala do Trono, compensa a visão da Casa dos Imortais na 2ª temporada.

    A fúria de Drogon também acaba compensando, e à sua maneira também é simbólica: o fato de ele destruir o Trono de Ferro é uma compensação sobre a própria forma como o Trono foi forjado, quando Aegon Targaryen o construiu com as espadas de todos os inimigos que derrotou com a ajuda de seu próprio dragão, Balerion. O fato de ninguém se sentar naquele Trono de Ferro, no fim das contas, faz sentido, e Drogon foi o único inteligente o bastante para entender que foi o Trono que matou sua mãe, e que aquela cadeira feita de mil espadas nunca fez bem a ninguém. Bom garoto, Drogon.  

    Helen Sloan/HBO

    Mas, então, para que todos os personagens tenham seus finais, Game of Thrones faz o que tem feito de melhor ultimamente: corre com o roteiro.

    Em retrospecto, finalizar a série em duas temporadas reduzidas talvez tenha sido a pior decisão recente da história da televisão. O resultado do que “The Iron Throne” faz com esta série não é algo intrínseco a este episódio, é apenas a consequência de duas temporadas em que todo o desenvolvimento foi claramente negligenciado a fim de simplesmente colocar os personagens nos locais em que eles deveriam estar. É por isso que, por exemplo, Bran Stark (Isaac Hempstead-Wright) foi transformado em basicamente um robô cuja principal função era a de explicar os acontecimentos que os roteiristas não eram capazes de incluir na história — os flashbacks de Rhaegar e Lyanna, por exemplo. Brandon sempre esteve destinado a ser um personagem importante na história de George R.R. Martin, mas a versão televisiva de Benioff e Weiss deu ao público um Bran que é mais um artifício de narrativa do que um personagem de fato.

    Justamente por isso, o desfecho da história política de Westeros parece roubar do espectador algo que ele deveria ter: o direito de vibrar com qualquer decisão final que viesse do conselho formado pelos principais Lordes dos Sete Reinos. Os saltos de lógica vão desde o fato de Verme Cinzento não ter matado Jon imediatamente após descobrir sobre Daenerys até o fato de que, de repente, Tyrion (àquela altura, ainda um prisioneiro, por menos sentido que tudo faça) é quem está à frente tomando decisões e sugerindo reis.

    No fim das contas, Bran é quem decidiu não impedir um genocídio de acontecer simplesmente porque ele sabia que aquilo o levaria ao Trono de Ferro. Ou pelo menos é o que fica subentendido. Dentre todas as vezes em que a série falhou com a obra original, a negligência com a mitologia (ou seja, com os elementos mágicos, as profecias e as criaturas misteriosas e complexas como os lobos gigantes e até mesmo os dragões e Senhora Coração de Pedra) é algo que faz muita falta nesta jornada final, e isso fica óbvio. De uma forma ou de outra, os personagens principais estão ali. Jon, Tyrion, Sansa, Arya, Bran, (durante boa parte) Dany fazem parte da conclusão da história. Mas tudo em volta deles soa completamente esvaziado de sentido, seja porque os acontecimentos no entorno deles nas duas últimas temporadas foram completamente apressados, seja porque qualquer laço emocional construído com esses personagens foi esticado à exaustão, a ponto de parte do público ter ficado exausto mesmo daqueles que gostava.

    Helen Sloan/HBO

    Apesar de tudo, os encerramentos são coerentes; Jon Snow sempre esteve destinado a ficar no norte. Talvez não necessariamente na Muralha, agora que não há muito o que proteger, mas junto com os selvagens. Sansa sendo coroada como rainha do norte também é uma conclusão para a jornada da personagem. Ainda que toda a entrega seja anticlimática, o breve diálogo entre ela e Jon, em que ele reconhece que ela será uma rainha muito melhor, acaba sendo uma recompensa. Arya nunca teve lugar em Westeros.

    Para o bem ou para o mal, Game of Thrones chega ao fim em um episódio que pouco faz para ser memorável, mas talvez tenha algo a dizer colocando no poder alguém que não fez absolutamente nada para chegar até lá ou provar ser digno do posto.

    Mas, como a série disse — e a internet repetiu zilhões de vezes —, se você achou que isso tinha um final feliz, não estava prestando muita atenção. Era de se esperar, pelo menos, que tivesse um final que arrancasse qualquer emoção. Não foi o caso.

    Podemos concordar que Bran será um péssimo rei?

    Considerações Finais
    • Brienne completando o artigo sobre Jaime Lannister no Livro dos Irmãos foi um desfecho bonito, mas teria sido interessante que o desfecho da personagem tivesse sido sobre ela, e não sobre o homem que ela amou e que a abandonou.
    • Hã, hã, legal a referência às Crônicas de Gelo e Fogo escritas por Sam. Legal, D&D. Muito legal! Inteligente demais. Muito sutil.
    • Bronn é o Lorde de Jardim de Cima, protetor da Campina e Mestre da Moeda. Mestre. Da. Moeda.
    • O verdadeiro vencedor é o Fantasma, que não morreu e ainda ganhou carinho. Bom garoto, Fantasma. 

    PS.: Acompanhar Game of Thrones foi uma jornada inegavelmente divertida e emocionante. Com a série, fui de fã a crítica, e foi ela que me levou a conhecer os livros e a fazer alguns amigos pelo caminho. Que jornada! O seu encerramento é o fim de um capítulo da história da televisão, mas também o início de outro. Por isso, muito obrigada por fazer este percurso com o AdoroCinema, e por acompanhar nossos textos! A gente reclama de D&D, mas é de coração.

    O que você achou do episódio?

     
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    Comentários
    • West Moraes
      Melhor série de todas com um final que estaremos elogiando ao chamarmos simplesmente de LIXO. Foi muito pior que isso!
    • Luke
      A crítica está bem feita. A história terminou como deveria terminar. GoT é toda ela uma imensa tragédia sobre o poder e suas consequências, não teria como ter final feliz. E acho que, no fim das contas, ninguém ali termina realmente feliz. Talvez Sansa? O erro foi mesmo de ritmo, de velocidade, de muitas pontas soltas para amarrar em pouco tempo, de ter que surpreender espetacularmente mas só no último momento, do medo de entregar o final aos poucos e perder o impacto, etc.etc.Que venham os livros...
    • Andries Viljoen
      Ei Dexter... Tu viu quem é nosso novo vizinho? - LostNovo vizinho? - DexterSim, ele está morando na rua atrás da sua. - Lost Rua Caguei no final esquina com Puta que pariu? - DexterEssa mesmo. - LostOoeeeeeeeeeei rapaziada, chegueeeeeeeeeei cara! - GoT
    • R.
      Vivem de migalhas de atenção.
    • Jc V.
      Dexter. Definitivamente Dexter
    • Jc V.
      Acabou... Ainda bem
    • Rodrigo Pinheiro
      Qual foi o pior final: GOT ou Lost?
    • darkwings
      No. Sansa is the real winner.
    • wallace bernardo
      Um importante foi que homem terminou como rei de tudo
    • wallace bernardo
      kkkkk voce que engula que a série terminou com rei homem assessorado por quase todos lordes homens. e ainda por cima a icone feminista morreu como louca
    • Diogo Maciel
      Pra mim Dany nunca quis que a roda quebrasse, mas sim que ela quebrasse a roda, o que são duas coisas bem diferentes. Aliás, até o inicio da terceira temporada, ela sequer pensava em quebrar a roda, mas sim ir para Westeros de tudo que é jeito.E o golpe final foi abandonar Essos a sua própria sorte. Após afastar o perigo dos Filhos da Harpia, em uma situação ainda de instabilidade, ela deixa a região nas mãos de Daario e dos Second Sons, que são um exército mercenário, levando os três Dragões embora, que era o que realmente colocava medo nos donos de escravos. Sério mesmo que ela se importou com os ex-escravos do local? Será que ela não pensou que, com a morte dela, a chance de um exército de mercenários, liderado por um cara que só a seguia por gostar dela e que era oportunista, não deixaria de obedecer às instruções dela?Por fim, a escola política da Dany foi a pior. Enquanto no mundo de Essos as solucoes ou eram a violência ou era o apoio popular, meio este onde ela cresceu, Westeros mostrava que a inteligência, na maioria das vezes, colocava força e apoio popular no bolso. E ela não soube lidar com isso: não viu que existia uma terceira via.. nunca viu aliás (inclusive, já lá atrás ela mostrava que inteligência não era o forte dela)Dany nunca mereceu o trono!
    • Vinícius Jorge
      Os trolls
    • Will Silva
      Concordo...não esperava final feliz, pois estamos falando de GoT...consegui ate engolir e aceitar o 3º episodio da guerra contra os mortos, mas esses dois últimos episodios não teve nenhuma coerência...Concordo com a critica do site, não há o que reclamar de fotografia e direção de arte, porém a produção esqueceu do principal, o roteiro...pior final que na já vi na minha vida...lixooo...decepcionado...
    • Jad Bal Ja
      Acho que a critica disse tudo. Ao contrario de outras series que se esticaram demais ate não ter mais o que contar, GOT teve um fim resumido demais, talvez por que os roteiristas não soubessem como contar.
    • R.
      Vou sentir sdds.
    • R.
      Não alimente..
    • The Joker
      É isto, a crítica de Laysa refelte bem o sentimento dos fãs que acompanharam tudo aguardando uma season finale digna das primeiras temporadas, mas que receberam algo piégas e subdesenvolvido para finalizar rápido e nos servir.
    • The Joker
      entedi
    • pedro
      Na boa vai lavar essa cara, e para de defender o que não tem defessa
    • Ademar Ramos Brilhante
      Final coerente com os acontecimentos dos episódios da última temporada. O fato da serie não ter um final apoteótico, não invalida o prazer tê-la acompanhada durante oito anos. Faria tudo outra vez.
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