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    Game of Thrones 8x04: O começo de um fim apressado
    Por Laysa Zanetti — 6 de mai. de 2019 às 06:25
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    Nossa crítica do episódio "The Last of the Starks."

    ATENÇÃO! Contém SPOILERS do episódio 4 da 8ª temporada de Game of Thrones, "The Last of the Starks."

    Ao longo dos anos, Game of Thrones conquistou um público fiel com sua gama de personagens moralmente complexos. Da pureza de Ned Stark à ambição jovem de Daenerys Targaryen, o público pôde se deliciar em debates sobre as políticas de Tyrion Lannister, Lorde Varys e Petyr Baelish, escolher favoritos e defendê-los, mesmo sabendo que uma hora ou outra seriam obrigados a encarar de frente que nenhum de seus personagens é incorruptível.

    Chegando à metade final da oitava temporada, Game of Thrones volta ao jogo dos tronos com toda a força. Para muitos, a parte mais divertida da história, desde quando todo o arco do Rei da Noite e dos Caminhantes Brancos jamais chegou a ser propriamente aprofundado. Por isso, o episódio “The Last of the Starks” volta às maquinarias do poder, em discussões a respeito de tiranias com os arquitetos nos bastidores tomando as rédeas da história, ainda que os supostos protagonistas — Jon (Kit Harington) e Dany (Emilia Clarke) não saibam disso.

    O discurso de Jon Snow no funeral dos mortos na Batalha de Winterfell é uma boa abertura para o episódio, que não apenas expõe as feridas dos sobreviventes mas também ajuda a encerrar a história do episódio 3. Mas logo voltamos para a política e, para isso, a sequência do banquete acaba sendo um grande expositor de narrativas. É um momento leve para os personagens, depois de tanta tensão na batalha, mas também é um que aponta para as inseguranças de Dany a respeito de ser aceita como líder, e para o quanto aqueles personagens estão jogando de lados opostos. O conflito e a desconfiança de Sansa e Arya a respeito de Dany apenas crescem, fazendo com que uma nova ruptura seja iniciada entre os Starks.

    Helen Sloan/HBO

    O reinício das divergências políticas traz consigo desenvolvimentos de personagens que são interessantes, talvez os pontos altos do episódio. O momento entre Jaime (Nikolaj Coster-Waldau) e Brienne (Gwendoline Christie) é um belo agrado à audiência, porque trata-se da concretização de um arco longo e gratificante. Daenerys ter legitimado Gendry (Joe Dempsie) também é uma via de mão dupla: é um aceno para um possível plano de governo da rainha no pós-guerra (e, olha só, um indício de que talvez ela não seja não má assim!) e um gesto bonito para um personagem que sempre manteve um carinho do público, ainda que tenha sido negligenciado por tantas temporadas.

    Mas mesmo com a exposição de muitos dos personagens — e com o título que faz referência à família nortenha —, o grande tema do episódio parece ser a sanidade mental de Daenerys. A rainha em terras estranhas enxerga a rejeição primeiro nas palavras de Tormund para Jon, passa por um momento de pedir para que ele esconda a verdade para favorecê-la — e não é preciso prestar muita atenção à série para saber que isso não é algo que Jon faria —, termina perdendo mais uma parte de seu exército em uma emboscada de Euron (Pilou Asbaek), mais um de seus filhos (R.I.P. Rhaegal) e sua fiel conselheira, Missandei (Nathalie Emmanuel).

    Desde o início da temporada (ou, na verdade, desde o final da temporada anterior), o tema de uma possível loucura de Daenerys veio sendo introduzido aos poucos, tornando a personagem mais obcecada pelo poder. Obviamente, a obstinação com o trono é uma atitude que irrita o público — uma visão parecida com a do finado Stannis, que passou longe de ser um dos personagens favoritos entre os espectadores da série —, e isso causa uma rejeição maior à personagem. Neste episódio, tudo isso é traduzido em uma conversa reducionista entre Tyrion (Peter Dinklage) e Varys (Conleth Hill), que faz Dany parecer fraca e boba e esquece todo o seu desenvolvimento nas temporadas anteriores, quando libertou escravos e prometeu “quebrar a roda”.

    Isso não quer dizer que o arco de uma possível loucura de Daenerys seja algo completamente sem sentido. É condizente, sobretudo porque sua fome de poder e como ela se enxerga destinada ao trono sempre estiveram entre as suas maiores motivações. Mas é uma abordagem pobre quando tudo parece estar sendo feito apenas para que Jon ascenda como o legítimo herdeiro.

    Talvez a rejeição de toda a história que envolve Jon e Daenerys seja uma questão de tempo da série. A todo momento, algum personagem precisa explicar a outro o quanto os dois se amam. Não houve tempo para que o público se convencesse deste amor, assim como não houve tempo para se esclarecer que Daenerys ocupa um lugar de vilã — sobretudo quando esta guinada acontece logo após ela perder tanto do que amava, enquanto seus conselheiros planejam um golpe pelas suas costas. O problema não é exatamente ir com a teoria da “mad queen”, o problema é algo que vem se repetindo há tempos em Game of Thrones: arcos convencionais que apagam a evolução trilhada pelos personagens. Se você tortura a personagem a ponto de ela perder absolutamente tudo, soa bastante forçado dar a ela o título de “rainha louca” e dizer que aquilo estava ali o tempo todo.

    A esta altura, o único personagem apto a se sentar no Trono de Ferro é mesmo Fantasma. Ou Brienne.

    Helen Sloan/HBO

    OUTRAS CONSIDERAÇÕES
    • Em Game of Thrones, muitos personagens sofrem e passam por provações. Faz parte. Sansa Stark não seria diferente. Mas será que precisamos mesmo de uma personagem dizendo que, se não fosse por seu estuprador, ela não seria uma mulher forte? A cena entre ela e o Cão parece mais uma forma de a série dizer que Sansa não seria uma personagem querida se ela não tivesse passado por tantas provações e, sinceramente? Errado. Muito, muito errado.

    • Peter Dinklage tem um de seus grandes momentos na cena em que negocia a rendição de Cersei. Emmy tape, é você?

    • Aegon, o Conquistador reuniu o continente de Westeros sob um único regime — o seu — com suas duas irmãs e esposas, Rhaenys e Visenya, e três dragões: Balerion, Meraxes e Vhagar. Depois deles, muitos outros dragões viveram e morreram nos Sete Reinos, enquanto muitos homens tentaram matá-los ou conquistá-los. Meraxes, inclusive, morreu em combate, quando foi atingida por uma arma parecida com a que Euron utilizou para alvejar o pobre Rhaegar. Mas Meraxes apenas morreu porque a flecha atingiu seu olho. Resumo da história? Sim, sabemos que dragões morrem em combate. Faz parte. Com certeza outras pessoas já pensaram em atirar contra as bestas voadoras. Mas também deveria ser mais difícil atravessar as escamas de um dragão, que na história de Martin são duras feito aço.

    • A decisão de Jaime de deixar Winterfell e voltar para Porto Real parece contraditória, e é particularmente doloroso ver Brienne chorando por ele no pátio, mas vamos dar ao Regicida o benefício da dúvida.

    • R.I.P. Missandei, a única mulher negra da série que tinha alguma fala.
    Helen Sloan/HBO
    • A esta altura só resta acreditar que Game of Thrones se esqueceu completamente da existência do Fantasma e o inseriu na 8ª temporada no improviso. O Jon não te merece, Fantasma. Você é um bom garoto.

    O que você achou do episódio?

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    Comentários
    • Indianara Auane
      Pois é, focaram só no estupro. Esqueceram que ela viu o pai ser assassinado, a família separada e dizimada, além de ter que viver em King's Landing com aquela galera bacana Cersei, Joffrey, Tywin, se casar com Tyrion como punição, fugr com a ajuda de Mindinho, perder a casa e ainda ter que se casar com Ramsay... Provavelmente a crítica não enxerga isso tudo como sofrimento.
    • Jad Bal Ja
      Vamos combater o racismo do mal com o racismo do bem.
    • WithoutMind
      Amigo, branco não sofre racismo, homem não sofre com femismo. Tu deve ser um daqueles que diz o mundo tá chato, né?
    • Jad Bal Ja
      E assim falou o racista, xingando os outros de racistas...deve ser o tal racismo do bem.
    • WithoutMind
      Ah, claro, até porque isso só existe na geração do autor, né? Aposto que você é homem e é branco pra estar dizendo isso, fingindo que o mundo é perfeito e não existe racismo, machismo, ou qualquer outra coisa que cause dor e sofrimento em pessoas que não são reconhecidas simplesmente por causa de certas características. Que belo bacaca que você foi com esse comentário.
    • Anna Mps
      O episódio ficou ó... uma bosta. Concordo com quase tudo o que você disse, mas não, a história de Daenerys louca não caiu bem não só por tempo, ou pressa, ela não caiu bem porque não faz sentido nenhum.Acho que além disso tudo o que foi dito, os roteiristas estão fazendo um trabalho tão porco que toda a série está se apoiando em reviravoltas gratuitas (Arya matando o Rei da Noite e Euron matando o Rhaegal de graça) e na atuação dos atores...A propósito: as atuações estão cada dia mais impecáveis, e os atores estão fazendo um esforço absurdo para cobrir todos os enormes buracos do roteiro: Lena e Peter não tem falas e são obrigados a dizer tudo com os olhos...
    • Sloth Gamer
      É a OITAVA temporada! Tem que acabar mesmo logo. Amo o seriado, mas já tá na hora de ter fim
    • Hidalgo D.
      Querer transformar a Dany que foi uma heroína agora em rainha louca será muita sacanagem. Espero que não façam isso
    • Paulo Calixtro
      O episódio foi péssimo, até então não tinha ficado com tédio vendo GOT. Tanto tempo desperdiçados com falas desnecessárias, como as de Brienne e Jamie, que poderiam usar com arcos que foram finalizados tão pobremente.O único episódio da temporada que foi interessante, só por conta de toda a ação, foi o 3. Fica bastante difícil não sentir nada faltando na série, uma vez que o suposto clímax de toda a série era o embate com os white walkers, que acabou tão facilmente, sem fechar de fato esse arco. Tipo, a guerra com a Cercei vai ser pior que A GRANDE GUERRA? é sério? ... todo o o inverno está chegando e eles vencem tão facilmente e sem perder nenhum dos principais? forçadíssimo.Cagaram demais com a série, demais mesmo; acredito que seja por não mais acompanhar os livros. Já me preparo para um final decepcionante. Aliás, depois da 6 temporada a série desandou. Minha única esperança é o autor escrever um final decente, que condiga com toda a história. :/
    • Leo Mendes
      Interessante a crítica. Principalmente por alguém reconhecer (depois de séculos) que essa é mais uma série Eurocentrista onde os negros só aparecem para serem vilões ou escravos ou vermes (e uma excessão aqui e outra ali).Independente dessa questão, parece que uma das principais histórias herdeiras da inventividade de Robert Howard precisa muito dos livros como apoio para ter bons roteiros.
    • Jad Bal Ja
      Meu deus mais será se não consegue escrever um artigo sem essa chatice de ai as mulheres, ai mas era a unica negra da serie, ai ta errado dizer isso.... Oh geração chata do cacete.
    • Jonas Oberziner
      Caraca... que final péssimo de artigo: Missandei, a única mulher negra......Que coisa, qual a importância da cor da pele. Ela teve um bom papel e ponto final.Que saco essas ideologias em tudo.
    • Skine
      Achei um episódio mal escrito e confuso em seus propósitos. Começa com uma bela homenagem aos mortos aí corta pra uma enorme comemoração aí do nada vem uma morte bem nada a ver pro Rhaegal. Quando reassisti achei ok a mudança do clima triste pra comemoração, só pareceu meio estranho a primeira vez. Mas essa morte do Rhaegal foi horrível. Eles estavam dando mortes dignas, que são ótimas conclusões, a todos os personagens nessa temporada, aí com o dragão fazem isso. Já usaram o recurso de Euron chegar se surpresa outra vez, mas agora não tem sentido nenhum ninguém ter visto ele e nem aquela arma que tem um alcance tão grande e se recarrega tão rápido. E um dragão não deveria morrer tão facilmente. E a parte de Daenerys e Drogon foi mal dirigida. Pq ele acertou de primeira em Rhaegal, mas Drogon vindo em linha reta na direção deles com várias sendo lançadas, não conseguiu acertar. E Dany devia ter dado a volta para queimá-los.Sobre Daenerys louca, sei que isso pode acontecer nos livros também. Mas não gostaria do mesmo jeito. Dany nunca foi como o irmão ou o pai. Ela trouxe os dragões de volta ao mundo, tinha toda aquela questão da Casa dos Imortais, libertou escravos... Tem toda essa linda jornada pra no final ser reduzida ao que pai era?! Agora, tem uma outra questão. Ela sempre teve isso de ser impiedosa. Ela tem consciencia desses impulsos (e das consequências deles), por isso sempre se cercou de gente que ajude a controlá-los. Ela não faz por paranóia, nem por prazer. Não é loucura. Só pq agora ela faz com gente branca, ops, quero dizer, de Westeros, isso tá sendo colocado como loucura?! Uma coisa que me incomoda é que sempre parece que apenas o inimigo (Cersei, Ramsay, Rei da Noite) têm estratégias. Aí Cersei destroi seu dragão (que é como um filho), seu exército e sua melhor amiga. Aí Tyrion que conhece a irmã e deveria ser inteligente não elabora um plano decente e quando Dany quer atacar com as forças que têm (dragões) ele fica ain, vc não quer ser rainha das cinzas. Ah, me poupe, se poupe, nos poupe. Nem parece aquele que jogou fogovivo no Stannis.
    • Andries Viljoen
      Jessica Chastain critica Game of Thrones por usar o estupro como “ferramenta” na história de Sansa.A atriz e produtora norte-americana Jessica Michelle Chastain foi uma das pessoas que percebeu esse absurdo do roteiro e foi ao Twitter criticar a cena:“Estupro não é uma ferramenta para fazer uma personagem mais forte. Uma mulher não precisa ser vitimizada para se tornar uma borboleta. O pequeno pássaro sempre foi uma fênix. Sua força vem dela mesmo. E somente dela”, escreveu Chastain no tweet
    • Romulo de Santana Bispo
      A interpretação de texto de vocês é tão horrível quanto a tentativa de diminuir a importância da representatividade em qualquer lugar. E só lembrando: não houve tentativa de colocar ngm contra ngm. Só uma reclamação com a série pela falta de atores negros. Falta de representatividade. Só isso.
    • Aluso Osula
      Disse tudo! São sintomas da falta do Martin.
    • Aluso Osula
      na história de Martin são duras feito aço. Isto resume tudo e explica a decepção com os últimos episódios. Sem o livro, a série não é nada demais!
    • Andries Viljoen
      - Mais de 8 anos construindo uma personagem foda (Daenerys) para chegar na última temporada e cagar com tudo?- Ainda não senti conexão alguma entre a Dany e o Snow. Parece que não se amam tanto quanto dizem.- A Sansa continua sonsa... ou dando uma de Mindinha?- O Jaime vai continuar sendo um pau mandado da Cersei ou será que...- Os dragões foram os mais fáceis de matar até agora .-.- Parece que o fantasma nunca foi significante para o Jon- Foram poucas fogueiras. Morreu mais gente ali- Discursar tanto sobre os mortos para depois ir comemorar como se nada tivesse acontecido? - A Arya foi a única sensata; ainda quebrar o coração Gendry foi pesado;- O Varys é o mais inútil nessa série.- O Tyron está perdendo sua capacidade em bolar estratégias. - Entre outras coisas.Pelo visto, a Arya vai matar a Cersei e a Dany. O Jon vai assumir o trono e a Sansa vai continuar sendo lady do norte. É isso aí!
    • Andries Viljoen
      Exceto no ponto do Estupro
    • Andries Viljoen
      que sabe com ayra do seu lado? Seria irônico ver realizado um sonho que era de Sansa.
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