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    Game of Thrones 8x03: Batalha de Winterfell expõe o melhor e o pior da temporada final
    Por Laysa Zanetti — 29 de abr. de 2019 às 07:45
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    Leia a nossa critica do episódio "The Long Night."

    ATENÇÃO! Contém spoilers. 

    Após muitas promessas da batalha mais longa e mais ousada da televisão e do audiovisual, Game of Thrones satisfez muitos fãs com o episódio “The Long Night.” Você está entre eles?

    É o típico grande embate entre “o bem e o mal” no final de uma jornada. Isso no mesmo fim de semana da estreia do já bilionário Vingadores: Ultimato, diga-se de passagem. “The Long Night” tinha muito a fazer e, por isso, muito a ganhar e a perder. Enquanto batalha, é um dos grandes feitos da HBO, daqueles que provam por que Game of Thrones ganha tanto Emmy. Como história, no entanto, infelizmente deixa muito a desejar.

    Game of Thrones já trouxe muitas grandes batalhas ao longo dos anos. As melhores delas se destacam não por grandes momentos catárticos, mas sim por construírem um clima em que há um grande risco para os envolvidos, e do outro lado da tela é possível sentir a mesma agonia, ou no mínimo parte dela. É isso que faz da Batalha de Água Negra um dos grandes episódios da série. Ele balanceia perfeitamente o pavor sentido por todos na Fortaleza Vermelha com os ímpetos loucos de coragem daqueles que vão para a frente de batalha — Tyrion (Peter Dinklage) incluso. Há vulnerabilidade nos olhos de Cersei (Lena Headey) e de Sansa (Sophie Turner), há muito medo nos olhos de Joffrey (Jack Gleeson), que tenta disfarçar com sua arrogância. O episódio é uma dança minimamente coreografada para que a batalha seja algo pavoroso, ainda que a explosão do fogovivo seja linda.

    Dinâmicas similares ocorrem não apenas em outros episódios da série (“Battle of the Bastards” e “The Spoils of War”, para citar apenas os mais recentes) mas em peças da cultura pop em geral. Se não tivermos algo a perder em uma batalha, não há motivos para temê-la.

    Helen Sloan/HBO

    O que “The Long Night” está fazendo vai na mesma onda. É um episódio grandioso, com centenas de nomes envolvidos em uma luta pelo destino dos Sete Reinos. Não há uma estratégia definida para o embate contra os mortos, apenas alguns flancos coordenados divididos entre os “tipos de exércitos”. Há desespero, urgência, explosões e mortes assustadoramente estrondosas. Mas não é nem de longe o “ponto alto da série” que prometeu ser.

    Visualmente, a falta de iluminação nas cenas tornou-se um grave problema que se repete em Game of Thrones há tempos. Sim, a batalha acontece à noite, mas isso não é motivo para cenas tão mal iluminadas que chega a ser difícil até mesmo discernir um personagem do outro. É difícil investir a dedicação em um episódio tão importante quanto este quando um quesito técnico — aparentemente simples — se transforma em um impedimento. Batalhas noturnas não precisam ser mal iluminadas porque não há nada de verossímil em deliberadamente frustrar uma experiência.

    Ainda assim, é claro que o episódio traz sequências impressionantes. Uma de suas qualidades é a forma como intercala pontos altos de muita ação com outros mais introspectivos, na boa intenção de não cansar o espectador. É uma forma inteligente de mostrar que a batalha acontece em diferentes níveis e métodos ao mesmo tempo, sabiamente equilibrando as participações dos muitos personagens centrais e deixando em evidência a exaustão e o desespero em cada um. Não há nada de belo nisso, mas é um aceno para o fato de que todos ali são mortais e estão sim se colocando à risca, mas com medo.

    Helen Sloan/HBO

    Justamente por isso, o episódio empolga com momentos de grande vibração, em que favoritos tomam o centro da narrativa, diálogos remetem a passagens marcantes de temporadas anteriores, lutas coreografadas de forma belíssima chegam a emocionar e personagens outrora escanteados têm seu momento ao sol — ou neste caso, à luz do fogo. Há um desespero crescente, bem retratado a partir do momento em que o episódio entrega aos poucos qual é o real tamanho da ameaça do Rei da Noite. O vôo dos dragões é sempre divertido, e os cortes rápidos entre as cenas imprime velocidade e retrata a falta de coordenação dos movimentos em uma guerra em que nada por ser previsto — ainda que cause exaustão quando é impossível entender o que está acontecendo em uma tomada antes de o episódio cortar para outra, e depois continuar fazendo isso.

    Mesmo que seja visualmente marcante — isso quando foi possível enxergar alguma coisa —, “The Long Night” tem graves problemas de roteiro, sobretudo quando emprega facilitadores batidos para resolver questões aparentemente insolúveis. O investimento tão alto em trazer “a maior sequência de batalha do cinema ou da TV” fez com que o episódio se transformasse em um que funciona mal no vácuo entre o anterior e o próximo. Ele não traz desenvolvimento para os personagens, não aprofunda as narrativas e, no fim, não representa o perigo que tanto anunciou.

    Para uma série que ganhou popularidade e favoritismo sendo imprevisível e corajosa — não houve medo de sacrificar protagonistas na execução de Ned Stark (Sean Bean), no Casamento Vermelho ou no Casamento Roxo —, Game of Thrones chega à temporada final sendo simplista e medrosa no episódio mais promissor até então. É ao mesmo tempo, sem sombra de dúvidas, uma batalha épica, cheia de reviravoltas, mortes e reversões, sequências lindas focadas em alguns dos personagens mais queridos. Mas apesar disso, as mortes são pouco impactantes, ao menos quando estamos falando de personagens principais. Não há alto risco. Poderíamos cogitar a possibilidade de haver uma pegadinha aí — será que a série está escondendo para o episódio seguinte a revelação de alguma morte impactante? —, mas dificilmente é o caso.

    Helen Sloan/HBO

    Dizer que não há alto risco nas mortes executadas não quer dizer que elas não tenham sido emocionantes. A despedida de Theon Greyjoy, vivido com muita dedicação e um desenvolvimento entregue de forma emocionante por Alfie Allen, é sem dúvidas uma das mais marcantes. É um personagem que foi do céu ao inferno em sete — quase oito — temporadas, e enfim encontrou sua paz e sua redenção. Morreu como um herói para o garoto com quem falhou, recebendo o máximo de conforto que aquele poderia lhe dar. Foi digníssimo.

    O mesmo vale para Sor Jorah Mormont (Iain Glen), que bravamente lutou ao lado de sua amada rainha e permaneceu com ela até o fim. Ele também passou por provações, e aqui finaliza um arco que já havia sido fechado no episódio anterior: recebeu o perdão de Daenerys (Emilia Clarke), recebeu de Sam (John Bradley) a espada de aço valiriano dos Tarly, numa retribuição feita pela memória de Jeor Mormont — pai de Jorah e mentor de Sam na Patrulha. Por mais trágicas que sejam as mortes de ambos, são mortes que vêm em bravura e paz, talvez o máximo de conforto que poderia existir nessa situação.

    O truque mais bem executado de “The Long Night”, em meio a tantos mortos, é um que estava escondido bem à vista todo o tempo: Arya Stark. A personagem de Maisie Williams é o melhor ponto de vista do espectador durante toda a batalha, e ela passa por muitas provas que colocam em prática tudo o que aprendeu, seja com Syrio Forel na primeira temporada, com o Cão de Caça e a Irmandade Sem Bandeiras na estrada ou com os Homens de Muitas Faces em Braavos. Ela já havia entregado alguns dos momentos mais marcantes do episódio antes mesmo de dar o golpe fatal no Rei da Noite.

    E por mais incrível e empolgante que seja o momento, é um final fácil demais para um personagem que prometia muito. É simplório porque confirma a redução do arco dos Caminhantes Brancos, que prometia desde a primeira temporada, à saga de um vilão com objetivos rasos e sem complexidade alguma. Game of Thrones sempre foi (ou quis ser) uma história sem heróis e sem vilões, com personagens complexos que oscilam entre a glória e o pecado. Quer dizer, agora é só isso mesmo? Simples desse jeito? Arya e Melisandre servem como dois grandes deus ex machina e acabou?

    Helen Sloan/HBO

    E, não, a referência ao encontro entre Arya e Melisandre na 3ª temporada não basta para justificar os saltos de lógica deste desfecho. Desculpa, Arya. 

    Considerações finais

    - O momento entre Tyrion e Sansa nas Criptas foi respeitável. Gostamos assim;

    - Daenerys, cuide dos seus dragões como Drogon cuida de você;

    - Quem foi que teve a ideia genial de desaparecer com o Fantasma por uma temporada inteira só para na primeira oportunidade colocá-lo no lugar mais perigoso possível na batalha contra os mortos? Alguém proteja este lobo!

    - Jon Snow não faz nada. Ressuscitou só para passear de dragão.

    O que você achou do episódio?

     
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    Comentários
    • Lucas Lindemann
      lixo é tu q nao tem argumentos
    • Mirian Souza
      MEU CAPS LOCK TÁ QUEBRADO KKKK
    • Mirian Souza
      Kkkkk TENHO PREGUIÇA DE FICAR MUDANDO O TAMANHO DA LETRA. TENHO PROBLEMAS NA VISTA TBM RSS
    • Andries Viljoen
      O roteiro dessa temporada tem tantos erros em estratégia militar que eu nem sei por onde começar. Vou resumir aqui o ep 3 (Spoilers abaixo).ep 31) colocaram a cavalaria dotraki sem armas apropriadas na frente da infantaria2) nem sabiam q a melisandre ia aparecer e colocar fogo nas espadas, ou seja, mandaram os caras pro escuro e pra morte3)quem tinha q ganhar territorio eram o exercito da noite, POR QUE DIABOS ALGUEM MANDA SUA CAVALARIA ATACAR NO ESCURO? sem condições4)sam no front line só pra fazer os outros morrerem por ele. o sam tem muito mais valor escrevendo estudando pesquisando etc. os caras simplesmente colocaram o melhor médico dos 7 reinos na linha de batalha pra ser trucidado.5)bran wargou pra fazer alguma coisa, imagino q vai ser respondido o que nos eps 5 e 66) jon e danerys atacando o rei da noite afobados sendo q eles deveriam ter posicionado os dragoes junto com seu exercito e apenas aguardado. eles iam minimizar enormemente as proprias perdas assim7)colocaram o pessoal na cripta durante uma batalha com um inimigo reconhecidamente necromante8)a lyana mormont pesando 25kg medindo 1,20m tomou uma porrada de um gigante de 8 metros de altura pesando 3 toneladas. é como se ela tivesse sido atropelada por um microonibus. ainda assim ela ainda consegue levantar e matar o gigante, que ao pega-la ficou pensou ser uma boa ideia coloca-la a 10 cm de seu olho9)os generais do rei da noite falharam no unico trabalho q tinham, q era proteger a porra do rei da noite.10)por falar nisso, que demora do caralho pra matar o bran hein meu filho, vc ficou 10 mil anos esperando pra resolver esse BO pra chegar na hora ficar enrolando como se fosse um vilao de filme cliche de heroi? pqp ne11) ficaram 10 anos elevando o hype do rei da noite winter is coming etc etc pra acabar com tudo em 1 minuto. vai se ... sinceramente
    • Deborah Silva
      Eu gostei de ser a Arya quem matou o Rei da Noite, gostei da interação do Tyrion e da Sansa nas Criptas, do nervosismo do exército esperando a batalha e, apesar de tristes, achei honradas e bonitas as mortes de Theon e Jorah... Mas foi SÓ!Pra mim so isto se salvou neste episódio!A fotografia foi uma das piores que eu ja vi!Até Kingdom, uma série infinitamente menor, que mostra um apocalipse zumbi numa reino feudal (ou seja, tbm sem o recurso de poder usar mta luz a noite), tem uma iluminação e fotografia que dão de 10 a 0 na batalha deste episódio.Pra um episódio que prometia a maior batalha de todos os tempos, seguinte os diretores no msm nível de Senhor dos Anéis, deixou mto a desejar... Não foi nem de longe uma batalha realmente épica, aliás, com tanto guerreiro experiente é sério que acharam uma boa ideia saírem correndo com os cavalos pro breu total atrás de um adversário que eles mal viam e mal conhecem? Quem que escreveu este roteiro? Kkk. Pra mim este episódio estava mais pra um apocalipse zumbi bem mais ou menos do que uma batalha épica. Até Guerra Mundial Z (apesar do roteiro sofrível) tem cenas melhor executadas que a deste episódio (por exemplo, a clássica cena de zumbi se empilhando pra atravessarem um muro). Enfim, se não fosse a parte emotiva (as mortes e os reencontros, nos lembrando das temporadas passadas), este episódio teria sido, pra mim, um dos piores apocalipses zumbi que eu ja vi (pq no final, não passou disto).Faltou um bom roteiro e sobretudo faltou uma boa direção! Tinha cena que acontecia tudo tão rápido que eu me senti dentro de um vídeo game e não assintindo a maior batalha de todos os tempos kkk. Pra mim, um episódio bem meia boca e de uma temporada bem meia boca até aqui (apesar de uma coisa aqui e ali se salvarem).
    • Grazielli Estrada Vieira
      Como assim, gostei da escolha da Arya, o problema foram nos criarmos muitas teorias em cima da série, sendo que ela não, segue exatamente a história do livro. A questão do Rei da noite segue, foi muito rápida, esperava algo mais ali com o Bran. Agora dizer que Jon Snow não fez nada, eu difícil hein, ele queria e estava decidido em matar o NK junto com a Dany, o que aconteceu foi o NK deixar ele a ver navios, o negocio era com o Bran. Como assim Jon não fez nada? Gente, se não fosse por ele, o Norte morreria por completo e o Bran Junto! Quem foi que passou a série toda avisando sobre a ameaca e reunindo o máximo de aliados possível para enfrenta-la? O que eu vi foi o exército da Dany ser dizimado, se não fosse por ele , teria somente uma carnificina. Por isso ele voltou e foi revivido. A Arya teoricamente seria a mais votada para matar o NK, ela treinou muito pra chegar nesse momento. O que faltou foi explicação sobre muita hiathist em volta dos WW.
    • Henrique Alves
      Aí, manda teu currículo para HBO... eles estão mesmo precisando renovar seu quadro de roteiristas! kkkkkk
    • Henrique Alves
      Podia ser pior... imagina se do nada aparecia o tio do Jon Snow (deus ex machina man) pra matar o Rei da Noite! kkkkk
    • ChadGrey
      Tens o Caps Lock ligado
    • ChadGrey
      Não fui eu que fiz a análise.Só respondi ao teu comentário onde nunca falaste na Daenerys, apenas falaste do Snow e dei a minha opinião ao que disseste.Agora que falaste da Daenerys respondo em relação a isso concordando totalmente com aquilo que disseste... E acrescento ainda mais à estupidez deste episódio em relação à Daenerys que foi aterrar o Dragão exactamente no meio de milhares de mortos vivos e deixar-se estar....Nada neste episódio foi bom. Uma tremenda desilusão em todos os sentidos. Tanto no sentido tático-militar, como de enredo, como de decisões e escolhas (vale a pena mencionar que decidiram por as pessoas mais indefesas nas criptas?!? literalmente no meio de mortos que toda a gente sabia que o Night King os conseguia ressuscitar a qualquer momento!!! Vale a pena ou ainda é um assunto sensível?!?)O episódio foi péssimo e eles sabem muito bem disso e por já nao terem nem como alimentar a era dourada de Game of Thrones fizeram uma batalha seca deste episódio matando uns quantos para os fãs ficarem de pau duro e pronto....
    • Paulo Cezar de Mello
      A Longa Noite é só uma cena de Game of Thrones. Comprida, mas só uma cena. A batalha vinha sendo anunciada, a batalha aconteceu, a batalha passou. Fica a impressão de que o Rei da Noite (parece nome de dono de boates badaladas) e seu exército de walking deads eram só um detalhe incômodo a ser posto de lado pra história poder seguir. Valeu como espetáculo visual. Agora, um PS: os índios tinham mesmo que ir na frente pra serem sacrificados primeiro?
    • Jad Bal Ja
      O que eu acho? Cercei queima tudo!
    • #KDALUZ?
      Peraí!? Voces conseguiram ver alguma coisa? Tava tudo tão escuro que pensei que tava ficando cego.
    • Wilson Silva
      Seguindo sua linha de raciocínio, porque não falou de Daenerys?...ela tambem so passeou com Drogon...e ai qual justificativa?...
    • Luke Urameshi Painkiller
      Achei uma bosta, espero q Cersei ganhe essa merda e mate geral!
    • Marcelo Silva
      Vai me desculpar, mas o único que parece ser fã boy aqui é vc rsSe doeu demais pelos comentários negativos que, se vc procurar, vai ver que estão se repetindo em todo canto, seja aqui no Br ou nos sites lá de fora.
    • Victor L.
      exatamente, Marcel
    • Victor L.
      concordo, pensei nas mesmas coisas.
    • Alik
      Concordo plenamente contigo Thomás V. Moraes. Penso da mesma forma quanto à questão da má iluminação como forma necessária para um embate noturno, somente visível à luz do fogo e do gelo expelido pelo dragão do Rei da Noite, assim como, o foco da Série mais assistida e reverenciada do Planeta que é sem sombra de dúvida a batalha pelo trono de ferro. Por um momento até achei que o foco seria a luta pela sobrevivência do Planeta quando aparecia a estória da construção dos White Walkers pelos primeiros homens que defendiam a natureza das agressões humanas mas, na verdade era uma forma de contrabalancear a realidade nua e crua que era a batalha pelo trono...engenhoso assim como a estória da adaga que matou o Rei da Noite. Adorável sim!!!
    • Iva_SS
      Esse episódio me irritou muito. E o emprego do deux ex machina foi muito simplório. A todo momento eu não me conformava com o amadorismo da preparação da batalha, com tantos supostos experts, mas era só para dar algum papel de destaque para a bruxa vermelha, e no fim nada resolvia. Aliás, ela foi bem inútil. Essa série sempre foi isso, muita promessa e muita frustração. E se não for revelado no próximo episódio que o Bran que estava controlando a Arya depois que ela bateu a cabeça, não vai fazer sentido algum, ela do nada fica medrosa e começa a fugir só para se encontrar com a bruxa vermelha e ter aquele diálogo desnecessário???
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