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    The Walking Dead S09E16: Final de temporada traz leveza e promessas
    Por Laysa Zanetti — 31 de mar. de 2019 às 23:25
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    Nossa crítica do episódio "The Storm."

    O inverno chegou, a série tem zumbis “de gelo”, mas não estamos em Westeros. A 9ª temporada de The Walking Dead termina com uma nevasca atingindo o grupo de sobreviventes e uma ponta de esperança levemente estranha para uma série que se acostumou a ser tão sombria por tanto tempo.

    Após o ataque de Alfa (Samantha Morton) no episódio 15, o Reino está desestabilizado e Ezekiel (Khary Payton) e Carol (Melissa McBride) sem rumo depois da morte de Henry (Matt Lintz). O Rei assume a responsabilidade de manter seu grupo a salvo, e ainda que o relacionamento esteja abalado, decide que o melhor a fazer é levar todos para Hilltop e abandonar o lugar que nutriu por tantos anos.

    A sempre interessante dinâmica entre Carol e Daryl (Norman Reedus) ganha um novo capítulo após o massacre, com uma sombra que torna impossível ao público não lembrar da morte de Sophia. Ezekiel o culpa pelo ocorrido, e pede que Daryl se afaste, mas Carol logo percebe e explica: “Ele te culpa porque não consegue culpar a mim.”

    O conflito do episódio é tomado pela travessia do grupo através da nevasca, enquanto são obrigados a lidar com os próprios sentimentos. O mais interessante é observar as consequências para Carol e Lydia (Cassady McClincy). A garota sente a culpa por ter trazido o conflito ao se aproximar de Henry, mas ver Daryl a defendendo, mesmo quando ela diz que não precisa de defesa, é o perfeito exemplo da sensibilidade velada do personagem. Este parece ser o início de uma bela amizade.

    A culpa que Lydia sente quase a faz desistir, assombrada também pela perspectiva de ser o alvo do ódio de Carol. Este não é o caso, como fica claro na cena em que a garota quase se deixa ser mordida por um zumbi preso em um lago congelado, mas é encontrada por Carol neste exato momento.

    A ausência de grandes discursos na cena em questão é não apenas pertinente com a personalidade da mulher, como também deixa explícita a complexidade de seus sentimentos. Carol perdeu mais um filho e, em suas próprias palavras, “acordou de um conto de fadas.” Isso poderia ser mais do que suficiente para fazê-la esquecer de sua humanidade, mas não parece ser o caso. Nós não sabemos como ela vai reagir no futuro, mas, uma vez que já se passaram pelo menos alguns poucos meses do massacre, não parece que veremos a sua versão cruel e sanguinária. Este ciclo, no qual ficou presa durante algumas temporadas, era mais nocivo do que construtivo, e vê-la com maior domínio de si mesma cria expectativa para o que virá em seguida.

    No geral, ver o grupo unido precisando ultrapassar um desafio prático, físico, imprime uma nova energia à série, entregue por tanto tempo a empecilhos puramente emocionais abordados de forma redundante. A ameaça do frio, mais presente do que a ameaça dos zumbis, aliada à perspectiva de passar pelo território dos Sussurradores, traz algo de renovador, mantendo a estrutura que a série estabeleceu muito bem em sua 9ª temporada: cada episódio funciona estruturalmente com início, meio e fim estabelecidos, funcionando isoladamente sem deixar de construir uma narrativa a longo prazo.

    A real novidade, no entanto, fica para os momentos finais do episódio. Chegamos ao desfecho de uma temporada que fez muitas mudanças em The Walking Dead. Não temos mais Rick, Maggie ou Jesus; Judith é uma criança de 10 anos que dá lição em um monte de adulto, e Michonne (Danai Gurira) tem um outro filho. Negan (Jeffrey Dean Morgan) está no meio do caminho de uma jornada curiosa de vilão a… algo menos do que um vilão. E temos um novo grupo completamente impiedoso tirando a paz construída sobre frágeis estruturas.

    Ainda assim, os momentos finais não transmitem uma sensação pesada de que cada ação ou consequência é irreversível ou insuperável. Nós vimos Michonne brincando com os filhos, e Judith conversando com Ezekiel pelo rádio, o homem dando à garota a certeza de que o pior sempre vai passar. Mas é claro que a temporada não poderia terminar sem um gancho, já esperado pelos fãs e guardado para os segundos finais. Aquela voz no rádio?

    Sim, muito provavelmente estamos falando do Império — também conhecido como Commonwealth. E, se as teorias estiverem corretas, aquela menção à ausência de Maggie deve compensar na 10ª temporada…

    Ah, sim! E colocar Negan para salvar um cachorro e uma criança para redimí-lo é golpe baixo.

    The Walking Dead é exibida no Brasil pelo canal Fox, e disponível no Fox Play.

     
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    Comentários
    • Nataly Silva
      Porque acha que é golpe baixo sobre o Negan, todos nós sabemos que ele é doido pela Judith, os dois juntos são a coisa mais linda, que amo ver, não achei golpe baixo não, poderia explicar, por favor?
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