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    O Justiceiro: Crítica da 2ª temporada
    Por Vitória Pratini — 18 de jan. de 2019 às 10:55
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    Série da Marvel / Netflix aposta na brutalidade, mas peca em ritmo e desenvolvimento da trama e dos personagens.

    Nota: 2,5 / 5,0

    Depois dos cancelamentos de Punho de FerroLuke Cage e Demolidor, O Justiceiro, uma das séries remanescentes do acordo Marvel/Netflix, chega com uma segunda temporada longa e irregular. Repleta de brutalidade e, acredite, um toque de família e redenção.

    Seguindo os eventos do final de seu ano um, a produção acompanha Frank Castle (Jon Bernthal, como sempre muito bem no papel) — que agora assume a identidade de Pete Castiglione, por causa do acordo que fez com a Segurança Nacional — em uma vida calma, sem violência, viajando de cidade em cidade, e até encontrando um cobertor de orelha. Só que, como um bom samaritano (como a série faz constantemente questão de apontar), o problema o encontra. Castle se vê em uma onda de justiça/vingança ao tentar proteger uma menina (Giorgia Whigham, uma revelação) que virou alvo de pessoas perigosas e está envolvida com um misterioso segredo.

    Marvel / Netflix

    Nesse sentido, a série se arrasta tanto em ritmo durante seus arcos narrativos — presentes em 13 longos episódios de mais de 50 minutos cada um — que só descobrimos o porquê da jovem estar sendo perseguida para mais da metade da temporada. Enquanto, por um lado, isso cria um mistério que gera curiosidade, também cansa o público, que se pergunta por qual motivo os personagens não conversam claramente sobre qualquer assunto.

    A ameaça, então, vem na forma de John Pilgrim (Josh Stewart), uma figura misteriosa e ameaçadora que usa a fé e a religião para justificar as barbaridades que faz (de longe, faz lembrar do arco de Helena em Orphan Black). Sua aparição tem ainda a participação ilustre, porém, caricata de Corbin Bernsen (Um Time Muito Louco, Psych) e Annette O’Toole (Smallville).

    Marvel / Netflix

    Mas Pilgrim não é o único vilão da temporada. A série cede muito do seu tempo para o arco de Billy Russo (Ben Barnes), que agora se recupera da lesão causada por Frank Castle em seu rosto, aparentemente sem memórias do acontecido. Enquanto o personagem chega cada vez mais próximo de se tornar o vilão Retalho, seu visual decepciona, pois de retalhado tem muito pouco. Surpreendentemente, Barnes conseguiu trazer com méritos a dualidade do personagem, confuso mas cruel, agindo por impulso.

    Marvel / Netflix

    Além disso, a dinâmica do vilão com Frank e Dinah Madani (Amber Rose Revah, contida) se assemelha bastante à da primeira temporada, e gera muitas comparações de ideologia entre Castle e Russo. O desenvolvimento dos relacionamentos de cada um dos personagens é bastante arrastado. E, por vezes, é difícil acreditar que determinada pessoa largaria tudo para seguir a missão de outro, seja Curtis (Jason R. Moore) ou Krista Dumont, forte personagem interpretada por Floriana Lima (Supergirl) — e também por que ninguém tem porteiro ou interfone, sendo que todo mundo vai entrando na casa dos outros sem avisar. Em contrapartida, os longos capítulos dão espaço para o retorno de caras conhecidas das séries Marvel/Netflix, como Karen Page (Deborah Ann Woll) e Brett Mahoney (Royce Johnson).

    Marvel / Netflix

    A série aposta bastante em flashbacks para construir sua narrativa, tanto da primeira temporada, quanto da juventude dos personagens, e usa também, em alguns episódios, do recurso de duas linhas temporais sendo apresentadas ao mesmo tempo. O Justiceiro ainda utiliza alucinações e sonhos para explicar algumas das motivações e medos de seus protagonistas — tanto de Billy e Pilgrim, quanto de Madani e Dumont. Provando que todos eles estão transtornados com alguma coisa — tal qual aconteceu com Castle no ano anterior, que trouxe diversos episódios do personagem sonhando com sua família.

    Marvel / Netflix

    Um dos méritos da produção, entretanto, é humanizar Frank Castle, especialmente por conta de seu relacionamento quase paternal com a jovem Amy. A escolha do roteiro traz fortes cenas, que criam identificação com o público. Afinal, brutos também amam e podem se redimir.

    Enquanto Frank Castle continua com o lema "olho por olho, dente por dente", e não hesita em atirar primeiro e não perguntar depois (pois seu tiro é fatal), a série toca em assuntos delicados, como violência, soldados sofrendo de estresse pós-traumático, o relacionamento dos norte-americanos com os russos, e até mesmo o machismo. Na dinâmica entre Castle e Amy, vemos críticas claras às atitudes e ideologias de Frank, com falas ácidas da menina. 

    Marvel / Netflix

    Entretanto, não é o suficiente para colocar o dedo na ferida, ou mesmo desagradar os fãs assíduos do vigilante. Mais de uma vez, o personagem usa da justificativa de que é "à moda antiga", por isso defende mulheres, não faz acordo com russos e é adepto do tiro, porrada e bomba. E, por fim, até mesmo quase todos os personagens que condenavam o uso da violência, e a defesa pautada no "matar ou morrer", acabam se rendendo às graças das ações do Justiceiro.

    Em uma série protagonizada por homens, as mulheres fortes, porém escassas, da trama, não passam no Teste de Bechdel — que mede se personagens femininas conversam entre si por um tempo considerável sobre algo que não seja um homem em uma produção.

    Marvel / Netflix

    Apesar disso, O Justiceiro funciona no que sabe fazer de melhor: cenas de ação, cujos palcos são galpões, quartos de hotel, elevadores, garagens e até a rua, gerando sequências de qualidade. Seguindo a fórmula já conhecida, Jon Bernthal apanha e bate em praticamente todos os episódios. A série usa e abusa do sangue e da brutalidade na tela, ao mesmo tempo em que aposta na fotografia e no posicionamento de câmera para enriquecer a narrativa.

    Marvel / Netflix

    Não sabemos se O Justiceiro terá uma terceira temporada — seja na Netflix, seja futuramente no serviço de streaming da Disney —, mas é fato que a série consegue encerrar sua trama sem pontas soltas, e deixa espaço para um futuro próspero para Frank Castle.

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    Comentários
    • David Aquino
      Muito triste. Assisti o ultimo episódio hoje sem saber que não teria renovação. Uma das poucas séries do gênero que realmente gostei e pra mim não tem nada de arrastado. Ela tem muita ação em todos os episódios.
    • Lucas Tavares L
      Cara só oque eu quero saber é pq caralhos o billy russo não ta com o rosto todo fudido ,CADE A DESGRAÇA DO RETALHO VAI TOMAR NO CU
    • Juli F
      Machismo? Só pq o cara faz o papel dele em proteger mulheres e dar a vida por elas se for preciso? Me poupe! A série só não foi melhor pq colocaram mulheres se fingindo de duronas. Seria ótimo se mostrasse mais a realidade, de que somos frágeis sim e de que precisamos sim de homens que nos protejam como vaso mais frágil!Série excelente! Personagem excelente!
    • Rodnerd
      Achei bem fraca, me simpatizei mais com o vilão John e com o Curtis do que com os principais. O John não é diferente do Castle, infelizmente ele estava fazendo as coisas pensando em sua família.
    • Nerociffer
      Achei bem fraco também. Personagens fracos que fracassam em tentar filosofar, Frank um palerma em algumas situações, poucas se salvam. [spoiler] Entrar na academia, sabendo que todo mundo tá desarmado só pra apanhar? Encontrar com Billy e não atirar na cara dele direto, ficar fazendo gritinho histérico? Não matar um pedófilo só porque a garotinha de estimação dele pediu? Aquele tiroteio no hotel foi ridículo também, o cara erá pra ser um fusileiro... Enfim, se for falar de todos as cenas patéticas ficaria uma eternidade, não tem desculpa dizendo que é pra trama funcionar, tem jeitos de fazer. Nem preciso falar da falta de profundidade né? Barnes simplesmente não consegue. Aquela Dinah erá pra ter treinamento especial e apanha pra uma psicologa histérica? Falta de coragem no roteiro para matar os personagens. A parte do desenvolvimento do Russo não convence e é chatíssima. Teve horas em que eu simplesmente fui fazer alguma coisa e não perdi nada.[/spoiler]Mais uma vez a Netflix não acerta com um seriado do Punisher. 2/5
    • Jhonathan Souza
      Minha nossa, ainda bem que eu não banco de ser crítico. Vocês são todos chatos pra caralho UHAUHAUHAUHuhAcabei de terminar aqui e amei essa segunda temporada. Tirando a caracterização do Retalho e não saber o que aconteceu com a Beth no final, o resto tá muito foda.
    • Fábio Henrique Canata
      É que os enrustidos querem parecer inteligentes. Os caras não tem cu nem pra sair de cima do muro e dar uma opinião simples de Gostei\ não gostei ficam fazendo firula.
    • Justiceiro
      Uma das melhoras séries que já vi.Nota 5 de 5!!!
    • Ricardo Albuquerque
      palhaçada kkkkk
    • Ricardo Albuquerque
      unheee machismo!! cara leitora pfv pega um pouco no meu pinto!!!
    • Gεnos FunkO
      Não vou mais assistir, tem machismo, segundo o crítico. kkk piada.
    • Carmmando A.
      a serie é sobre o justiceiro e ele é Brutal e vai pra cima mesmo da bandidagem sem dó nem piedade sem se preocupar com o politicamente correto é assim que conhecemos Frank e assim que o queremos ver sem esta de crises existenciais e traumas ele descarrega tudo isso no seu dedo. Mas como ele é a representação do homem hétero que quer resolver a situação na bala é mal visto por estes críticos que se acham intelectuais. Eu quero ver uma serie para mi divertir e ficar chocado e não para andar filosofando se devo ou não atirar no criminoso.
    • Vinicius Vianna
      “Dava pra melhor com certeza,quer dizer que ia mudar pra melhor,já tava bom,disse que ia mudar pra melhor,não tava muito bom,tava meio ruim também,tava ruim,agora parece que piorou.”
    • Fábio Henrique Canata
      Nota 2,5. Cabeçalho da matéria: Série da Marvel / Netflix aposta na brutalidade, mas peca em ritmo e desenvolvimento da trama e dos personagens.Crítica típica de crítico pseudo-cult que não sabe descer do muro. Gostou, mas quer botar defeito pra parecer mais inteligente.Quem sabe se houver uma terceira temporada eles chamam o Scorsese pra dirigir a série e vocês darem uma nota melhorzinha. Concordo que falta retalho no Retalho da mesma forma como falta opinião nessa matéria.
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