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    Desventuras em Série: Crítica da 3ª (e última!) temporada
    Por Laysa Zanetti — 02/01/2019 às 18:30
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    A sombria e trágica história dos órfãos Baudelaire é concluída com primor.

    Nota: 3,5 / 5,0

    É melhor não olhar, mas a terrível história dos órfãos Baudelaire chegou ao fim.

    Ao longo de suas três temporadas, Lemony Snicket - Desventuras em Série cumpriu quase que à perfeição uma tarefa, no mínimo, desafiadora: apesar de ser um material voltado inicialmente para um público infantil, por tratar de medos básicos e instintivos sentidos por crianças, o programa sempre buscou apresentar uma trama capaz de falar de igual para igual com todas as idades. No caminho, houve um aprimoramento visível: a trama foi ficando não apenas mais rebuscada como aprendeu a brincar melhor com sua ingenuidade natural. Há muito, a série abandonou o lugar de que falou durante a primeira temporada, o de ser extremamente simplista. Se é que um dia chegou a ocupá-lo de verdade. O resultado é uma temporada final que junta o melhor dos dois mundos. Cumpre o prometido sabendo exatamente do que sua audiência necessita, e fecha com chave de ouro este pequeno tesouro não-tão-escondido no catálogo da Netflix.

    Os sete episódios finais da série produzida por Barry Sonnenfeld adaptam os últimos quatro livros da saga de Daniel Handler, e não poupam os nossos pobres órfãos de todas as tristezas, inconveniências e desalentos que prometeu. A trama se inicia com Violet (Malina Weissman) e Klaus (Louis Hynes) armando um plano para resgatarem a pequena Sunny (Presley Smith), feita refém pelo Conde Olaf (Neil Patrick Harris), apenas para descobrirem que a irmã mais nova já deixou de ser o bebê indefeso que havia sido. O tempo não os poupa, e os irmãos deixam de ser apenas sobreviventes, e passam a ser enxergados como agentes também responsáveis pelo caminho que foram obrigados a percorrer.

    Netflix

    Mas o que faz a terceira temporada de A Series of Unfortunate Events se sobressair é justamente a forma como não poupa os Baudelaire e não os enxerga como máximas incorruptíveis e idealizadas de pessoas boas, sofredoras, injustiçadas e incapazes de qualquer mal. Quando as crianças são postas em julgamento contra Olaf em “O Penúltimo Perigo”, todos os conceitos que a trama havia desenvolvido até então são questionados de forma honesta, quando expõe as ações que eles próprios tomaram para se protegerem contra o maléfico guardião e todas as variações de seus planos para tomar a fortuna deixada pelos seus pais. Não se trata de um conceito exatamente complexo — estamos tratando, afinal, simplesmente de estabelecer que os personagens não são maniqueístas —,  mas é uma ideia que ganha uma dimensão extremamente poderosa em uma série que é vista pela ótica de crianças, que se disfarçou sob a dinâmica simplista de um homem ruim contra pobres crianças tristes.

    Isso não quer dizer, é claro, que os Baudelaire sejam punidos, ou que haja necessidade de qualquer tipo de retratação. O que existe é a ideia de que as atitudes tomadas pelos órfãos — fugir da prisão, propor uma troca de reféns, entre outras muitas e muitas coisas — podem ser analisadas de duas formas, e que informações completas e conhecimento de contexto são essenciais para qualquer coisa. Sutilmente, o que Desventuras está mostrando é como funciona a manipulação das informações, como Olaf consegue reverter o discurso e colocá-lo a favor de si com a “simples” omissão de parte dos fatos e, acima disso, como Violet, Klaus e Sunny também são forçados a saírem de suas caixinhas e questionarem o que é realmente justo, e a diferença delicada e perigosa entre algo ser justo e ser correto.

    É esta coragem de expor os protagonistas, de apresentar uma redenção parcial para Olaf e de comentar todas as tristes descobertas feitas por uma criança em “fase de amadurecimento” que faz de Desventuras em Série uma comédia tão charmosa. Pode nem sempre ser fácil aceitar a composição exageradamente lúdica e estilizada do universo da série, mas este é também um elemento essencial para a suspensão da realidade necessária para a saga de três crianças sozinhas que só encontram adultos ruins pelo caminho. Apesar de todas as promessas de uma história horrível com um péssimo final que só iria decepcionar, Desventuras em Série é a narrativa de como é possível encontrar esperança e soluções mesmo pelos caminhos mais obscuros. É uma mensagem de esperança mais do que oportuna para este início de 2019.

     
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    Comentários
    • Claudio Oliveira Fernandes
      Simplesmente PERFEITA!já estou com saudades e sofrendo pelo fim inevitávelDedos cruzados por alguma continuação...
    • Tiago Wan Braga
      Essa série fez minha vida mais feliz
    • Trick Silva
      Acabei de assistir e compartilho da sua critica.
    • Skine
      Conseguiram manter o tom caricato, tragicômico, com ótimas referências e repleto de mistérios até o fim, com personagens interessantes muito bem interpretados e caracterizados em lugares exóticos, onde a direção de arte fez um belo trabalho. Gostei do final (apesar de não ser tão bom quanto os capítulos anteriores de O Escorregador de Gelo e O Penúltimo Perigo), mas gostaria de saber mais sobre os incêndios e a atuação da organização, também queria que pelo menos um dos Baudelaire reencontrasse suas paixões (o Quagmire ou a garota do submarino), isso daria uma pista do futuro deles agora sem o Conde Olaf, e aquela cena do salvamento da Kit foi bem mal construída. Vai ser triste não acompanhar mais as desventuras dos Baudelaire, foi uma história bem original considerando ser infantojuvenil, por isso agrada independente da idade, tá aí uma série da Netflix que merecia ser mais vista.
    • Gabriel Mendonça Santos
      É q já adaptaram todos os livros da série, aí não tinha mais como continuar.
    • Jr
      Ótima série. Não merecia terminar. Feliz pelo final. Triste pelo fim da série.
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