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    Você: Crítica da primeira temporada
    Por Katiúscia Vianna — 26/12/2018 às 08:49
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    Com astros de Gossip Girl e Pretty Little Liars, o suspense dá passos tortos num tema delicado.

    Nota:2,5 / 5,0

    Todo mundo sabe que a nova Era de Ouro da TV é apaixonada por anti-heróis. Walter White (Bryan Cranston), Dexter (Michael C. Hall) e Don Draper (Jon Hamm) são só alguns. Mesmo assim, ainda existe algo desconcertante com o lançamento de Você diante da atual conjuntura social. É uma aposta ousada focar, hoje, num drama sobre o ponto de vista de um stalker obcecado por uma mulher. Muitos irão reclamar desta crítica mencionar o movimento #MeToo. Outros irão dizer que é só entretenimento, então não devia contar. Porém, está na hora de perceber que a televisão surge como uma janela da humanidade. O que aparece nela tem importância significativa. A narrativa importa. E o contexto também. 

    Baseado no livro de Caroline Kepnes, You (no original) gira em torno de Joe (Penn Badgley), gerente de uma livraria que se apaixona por Beck (Elizabeth Lail), uma aspirante à escritora. Decidido a conquistá-la, o protagonista não encontra limites em seus planos, enquanto tenta esconder suas ações obscuras dela. 

    Por um lado, a obra produzida por Greg BerlantiSera Gamble sabe que está pisando em ovos. O uso de uma criativa narração nos coloca, rapidamente, dentro da mente de Joe, apontando como nem tudo que aparece na tela é real. Existe um filtro: o olhar dele. Ao mesmo tempo, o drama faz críticas interessantes sobre o uso das mídias sociais nas relações humanas. Logo, a história de Kepner tem potencial, mas apresenta falhas significativas.

    Desde o início, o espectador sabe que Joe não está certo. Porém, duas coisas surgem amenizando suas ações terríveis. Sua relação com Paco (Luca Padovan) realmente traz um lado humano para o personagem, mesmo sendo forçada em determinados momentos. Se fosse só isso, seria aceitável. O problema surge mesmo quando, ao longo dos episódios, você percebe que ninguém presta nessa história. A ideia era mostrar como todos somos imperfeitos, mas o exagero como tal conceito é aplicado na trama coloca o protagonista em uma situação de vantagem. Pois "entendemos" o ponto de vista dele, dos outros não. Logo, é possível acreditar que parte do público pode torcer para um stalker - ou, pelo menos, tentar justificar e/ou romantizar suas ações.

    Sinceramente, o mundo não precisa de uma série focada em atitudes inapropriadas e violentas contra mulheres. Principalmente, quando tal personagem se enxerga como o único salvador da "amada" (ênfase no uso das aspas, pois isso não é amor). Isso sem falar que ele ainda acredita que a garota não consegue tomar decisões sozinha. Na reta final, a série até tenta surgir como uma crítica à necessidade de encontrar um príncipe encantado, mas não é a principal mensagem que a obra passa, infelizmente. Narrativas precisam ter vilões, erros e consequências para criar conflitos, mas a linha entre abordar e glorificar algo não deveria ser tão tênue.

    Apesar de tais problemas e um ritmo irregular, é inegável que Você traz arcos interessantes. A disputa pela atenção de Beck entre Joe e a melhor amiga Peach (Shay Mitchell) é cheia de reviravoltas, numa espécie de rivalidade 'gato e rato' surreal. Quando chega o clímax de tal situação, a reta final da primeira temporada apresenta uma sensação de urgência que, finalmente, constrói o suspense prometido no piloto. Para quem leu o livro, também é uma surpresa perceber como essa não é uma adaptação fiel. 

    Em seu primeiro grande trabalho desde Gossip Girl, Penn Badgley faz uma performance excelente como Joe. Além da narração já elogiada anteriormente, ele consegue equilibrar o charme, o sarcasmo e a psicopatia do personagem. Inicialmente, Elisabeth Lail não tem muito o que trabalhar, mas consegue entregar grandes cenas dramáticas na reta final. Já os fãs de Pretty Little Liars ficarão contentes em saber que Shay Mitchell surge carismática como Peach, enquanto John Stamos é apenas um coadjuvante de luxo no papel de um terapeuta.

    Uma montanha russa de falhas bizarras e intrigantes reviravoltas, é possível que tal série vire o novo 'guilty pleasure' da sua lista de maratonas. Vai depender se a história será capaz de prender sua atenção e se é impossível não problematizar tal jornada ao longo do caminho. De uma forma ou outra, nem todo mundo vai gostar de Você. Por mais bizarra que seja essa frase. Sério, quem pensou nesse título?

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    Comentários
    • Diário A
      Nessa série só tem gente feia como é que se relaciona com vários atores e todos eles são feios não sabe atuar eu acho que a ser até legal mas se fosse investido em atores que saiba atuar
    • L◎c๏s◉fiⒶ
      Pelo texto é uma entendedora profunda da psiquê humana. Com tanta pretensão sobre o tema fica difícil debater com a personificação da verdade. Eu poderia fazer um texto com 100 linhas, e dificilmente alteraria sua opinião. Logo, não perderei tanto tempo enxugando gelo. Estou aqui apenas para parabenizar sua apurada concepção sobre a estrutura psicológica de um indivíduo, impecável!Obs: Você é mulher(acredito eu), sentir repulsa por algo é um acontecimento muito corriqueiro.
    • Nat
      Difícil entender sua empatia por um personagem que me causou tanta repulsa, falando que ele nao é um psicopata... O cara é um manipulador de primeira, cínico, obsessivo, controlador e mata com uma frieza absurda. E ai vc vem falar que ele não é um psicopata? O que é um psicopata pra vc? O que faltou nele pra ele ser considerado psicopata por vc?
    • FSociety
      A serie estava legal até o episódio 09, estava bacana de acompanhar estilo Dexter mas depois desse episódio achei que caiu o nível pois esperava uma coisa estilo Dexter o Dexter nunca era pego.
    • DSLR Amador
      Sinceramente, o mundo não precisa de uma série focada em atitudes inapropriadas e violentas contra mulheres.Pelo amor de deus... Geração que usa óculos de grau estilo aviador e passa o dia todo no starbucks pagando de Cool.Sinceridade? Perdi meu tempo lendo essa porcaria.
    • Fábio
      Perfeito comentário. O site podia muito bem usar o seu no lugar da crítica da Katiussia, que não entendeu muito bem a série. Débora 10 x 0 Katiussis
    • Carlos
      E só para lembrar a série recebeu 8/10 no imdb. Acho que seus 25 anos, não são suficientes para dar experiencia para uma crítica. Geração precoce!
    • Carlos
      Essa crítica se assemlha ao som da bosta caindo no vaso sanitario.
    • Luiza Salamander
      Essa mania de querer ajudar pessoas, as vezes só complica o já complicado. Algumas conseguem se equilibrar, outras caem de vez, e assim é bem melhor.
    • Ronald MacFênix
      Dizem que os psicopatas na maioria das vezes são gênios do mal. Ainda não terminei de ver a série, mas vejo o protagonista como alguém que careceu de ajuda profissional. Ele é muito sagaz e calculista, além de muito inteligente, mas possui um ponto fraco.
    • Luke 4
      Interessante...
    • L◎c๏s◉fiⒶ
      Todos temos psicopatia, e as vezes é preciso muito pouco para aflorá-la. Não acho Joe um psicopata, está mais para um ser humano obcecado por algo que não lhe faz bem. Não faz bem justamente por lhe trazer a tona um lado bem distorcido. Ele enxerga as inverdades da vida social, e molda tudo de uma maneira bem complexa, se enxergando como um pilar firme, em meio a tantos trincados/fracos.
    • L◎c๏s◉fiⒶ
      Stalker...eu prefiro ver Joe como um cara de perspectiva evoluída. Ele enxerga toda a forma de vida exagerada e rasa da sua geração. E apesar de se sentir superior em muitos aspectos, surpreende positivamente em algumas atitudes. Acaba se perdendo nos próprios sentimentos e atitudes, algo nada incomum nesse mundo maluco em que vivemos.
    • FSociety
      Penn Badgley tinha feito O Padrasto (2009) e eu achei legal.
    • Wallace Henriques
      Que crítica fraca. A série te prende nos primeiros minutos, tem um ótimo final, e sabe distribuir a emoção pelos seus 10 episódios.Em vários momentos ela segue caminhos fora do comum, nos deixando sempre em dúvida sobre o que vai acontecer.
    • Carlos Tarrago
      Discordo dessa crítica de vcs e concordo com o que a Debora escreveu abaixo. Em nenhum momento torcemos pelo Joe e sim podemos ver o quanto doente ele é e claro que tem a ver com o passado q sofreu e não teve ajuda psicologica para resolve-los. A partir do momento em que buscou ajuda, ele conseguiu seguir em frente arrumar outra namorada e se controlar mais. Porém, qdn a Beck retorna em sua vida, descarrilha tudo novamente. Ansioso para a 2a temporada. Ou comprar os livros antes para saber o final da historia ahahaha
    • Deia M
      Débora K. concordo com tudo o que vc disse 👏👏👏
    • JeffCoronel
      Tocou exatamente os pontos que devem ser observados por quem assiste. Perfeito.
    • Sylvester
      Eu achei a série absurda de boa. Igual a Débora comentou logo abaixo, um dos méritos da série pra mim foi o fato de vc entender as ações do protagonista. É mais ou menos aquela história: será que os fins justificam os meios? E outra, ninguém é santo e ninguém é demônio; cada personagem tem suas nuances, suas qualidades e defeitos, e a série foi feliz em mostrar isso. Grata surpresa da Netflix neste final de ano.
    • JeffCoronel
      Todo mundo que assiste, sabe que ele é um criminoso doente. E todos sabem que psicopatas pensam que os crimes deles são justificáveis. A série não impõe que o Joe está certo no que fez. Diferente de 13 Reasons Why por exemplo, onde a suicida culpa todos a sua volta, isso é explícito e é o que a série quer passar pra quem assiste. Como se fosse certo culpar quem estava próximo.
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