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Magnífica 70: Cláudio Torres e Roberto Rios comentam desafios de produzir séries no Brasil (Entrevista Exclusiva)
Por Amanda Brandão / Transcrição: Léo Salerno — 13/10/2018 às 12:46
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O AdoroCinema conversou com o criador da série e o presidente de Produções Originais da HBO Latin America.

As histórias dos Magníficos, contada pela série original da HBO Latin America Magnífica 70, voltará às telinhas no próximo domingo, dia 14 de outubro. A terceira e última temporada se inicia com os personagens principais levando suas vidas separados – o primeiro capítulo foi exibido para a imprensa em São Paulo na semana passada.

Os próximos episódios acompanham as consequências dos chocantes acontecimentos do incêndio da produtora Magnífica, na Boca do Lixo. Vicente (Marcos Winter) enfrentará os fantasmas de seu passado sombrio, enquanto Dora (Simone Spoladore) e Isabel (Maria Luísa Mendonça) buscam por vingança.

A produção, que traz a paixão de fazer cinema em meio a tempos difíceis, com a censura na época da ditadura, é um dos grandes sucessos nacionais, elogiado pelo britânico The Guardian.

Em entrevista ao AdoroCinema, o diretor da série, Cláudio Torres, e o presidente de Produções Originais da HBO Latin America, Roberto Rios, falaram sobre as novidades presentes em Magnífica 70. Além disso, comentaram os desafios de fazer parte do processo de crescimento de produção de séries brasileiras e co-produções.



Os quatro protagonistas traçam histórias bem diferentes ao longo da série. Qual foi a linha de pensamento para a criação do desenrolar destes personagens? Em algum momento houve alguma mudança por conta de sinais que os próprios atores davam aos personagens?

Cláudio Torres: Acredito que todo ator transforma seu personagem quando o representa, mas toda a estrutura estava na escrita, e o ponto de partida era que todos tinham uma vida dupla. A Dora era uma golpista que virou atriz, o Manolo era um caminhoneiro fugido de um traficante que virou produtor de cinema, o Vicente era um contador que por causa do sogro virou um censor e se descobriu diretor de cinema, a Isabel era uma dona de casa filha de um general que, porque o marido passou a ter contato com aquilo, entendeu que o mundo era mais amplo e viu um lugar onde ela podia ser ela mesma. Tudo o que a gente fez ao longo das três temporadas foi lidar com as consequências dos atos dessas pessoas ao assumirem quem elas são, porque elas se descobriram dentro da arte.

Acho que essa é a ideia mais bonita que tem em Magnífica 70: a censura é a pior coisa que pode acontecer a um indivíduo e a um país, se você reprime um indivíduo ou um país esse indivíduo ou país adoecem. [...] Por isso que é importante lembrar, para você não repetir, para você ter consciência do que já foi, tem uma frase sensacional, do 1984, o Big Brother fala “Quem controla o passado, controla o futuro, e quem controla o presente controla o passado”, ou seja, se você reescreve o passado no presente você está controlando o seu futuro.

Roberto Rios: Quando começamos, achávamos que estávamos fazendo uma reflexão sobre algo que tinha acontecido através de uma série de alegorias de personagens que vão se descobrindo e aos poucosnos vimos surpreendido quando a vida real alcançou o Magnífica 70. Isso tem a ver com o fato que tudo que estava ali era muito genuíno, muito honesto e muito bem observado. A gente não estava inventando coisas, eram coisas reais e a história tem essa tendência cíclica mesmo, só estávamos alguns anos na frente da curva.

Como é que foi preparar uma temporada sabendo que será a última, ou seja, tendo a necessidade de entregar um desfecho aos personagens?

Cláudio:  Foi o grande gás da terceira temporada, todos nós sabíamos que era a última, então a gente escreveu, filmou e editou com essa emoção. Quando você determina um fim você tem a chance de se redimir, e acredito que o que todo mundo fez individualmente foi entender que tinha feito uma obra que todos nós nos orgulhamos.



A segunda temporada é sutilmente menos rodriguiana que a primeira e a terceira é praticamente um thriller, certo? Como ficam as referências na terceira?

Cláudio: Parece um thriller porque a gente vê as consequências dos atos dos personagens durante a primeira e a segunda temporada. Retoma uma coisa um pouco mais “rodriguiana” e vai mais fundo do que se passa dentro da cabeça dos personagens. Magnífica 70 começa em 1974, quando a ditadura já tinha tomado conta do país, o “Milagre Econômico” já tinha acontecido, a guerrilha do Araguaia já tinha terminado, os comunistas já estavam presos, então começa “rodriguianamente” reprimida dentro disso - assim como a situação do país. E o que veio de revolução nos anos 60 desaguou nos anos 70 com o famoso “desbunde”, e eu acho que a segunda temporada “desbundou”.


Neste momento, há um crescimento de produção de séries brasileiras e co-produções. Qual é o maior desafio de fazer parte desse processo de criação que promove a mudança do mercado audiovisual brasileiro e global?

Roberto: É um momento muito excitante, porque ficou claríssimo que na América Latina, e no Brasil em particular, existe um contingente gigantesco de talentos que querem contar histórias, se a gente pensar nesses quinze anos que a HBO está produzindo sistematicamente no Brasil a gente passou a trabalhar em um mercado inexistente de produção de televisão independente, no qual só se fazia telenovela, tinha escritores de novela e alguns talentos surgindo no cinema.

Quando o Cláudio veio com Luiz Noronha e o Renato Fagundes para apresentar para a gente o projeto Magnífica 70 eles já conheciam a gente de alguns anos, sabiam o que a gente era, sabiam no contexto em que a HBO estava produzindo conteúdo. Ou seja, dentro de uma companhia que internacionalmente tinha feito The Wire, Família Soprano, A Sete Palmos, obviamente era uma coisa que a gente gostava, então eles sabiam muito bem onde estavam chegando.

Cláudio: Eu acho que a gente está vivendo um momento pioneiro no mundo, a HBO começou essa revolução. The Wire tem cerca de 15 anos, quando as séries deixaram de ter 48 episódios e começaram a dizer “Não, conta uma história de 13, ou 10 episódios”. Isso criou um formato novo, no qual ninguém, nem os canais ou as produtoras sabiam como se comportar dentro disso, era um novo continente. Por isso acredito que a gente vive esse momento de pioneirismo, no qual as estradas não estão prontas, é uma descoberta. Acho que no momento não tem ninguém pronto, nem as produtoras e nem os canais, todos estamos tentando nos comunicar para poder fazer uma coisa que nos próximos 10, 20 anos seja estabelecido como Hollywood já se estabeleceu várias vezes.

Me sinto indo aonde nenhum homem jamais esteve, aqui nós estamos tendo que transformar jornalista em roteiristas, roubar escritores de novela para escrever séries, pegar profissionais de cinema e combinar outra dinâmica de trabalho, então tem toda uma área do audiovisual que está sendo inventada, e quem começou a inventar isso foi a HBO. Vai se estabelecer, vem se estabelecendo e está se estabelecendo uma nova linguagem, e o maior desafio é dominar uma linguagem que não está feita.

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