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    Assédio: Minissérie sobre médico estuprador reconta história real sob a perspectiva das vítimas (Primeiras Impressões)
    Por Vitória Pratini — 20 de set. de 2018 às 20:00
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    Estrelada por Antonio Calloni e Adriana Esteves, produção inspirada no caso de Roger Abdelmassih estará disponível no Globoplay a partir de sexta-feira (21).

    Assédio Trailer Oficial

    O caso de Roger Abdelmassih chocou o Brasil. O médico acusado de violentar sexualmente suas pacientes, condenado quando as mulheres assediadas se uniram para denunciá-lo, inspirou o livro "A Clínica: A Farsa e os Crimes de Roger Abdelmassih", de Vicente Vilardaga. Agora, chega às telinhas Assédio, minissérie lançada com exclusividade no Globoplay, livremente baseada nesta história.

    O AdoroCinema teve a oportunidade de assistir ao primeiro episódio da produção, a convite da Rede Globo, e traz aqui suas primeiras impressões.

    O episódio abre ao som da música natalina "Silent Night", propositalmente contrapondo a religiosidade do personagem principal, enquanto exibe cenas de mulheres em clínicas, sangrando, assustadas. Retratando uma temática forte, controversa e, ao mesmo tempo, delicada, o texto de Maria Camargo — com a colaboração de Bianca Ramoneda, Fernando Rebello e Pedro de Barros — consegue circular livremente por temas considerados tabus.

    Globo/Ramón Vasconcelos
    Antonio Calloni interpreta Roger Sadala.

    Adaptando os nomes dos personagens, a trama segue Roger Sadala, interpretado por Antonio Calloni de forma magistral, em dois momentos específicos: 1994, quando recebe Stela (Adriana Esteves) e Homero (Leonardo Netto) em seu consultório para ajudá-los a ter filhos, e acaba assediando-a; e em 2007, durante uma festa na qual é homenageado. O protagonista é um médico bem-sucedido e respeitado, responsável por garantir os melhores resultados na reprodução assistida — ele é apelidado de "Doutor Vida", e diversas vezes arrogantemente afirma que não é Deus (sendo que quem disse que ele era?).

    É interessante ver em Roger a dicotomia de seu comportamento em casa, no consultório, e quando está sozinho com suas pacientes. Ao mesmo tempo em que tenta deixar as mulheres, que sonham em ter filhos, à vontade, mostrando seu carisma e cuidado delas, o médico busca ser exaltado como o melhor quando está em frente a seus familiares, e abusa do poder de fazer o que quiser com as pacientes quando elas estão desacordadas.

    Globo/Ramón Vasconcelos
    Sadala e sua família.

    Mais do que focar na persona de Roger, a série se concentra na força das mulheres — sejam as vítimas, a primeira delas vivida por Adriana Esteves, que representa Stela de forma primorosa; seja a jornalista Mira (Elisa Volpatto), determinada a descobrir a verdade sobre Sadala; seja Glória (Mariana Lima), a esposa dele, fragilizada por um câncer. O capítulo é bem sucedido em desconstruir as certezas de cada personagem, especialmente a de Esteves. Passa do sonho (de ser mãe), para a quebra de expectativa, para culminar na desilusão de sofrer abuso durante um momento frágil, em um local em que pensava estar segura: um consultório médico.

    Globo/Ramón Vasconcelos
    Sadala e a jornalista Mira.

    A narrativa flui entre os dois momentos retratados no episódio, criando uma espécie de mistério sobre o que vem a seguir, e possivelmente causando confusão em que assiste — por mais que a história tenha sido amplamente discutida na mídia, o clima de suspense existe.

    O principal mérito de Assédio é ter não só um elenco majoritariamente composto por mulheres, mas também uma direção e uma equipe femininas. A qualidade da série fica ainda mais evidente com as emocionantes sequências coroadas pela direção artística de Amora Mautner. Sem precisar apelar para o gráfico em uma cena de estupro ou para o drama excessivo e inverossímil das personagens, a montagem fala por si só e integra a narrativa. Busca incitar os sentimentos e a perturbação nos espectadores, enclausura as personagens em um momento de confusão e concede um elemento visual à personagem de Adriana Esteves: a cor vermelha, que lembra não só o sangue, como também a paixão.

    Globo/Ramón Vasconcelos
    As vítimas, fortes e unidas.

    Assédio é uma série necessária nos dias de hoje, ainda mais em nossa conjuntura política atual, que certamente busca aproveitar a popularidade de séries estrangeiras sobre crimes reais, como American Crime Story. Ainda é cedo para dizer a que veio, mas o resultado parece promissor.

    Todos os episódios de Assédio estarão disponíveis no Globoplay a partir do dia 21 de setembro, sexta-feira.

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    Comentários
    • Jonathan K.
      talvez, quem sabe eu confiro essa serie que toca num assusto sensivel.
    • Vidamell Vida R.
      hmmm........
    • Jc V.
      Adoro essas resenhas que a Globo paga para certos sites fazerem...
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