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    Insatiable: Uma problemática bagunça que não faz rir (Crítica da 1ª temporada)
    Por Katiúscia Vianna — 10/08/2018 às 20:49
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    Nova aposta da Netflix, a comédia estrelada por Debby Ryan erra feio ao tentar fazer uma sátira sobre a ditadura da magreza.

    Nota: 1,0/5,0

    Antes mesmo de chegar ao catálogo da Netflix, Insatiable já estava causando grande polêmica na mídia. Afinal, seu trailer mostra Debby Ryan usando enchimento, em determinados momentos, para contar a história de Patty (uma ex-gordinha em busca de vingança) e gerou diversos comentários sobre como tal produção estaria incentivando a gordofobia. Porém, nunca é certo julgar qualquer coisa apenas por peças promocionais. É necessário ver a obra completa. Somente após isso, é possível dizer que, neste caso, tal desconforto é apenas a ponta do iceberg.

    Em resumo, a sátira mostra como Patty se tornou magra após levar um soco e ser obrigada a seguir uma dieta líquida por três meses. Enquanto busca dar o troco em todos que fizeram bullying, a protagonista também chama a atenção de Bob (Dallas Roberts), um advogado, com carreira em declínio, que é obcecado por treinar jovens em concursos de beleza. Logo em seu piloto, já fica claro como a criadora Lauren Gussis deseja abordar o máximo de tópicos polêmicos possíveis na comédia. O que não teria problema, pois o humor pode (e deve!) ser usado para criticar e debater "tabus". Mas, para ter sucesso, as piadas precisam funcionar! 

    Dentre os (muitos) tópicos pesados abordados pela série, desde o início, incomoda ver uma recorrente anedota envolvendo uma falsa acusação de assédio sexual — algo que não poderia ter sido lançada em pior timing. Mas o show vai além, desbravando diversas frases homofóbicas, além de falar sobre estupro e questões religiosas de forma superficial, sem nunca abordá-las de maneira profunda. Nem transforma tais momentos em críticas sobre a sociedade nas quais eles se apresentam. Os temas apenas são jogados ali, em situações absurdas, para tentar arrancar um riso fácil e sem esforço. 

    Em entrevistas, Gussis falou como se inspirou em suas próprias experiências pessoas com mudanças de peso para escrever Insatiable e, obviamente, ninguém pode opinar sobre sua jornada pessoal. Mas, se a intenção da série é criticar a forma doente como os corpos das mulheres são controlados por uma sociedade sexista, tal mensagem nunca é passada. O que aparece na telinha é uma garota magra e problemática se colocando em situações doidas, enquanto não há nenhuma tentativa significativa de tentar abordar, nem mesmo entender, seus dramas emocionais e psicológicos. Mais uma vez, as jornadas de pessoas acima do peso são renegadas e transformadas em piadas de mal gosto na TV.

    Sim, o show fala como o "bullying não é legal", mas não perde tempo em fazer piadas sobre a compulsão de Patty por comida — mesmo quando fica claro que a personagem deveria buscar ajuda profissional. Na defesa de Gussis, ela tenta passar a mensagem a jovem não vai atingir uma felicidade automática ao se tornar magra, mas a culpa disso sempre recaí sobre o fato de ela ter sido era gorda. E durante 12 longos episódios, nunca surge aquele momento satisfatório e ou inspirador, onde é importante perceber que o exterior não deveria importar, ao final das contas. Em determinado ponto da narrativa, o show ainda tenta usar uma figura transgênero para falar sobre o drama de não se sentir confortável com o próprio corpo, mas é algo literalmente jogado na trama, bem no estilo "piscou-perdeu".

    Paralelamente, Insatiable ainda tenta desenvolver alguns arcos dramáticos com grande potencial. Dentre tantos personagens estereotipados, Sarah Colonna faz um belo trabalho ao mostrar a evolução da mãe problemática de Patty, enquanto a melhor amiga da protagonista, Nonnie (Kimmy Shields), embarca numa bela jornada de autodescoberta. Na reta final, a comédia ainda acaba surpreendendo uma trama bem interessante sobre a dificuldade de declarar sua homossexualidade na idade adulta. Só que todas essas breves tentativas de discursos sérios se perdem num show de superficialidade e piadas baratas. Seria muito mais interessante ter investido nessas histórias humanas, do que simplesmente jogar polêmicas e clichês para todo lado, a fim de chamar a atenção. 

    Ao invés disso, o show aposta em ferramentas superficiais para desenrolar seus arcos, seja colorir a maquiagem de Debby Ryan para mostrar qual é a "faceta atual de Debby" ou abusar da narração. Ainda tenta apelar para clichês já tão vistos em outras comédias, como paródias de Dirty Dancing e O Exorcista. Isso sem falar que o roteiro tenta surgir como um texto ácido, mas acaba rendendo algumas pérolas inexplicáveis fora de contexto, seja comparar um tumor com um demônio; ou sentenças como "Magreza é mágica" ou "Tem como abortar um demônio?". Sim, essas são frases reais do show. 

    É curioso perceber como, constantemente, Insatiable faz diversas referências aos anos 80, pois talvez sua história seria mais adequada para o público daquela epoca. Mas não é possível aceitar esses tipos de estereótipos em pleno século XXI, mesmo que tenham a melhor das intenções. No fim, trata-se de uma longa narrativa absurda, que não faz rir, e acaba ofendendo quem tenta ajudar. Então, qual é o sentido?

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    Comentários
    • Kid Pool
      F R E S C U R A
    • João S
      Como e possivel alguém fazer uma crítica da série desta forma? A série e espetacular. E de todo não é gordofobica nem homofobica. Simplesmente se abordam assuntos delicados com bastante humor. Nao ha problema nenhum em dizer que uma pessoa é gorda, da mesma forma que dizemos que uma pessoa é elegante. Enquanto continuarmos com estes taboos, nunca se normalizará o conceito... até porque os gordos até são gente fixe xD
    • Eduardo Gomes
      Essa série é tão pobre de roteiro que parece os teatros que eu e meus colegas improvisávamos quando metade do nosso grupo e de outro faltavam e fazíamos uma coisa nada a ver. A atuação é legal mas, como eu disse, o roteiro não é de uma história.. é uma simples narrativa exagerada de pessoas desequilibradas.
    • Aline Thais Petry
      sim a qualquer custo para participar dos concursos, mas isso e uma escolha dela, cada um faz a escolha que quer. Adorei a serie.
    • Sara Lance
      Mano, acho sim que as pessoas devem ser felizes com o corpo que tem e que nenhuma pessoa tem direito de opinar sobre o corpo do outro, mas ser gordo não significa se homossexual ou seja quando você é gordo você pode fazer exercícios,comer comidas saudáveis e cuidar melhor do seu próprio corpo, então eu acho ridículo essa coisa de Gordofobia
    • Kelvin Menezes
      a unica coisa que eu não gostei foi dessa analise, a série é boa e o povo que é cheio de frescura
    • Larissa Martins
      eu tbm dei muita risada, assisti com a mente aberta sabendo que ia ser um besteirol meio todo mundo em panico, quem não curte humor negro não assiste simples assim, não vai agradar mesmo, agora militar contra uma serie desse nivel? kkkj eu to é rindo desse povo
    • Larissa Martins
      a protagonista não gosta de ser gorda, é vingativa e tem boderline, a serie tem humor acido, esculachado e negro, pra quem curte uma coisa mais politicamente correta e com moralismo não vai curtir, simples assim,
    • Larissa Martins
      ela tem complexo de inferioridade, alem de ser vingativa, parece ter boderline e é muito má no fundo, enfim fica claro desde o começo que ela é mais uma antagonista do que uma heroina, adorei a serie pro genero de humor negro, quem não curte o estilo todo mundo em panico cheio de besteirol não vai curtir mesmo nem devia ter assistido
    • Larissa Martins
      humor negro, humor acido e escrupuloso, só vai gostar quem curti o genero meio besteirol americano, meio todo mundo em panico, não pra pra passar alerta algum ... não me senti ofendida, mas quem não curte algo assim nem devia assistir tem que ser muito masoquista pra ver 45 min de episodio com esse tipo de conteudo só pra dizer que ficou ofendido kkkk aiai
    • Larissa Martins
      meu deus que bom ler brasileiros sensatos que entendem de humor negro, de vrdd, uma serie pra pessoas que gostam de um humor mais pesado e acido, simples assim, se vc for do politicamente correto só não assista porq quem é do mimimi vai se ofender mesmo, lembrando q a serie não é nenhuma obra prima e me lembrou um novelão, pra quem gosta do genero vai curtir ... povo chato, só podem ter problema, que assiste 45 min de uma serie de humor negro sabendo q vai ficar ofendido com td que diz? só não assistir simples se não faz seu genero, eu mesma era gorda, dei uma emagrecida e ri em algumas partes com a louca da protagonista e tenho mente aberta o suficiente pra assistir um humor negro e não ficar ofendida, é isso bjs
    • Larissa Martins
      humor negro, aprendam humor negro, achei otima pro genero cheia de piada escruchula meio todo mundo em panico e tals, politicamente correto pra uma serie dessas? haha isso sim é piada, a serie realmente parece um novelão mexicano e tals, mais como eu disse pro genero dela humor negro achei otima, eu dei muita risada porq tenho a mente aberta ainda mais pra piadas pesadas, não assisti um humor negro na intenção de 45 min de cada episodio me sentir ofendida .. isso é ridiculo, povo chato, se humor acido, negro e esculachado não faz seu tipo só não assista, simples ... enfim eu daria 3,5/5 não é uma obra prima, não passa mensagem alguma a não ser a realidade de algumas pessoas toxicas e cheias de complexo igual a protagonista q na vrdd é uma antagonista .. e adoraria ver uma segunda parte .. é isso
    • Voz da verdade
      A serie e ótima, trata dos fatos que acontecem na atualidade e me identifiquei com a amiga da patty por passar pela mesma situação, e não me senti ofendido em relação a homofobia. Se querem entrar em algo mais profundo sugiro que procure documentários na internet ou então faça melhor antes de criticar o trabalho dos outros.
    • bruno
      como que vcs querem que uma serie de humor negro entre profundamente em assuntos como esses citados na critica ?? e para que isso?? a proposta da serie é divertir o expectador n ser uma super militancia que vai mudar o mundo e desconstruir quem veja... e sobre as frases homofobicas... sou gay e n senti absolutamente nenhum tipo de homofobia na serie, muito pelo contrario, a serie é engraçada e satiriza alguns comportamentos de homofobicos... acho que as pessoas deveriam parar de ficar escrevendo textos imensos em suas redes sociais so para ganhar likes e mostrarem o quão desconstruides são e passarem a levantar as bundas da cadeira e fazer algo real que mude a comunidade, boa noite
    • whentellmethatyouloveme
      simm, até filmes antigos se você parar pra ver direito tem criticas sociais. até o godzilla original é uma critica social e tem gente que acha que foi só um monstro gigante pq japonês gosta de monstro gigante
    • whentellmethatyouloveme
      ser gordo não significa que não é saudavel, obesidade que não é saudavel. nem todo gordo é obeso, sacou? existem gordos que tem algum problema tais quais mentabolismo lento, entre outros, e não conseguem emagrecer mas mesmo assim tem uma alimentação saudavel. o problema é associar gordo com obeso
    • anTOnioLIMA
      Eu vi os 12 episódios e gostei!! não é politicamente correta!! então quem gosta de coisas nutellas e cheia de mimimi nem vejam!! mas tem um conteúdo crítico que é legal que fala sobre a beleza, aborto, homossexualidade etc. Não é das melhores, mas tá longe de ser uma das piores... com certeza!!
    • Alan Bitencourt
      Desde quando eu vi a repercussão dessa série, já estava com um pé atrás e depois eu fui dá uma olhadinha num episódio dessa série eu vi que não valia a pena mesmo.
    • Carmmando Alves
      até que enfim uma analise imparcial... eu curti muito a serie, agora cada um tem as suas preferencias eu mesmo não curto serie teens mas esta ai assisti por causa do mimim mas depois de ver 2 episodios curti muito achei até melhor do que a forçação de barra em Transormar Shiro em homossexual em Voltron !!!
    • Carmmando Alves
      deve ter sido por isso que gostei kkkkk
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