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    GLOW é uma comédia amadurecida e enfática em seu novo ano (Crítica da 2ª temporada)
    Por Laysa Zanetti — 03/07/2018 às 13:20
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    A série protagonizada por Alison Brie e Betty Gilpin retorna com toda a força para as telas da Netflix.

    Nota: 4,0 / 5,0

    Por se tratar de uma série concebida para retratar os bastidores de uma outra série, GLOW acaba sendo, por definição, um produto metalinguístico. A autorreferência (ou seja, utilizar uma série de TV para expor como se faz uma série de TV) foi desde o início a característica mais proeminente da comédia da Netflix, e a segunda temporada consegue ser ainda mais certeira nas críticas e no retrato delicado da figura feminina no mundo do entretenimento.

    Enquanto a primeira temporada parecia mais um exercício da forma e uma tentativa de fazer a improvável premissa do Programa de Luta Livre funcionar, a segunda tem desafios maiores. Lá, o objetivo era filmar o piloto e criar uma sincronia. Agora com o projeto aprovado, Sam (Marc Maron), Bash (Chris Lowell) e as lutadoras precisam tirar do papel uma temporada inteira, lidando no meio do caminho com problemas pessoais e disputas de poder.

    Sob os mandos da emissora a cabo KDTV, as atrizes assinam contratos que beiram o abusivo, quase todas sem recursos para tentarem garantir melhores condições de trabalho. Exceto Debbie (Betty Gilpin), que consegue revisar o documento (já que está no meio de um divórcio) e garantir uma participação como produtora executiva da atração. A atitude aparenta ser quase uma vingança pessoal contra Ruth (Alison Brie), que ao mesmo tempo acaba assumindo naturalmente uma posição de influência com as outras co-protagonistas por sua disposição em ajudar e o instinto de liderança na direção — o que não agrada muito ao próprio Sam.

    Este clima gera dois tipos de disputas dentro da série. Nos ringues, com Ruth interpretando Zoya e Debbie no papel ufanista de Liberty Belle, elas representam ideias opostas, e são inimigas. Fora da arena, as duas ‘ex melhores amigas’ protagonizam uma relação agridoce que expõe a mágoa de Debbie pela traição de Ruth, e ao mesmo tempo um entendimento que, ali no campo profissional, elas estão lutando pelos mesmos objetivos. Ambas querem o merecido respeito, e farão o necessário para ganhá-lo.

    Netflix/Divulgação

    É por isso que o tratamento que Sam e Bash dão a Debbie quando ela tenta exercer a função de produtora e participar ativamente das decisões é dolorosamente real, pois retrata a velha ideia de que mulheres não precisam ser levadas a sério quando ocupam posições de poder, que tais postos são naturalmente masculinos. E também é por isso que o arco narrativo de assédio protagonizado por Ruth junto ao presidente da emissora é particularmente oportuno. As duas sofrem o mesmo tipo de machismo, embora eles venham de locais diferentes. As duas sabem que são o elo fraco de uma rede dominada por homens, mas optam por lidar com isso de formas diferentes; Debbie traça um caminho silencioso para garantir o seu lugar sem impor; Ruth se recusa a ceder, e por isso o programa acaba pagando o preço, com a mudança do timeslot para 2h da manhã.

    GLOW: Crítica da primeira temporada

    Todas estas diferentes relações com o feminismo — de Ruth, Debbie, Tammé (Kia Stevens), Rhonda (Kate Nash), etc — mostram uma evolução clara do discurso da série em relação à primeira temporada, um entendimento da posição que ocupa no status quo dos programas de TV no atual contexto. As críticas são mais enfáticas, a relevância do discurso está completamente atenta ao contexto do século XXI, e leva em consideração os recentes movimentos contra o assédio, #MeToo e Time’s Up. O texto está muito mais direto e complexo, e mesmo as personagens menores têm um arco em desenvolvimento; ninguém é deixado de fora.

    Existe um claro aprofundamento na evolução do que se entende por feminismo, justamente porque ideias opostas são colocadas em rota de colisão mas não criam conflitos entre as mulheres. Os episódios 3 e 4 (“Concerned Women of America” e “Mother of All Matches”), que mostram respectivamente como Debbie e Tammé têm histórias de vida diferentes mas ambas são mães que acertam e erram mas sempre estão pensando nos filhos, e o assédio sofrido por Ruth — e a reação de Debbie quando ela decidiu fugir do quarto de hotel — são os maiores retratos disso.

    Netflix/Divulgação

    O tratamento respeitoso pelo histórico de cada uma daquelas mulheres e cada um dos homens faz de GLOW uma comédia honesta e tocante, que traz de volta a década de 1980 sem apelar para a velha nostalgia que normalmente não tem significado algum para a história. É divertida porque não tem medo de abusar das cores e retratar o corpo feminino da maneira explícita que marcou a era dos collants e do brilho, tendo o aval de escancarar o machismo intrínseco justamente porque se encaixa em uma época condizente com este tratamento. É inteligente porque conhece suas personagens e não as trata como vilãs ou mocinhas, mas algo entre os dois clichês. E acima de tudo, não está ali para passar uma lição de moral, mas para chamar o espectador para refletir sobre o que leva cada mulher a tomar uma decisão que pode ser contraditória, problemática ou questionável. Para entender o feminismo, é necessário entender que cada pessoa tem uma história diferente, e por isso vai escolher uma trajetória única. E não há nada de errado nisso.

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