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    Britannia: Nova série da Fox explora cenário novo e narrativa familiar (Primeiras impressões)
    Por Bruno Carmelo — 5 de abr. de 2018 às 08:50
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    Guerras de poder na ilha britânica.

    Para o espectador pouco familiar com a história da Europa medieval, Britannia começa com explicações claras: no fim do Império Romano, as tropas invadiram as ilhas britânicas, sem sucesso. Nove séculos mais tarde, retornaram, encontrando as comunidades celtas em briga umas com as outras.

    Este é apenas um pano de fundo: a nova série da Fox está menos preocupada com a veracidade dos fatos do que com a sucessão de batalhas e manipulações que este contexto pode trazer. Por um lado, temos dois personagens solitários que se encontram: a criança Cait (Eleanor Worthington-Cox), abandonada pelo destino, e o "proscrito" Divis (Nikolaj Lie Kaas), excluído da sociedade por razões ainda não totalmente explicadas no primeiro episódio. Por outro lado, nos deparamos com o poder romano representado por homens sanguinários, prestes a se virar contra seus próprios homens se necessário.

    Julgando pelo episódio inicial, Britannia realmente se esforça para captar um período pouco visto na televisão, através de um estilo singular. Ao invés do realismo brutal (câmera tremida na mão e afins) de outras séries medievais, entra em cena um estilo multicolorido, de luzes quentes e saturadas, movimentos ágeis de câmera, bordas estranhamente desfocadas, batalhas ao som de rock, câmeras giratórias. Os criadores apostam numa releitura pop do passado. 

    Apesar desta iniciativa, é difícil perceber originalidade na narrativa. O espectador vai encontrar as clássicas figuras do vilão perverso proferindo frases de efeito ("Eu sou Roma, e por onde ando é Roma!", afirma David Morrissey com expressão devidamente maléfica), o alívio cômico (Lie Kaas trazendo um mínimo de humor à trama sisuda), ofensas que levam a batalhas, brigas pela honra familiar, demonstrações de coragem, gestos de nobreza, instantes de martírio... Mesmo o aspecto sobrenatural, quase indispensável nas narrativas contemporâneas sobre a época, recai no imaginário convencional de feitiçaria.

    Kelly Reilly, que estampa a maior parte dos materiais promocionais, tem seu potencial pouco explorado no início, sendo retratada como sedutora e misteriosa ao invés de efetivamente perigosa. Talvez Britannia inove nos próximos episódios, revelando outras camadas de seus personagens, mas preferiu começar em terreno familiar. Para os fãs de outras séries de "capa e espada", é um prato cheio.

     

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    Comentários
    • Mickael B.
      batalhas ao som de rock essa série tinha minha curiosidade, agora tem minha atenção.
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