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    Jessica Jones tropeça em vilões fracos, mas eventualmente encontra seu caminho (Crítica da segunda temporada)
    Por Laysa Zanetti — 8 de mar. de 2018 às 20:10
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    A segunda temporada da série da Marvel/Netflix perde a inspiração que alavancou a primeira, mas eventualmente reencontra sua fórmula.

    David Giesbrecht/Netflix
    Nota: 3,0 / 5,0

    [Com spoiler. Clique aqui para ler o texto sem spoiler]

    Se a primeira temporada de Jessica Jones conquistou graças a uma potente metáfora sobre o assédio sexual e relacionamentos abusivos, a segunda tinha altas expectativas a alcançar. Missão de Melissa Rosenberg e Krysten Ritter, respectivamente a showrunner e a protagonista da série. E após alguns tropeços e um notório esvaziamento do roteiro, os novos episódios eventualmente encontram o caminho e um tema.

    Após ter matado Kilgrave (David Tennant), Jessica está na tentativa de voltar a ter uma vida normal, ou o mais próximo disso que for possível. Ela recusa o posto de heroína, e igualmente se afasta do título de ‘assassina’. Entre um caso simples e outro, a detetive particular volta o seu olhar para a IGH, e passa a investigar a sua própria origem e de onde vieram os seus poderes, após descobrir que não os adquiriu durante o acidente de carro, mas graças a experimentos ilegais feitos em laboratório antes de ela ser levada ao hospital.

    Esta premissa empolga pouco por vários motivos. Além de parecer um reaproveitamento da trama da primeira temporada de Luke Cage, é exatamente o que se espera de um arco narrativo que não tem muito a dizer — afinal de contas, é bastante difícil estendê-lo por 13 horas. Poderia ser uma cansativa perseguição ao passado e uma busca que não teria sequer uma finalidade clara, somando ainda uma vilã fraca e desinteressante que, ao menos nos cinco primeiros episódios, é simplesmente uma versão “mais forte, mais nervosa”  e completamente genérica de Jessica, um espelho para que a protagonista veja sua própria humanidade e entenda o que ela poderia ter sido — mas não é.

    A trama eventualmente mostra a que veio no sexto episódio. Curiosamente, apenas os cinco primeiros foram liberados com antecedência para os jornalistas, uma tática pensada talvez exatamente para manter o segredo mais impactante da temporada a salvo até a estreia, não por coincidência marcada para o dia 8 de março. A vilã é na verdade a própria mãe de Jessica, que não morreu no acidente e passou pelos mesmos experimentos que a filha, porém em níveis mais elevados — fazendo com que ela, Alisa (Janet McTeer), se tornasse incapaz de controlar a própria raiva e os seus ímpetos de violência. Imaginou um Hulk sem orçamento? Por aí...

    David Giesbrecht/Netflix

    É difícil não notar a falta que faz Kilgrave, e mais especificamente o quão importante foi para a primeira temporada o carisma de David Tennant. Evidência disso é o seu retorno breve no 11º episódio, que coloca Jess em outro estado de espírito e confere novo ritmo aos seus momentos, mesmo que curtos.

    O conflito e a dinâmica entre mãe e filha são realmente interessantes, mas não o suficiente. O conflito de Jessica está no fato de ela não saber se ajuda a esconder Alisa ou se a entrega para a polícia, o que naturalmente faz com que ela precise repensar toda a sua vida após a morte da família. O problema é que, durante vários episódios, essa indecisão acaba se tornando repetitiva e desnecessária.

    O que jamais deixa a desejar, no entanto, é a atuação de Krysten Ritter, mais uma vez excelente na pele da sua personagem. Jessica sofre uma espécie de crise de identidade por ter enfim vencido o seu maior nêmesis, estar incapaz de seguir em frente e ter consigo ainda a eterna culpa pelo acidente que a deixou órfã. O retorno da mãe faz com que todas essas questões se amplifiquem, e mesmo que eventualmente a relação entre ambas cative, é meio custoso chegar até lá.

    Mesmo assim, Ritter deixa muito claro o tempo todo o quanto Jessica está brava consigo mesma e com tudo e todos ao seu redor. O pavio curto e a autossuficiência, as respostas irônicas e a dor (que também é visível) são elementos que prendem o espectador mesmo durantes os episódios mais fracos. 

    Família é de fato o maior tema da segunda temporada, e isto fica claro não apenas com Alisa mas também com a presença maior de Trish (Rachael Taylor) no arco narrativo, assim como de Malcolm (Eka Darville). A história de Trish segue a sua eterna insatisfação com a profissão e com a vida pessoal, e termina de uma forma promissora para quem espera mais da personagem. Taylor é a responsável talvez pelas cenas mais agradáveis e divertidas da temporada, pois transita muito bem entre os humores de Trish com simples — mas eficazes — mudanças do olhar e da postura.

    David Giesbrecht/Netflix

    Jessica Jones continua trabalhando muito próxima aos traumas e às consequências deles para os sobreviventes. Jessica está mais obscura e danificada do que nunca, o que fica mais evidente à medida que ela vai se aproximando da mãe e descobre “um buraco que nem ela mesma sabia existir”. A protagonista é a própria manifestação da raiva após o trauma, das dúvidas que permanecem depois de uma situação nociva. São momentos duros, sobretudo porque não é difícil concluir na metade do caminho que este enlace materno não terá um final feliz. Mas à medida que acompanhamos Jessica chegar sozinha à conclusão do quanto ela mesma buscou o seu próprio isolamento, e do quanto isso é ruim, a temporada acaba ganhando alguns pontos.

    Provavelmente já escrevemos ou comentamos em várias críticas, mas novamente aqui a temporada se beneficiaria de ter menos episódios. De todas as séries da Marvel para a Netflix, a primeira temporada de Os Defensores é a que tem o melhor uso do tempo — e isso porque é composta por apenas oito episódios, sem desgaste, sem sobra. E a temporada, aliás, nem é tão boa assim. A segunda de Jessica Jones é mais uma daquelas de começo pouco inspirado, mas que eventualmente tomam fôlego no caminho. Os arcos narrativos de Trish, Malcolm e Alisa ficam interessantes realmente apenas na segunda metade, o que confere umas boas 6 horas que são mal-aproveitadas e se esforçam tanto para provar o quanto são relevantes que acabam não sendo.

    Ou seja: os personagens estão incríveis. A história, nem tanto.

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    Comentários
    • Manuela G.
      Killgrave não podia repetir em uma nova temporada de Jessica Jones, todo mundo diria que era falta de inspiração dos escritores, porque o povo só sabe reclamar. A segunda temporada de Jessica Jones é muito boa sim. Concordo com o texto que os primeiros episódios ficam um pouco perdidos, mas no geral a série é uma das poucas que consegue ter uma história sempre muito forte. As outras série foram muito bobinhas, principalmente aquele punhos de ferro, beira ao ridículo. Demolidor também não consegue trazer emoção, o ator principal é bem ruinzinho. Só Luke Cage e Jessica Jones que realmente fazem a coisa como tem que ser. Prendem a atenção, a gente gosta dos personagens por suas qualidades, porque se fossemos gostar por seus defeitos, nem gostaríamos. São anti-heróis clássicos. Adoro os dois, são meus prediletos. O resto assisto só quando não tem mais nada para ver. Até série turca vi antes de dar change para punhos de ferro, LIXO puro. E ainda lançam esses Defensores dando ênfase à palhaçada já criada antes. Não vejo uma segunda temporada de Defensores ou Punhos de Ferro nem se me pagarem.
    • Marcos F.
      maria betania kkkkkk
    • Viciado em café
      A série oportunista que faz essa propaganda com maestria se chama Orange is the new Black kkkk
    • Viciado em café
      kkkk Maan, que vilã foi aquela ali... Eu não sabia se tinha raiva, se eu ficava com pena, se eu gostava, nadaa! o.O É a vilã mais sem identidade que eu já vi numa série! kkCara o percurso da Trish olhando nas duas temporadas foi dahora hein, tenho que admitir que a mulherada mandou bem nela.
    • Viciado em café
      Eu ia falar sobre o Foggy, a respeito da linha temporal mas você já descreveu tudo
    • Maverick
      Jessica Jones seria uma excelente série se tivesse menos episódios, essa política de 13 episódios da Netflix ta complicado, muita encheção de linguiça, sub-tramas desinteressantes, e falta de um vilão como Killgrave fez falta, muita falta....
    • Luiz Miguel Cavalcante
      Série fraquíssima, de todas a pior, infelizmente, a única graça que essa série tinha tiraram, e para mim a única atriz que tem talento é a carrie ane moss, demonstrando a sua vasta experiência e que é uma atriz de gabarito muito alto para estar na série. Para mim foi mais uma propaganda ou alegoria política...Uma típica série de esquerda com situações forçadas, e como todo programa oportunista, se apega ao que está virando moda atualmente, como assédio, e a vitimização da mulher, como se homem fosse sempre o machista, opressor, estuprador e etc..e a pobre trish por exemplo, drogada e viciada mas com apenas 15 anos sendo a vítima, onde na verdade errados são os dois..mas enfim...essa é a minha opinião, e que ninguém a tome como universal pois cada um pensa de um jeito.
    • FSociety
      A serie toda não faz nem sequer uma associação a Defensores o que achei um ponto fraco outro ponto fraco foi a vilã nossa cara que Maria Betânia mais maluca kkk poderiam ter colocado outra vilã tirada das HQ, foram 13 episódios dirigidos por 13 diretoras que não souberam criar nada que valesse apena a única coisa que achei boa foi a Trish mostrando que futuramente será a Felina, e do Malcon se tornando independente sem ficar na sombra da Jessica, em fim a 1° temporada ainda continua sendo a mais legal espero que em uma possível 3° eles melhorem principalmente a questão de querer humanizar o vilão.
    • FSociety
      13 diretoras e nenhuma pensou em fazer um uma sequer associação com Defensores isso foi um ponto fraco deveriam ter almenos citado alguma coisa sobre a possível morte do advogado Matt Murdock.
    • FSociety
      A Trish está caminhando para ser tornar a Felina e eu achei legal porque ela será uma vigilante já a vilã mãe da Jessica foi ridícula parecia mais a Maria Betânia porem maluca kkkkkkkkkkk
    • Jair B.
      A série não acontece antes de Defensores, dá pra identificar isso pelo apartamento da Jessica, cheio de furos de balas, além da parede que o Malcolm está consertando que estava quebrada. Se analisar os personagens o Malcolm está diferente, já em recuperação, e Foggy Nelson associou a Hogarth.
    • Unbowed, Unbent, Unbroken
      O David é um ator maravilhoso, tbm curti o fanservice.
    • Matheus V.
      Acredito que eles não comentaram por que talvez possa ser que isso tenha passado antes de defensores. Perceba que na série do grupo ela está mais leve, mais calma e até tendendo a ser mais humorada, e no fim dessa segunda temporada mostra ela tentando ir a outro caminho ao invés de solidão e mau humor.Talvez não citaram defensores nem nada assim, por que pode ser isso e não queriam falar ainda. Só teoria.
    • Lara Lannister
      Concordo com tudo, mas particularmente, eu senti falta de um Kilgrave. Não por falta de um vilão nessa temporada ou algo do tipo, mas sim pq o David simplesmente manda mto bm e fez um personagem extremamente carismático. Pelo menos ele apareceu como um fanservice nessa temporada
    • Unbowed, Unbent, Unbroken
      Já eu gostei muito do fato da segunda temporada não ter um vilão definido, pois permitiu que os personagens secundários tivessem mais espaço e consequentemente, fossem melhor desenvolvidos, gostei muito das tramas paralelas, principalmente do arco da Trish e o da Hogarth.Mas para mim o grande destaque desta temporada foram os excelentes diálogos, que em sua maioria, passaram mensagens óbvias, porém muito importantes.Merece destaque o fato de que todos os episódios foram dirigidos por Diretoras.Por fim, gostei ainda mais da segunda temporada do que da primeira, a Netflix está de parabéns!
    • Viciado em café
      Jessica Jones só faltou uma vilão que prestasse, nada mais. A dubiedade que a Jessica mostrou com seus poderes e sua raiva foi bacana eu achei, a Trish bancando a badass querendo arrumar treta com qualquer foi uma das melhores cenas kkEu odiei o fato de não terem feito tantas referências citando os outros personagens. Acabaram os defensores, e ela vai pro seu canto e fica sem falar com todo mundo assim? Sério mesmo?Tragam A queda de Murdock logo Netflix, pelo amor de Deus!
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