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    Altered Carbon: Showrunner comenta acusações de embranquecimento
    Por Renato Furtado — 2 de fev. de 2018 às 17:20
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    O personagem principal do seriado, interpretado pelo sueco Joel Kinnaman, é um mercenário asiático.

    A história do embranquecimento (whitewashing) em Hollywood se confunde com o da própria indústria cinematográfica. No entanto, na era das redes sociais e da busca pela representatividade, os fãs não estão mais dispostos a ver atores caucasianos interpretando personagens não-brancos. Recentemente, A Vigilante do Amanhã foi duramente criticado por trazer Scarlett Johansson no papel de uma heroína asiática e Altered Carbon, a mais nova série da Netflix, também recebeu acusações de whitewashing porque o sueco Joel Kinnaman interpreta um mercenário japonês. Em uma longa entrevista à Entertainment Weekly, a showrunner Laeta Kalogridis (Ilha do Medo) comentou a problemática:

    "Nós expandimos o passado de Takeshi Kovacs apresentado no livro para podermos escalar outros três atores asiáticos, e eles interpretam papéis que são realmente profundos. Nós vamos e voltamos do Kovacs do presente para o Kovacs do passado. Um dos episódios é inteiramente centrado em Will Yun Lee [que interpreta Kovacs em seus dias como mercenário]. Mas para falar sobre esse assunto em específico, sou muito atenta à questão do embranquecimento e apoio o movimento que está tentando corrigir esse problema em Hollywood. Nossa série não era uma icônica obra japonesa ou asiática transformada em uma propriedade branca, e não temos um personagem asiático da vida real para o qual um branco foi escalado para interpretar — estes são problemas imensos. Fiquei surpresa e decepcionada quando vi Motoko Kusanagi, a protagonista de Ghost in the Shell que vive na Tóquio do futuro e que sempre li como sendo japonesa, não foi escalada dessa forma", disse Kalogridis.

    A ficção científica Altered Carbon é ambientada em um mundo futurista onde os corpos humanos são apenas detalhes. Quando uma pessoa morre, sua consciência é resgatada e armazenada em outro corpo, encarado apenas como uma carcaça, um recipiente no universo da série criada por Kalogridis. E como a showrunner explicou, o personagem de Kinnaman, papel principal do seriado, é o de um mercenário japonês que é "revivido" contra sua vontade e cuja consciência é instalada no corpo de um homem branco. Com todas essas complexidades étnicas envolvidas, a showrunner fez o possível para acomodar a trajetória de Kinnaman entre a de um homem caucasiano e a de um asiático:

    "O que temos aqui é uma novela ambientada em um futuro distante, escrita por um escocês, Richard K. Morgan, onde o personagem principal cresceu um planeta baseado na combinação de empresas japonesas com um povo eslavo. Tentei firmemente pegar essa parte de sua história e identidade raciais e ancorar o personagem na série, pegando três ou quatro frases do livro e transformando-as em episódios inteiros, ou em partes de episódios, e então escalar atores que representam o personagem em sua identidade asiática. Parte do que faz nossa história ser diferente das outras é que ela explora a habilidade que as pessoas têm de se moverem entre corpos e como os corpos são dispensáveis; é uma habilidade que Kovacs tem. Parte de quem ele é sua habilidade de facilmente descarregar a si mesmo em outro corpo como se ele fosse o motorista de um outro carro. Mas em sua cabeça — e no livro você pode ver isso — ele pensa em si mesmo como asiático. Você pode ter a experiência de uma narrativa em primeira pessoa em um livro que no audiovisual você não pode. Ao escolher os atores, tentei firmemente enraizar sua identidade in sua infância asiática e sua vida em seus corpos asiáticos".

    Coestrelada por Martha HigaredaDichen LachmanRenée Elise Goldsberry e Ato Essandoh, Altered Carbon já chegou ao catálogo do serviço de streaming da Netflix - confira aqui a crítica do AdoroCinema e a nossa entrevista exclusiva com Higareda e Kinnaman abaixo:

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    Comentários
    • Matthias Careca
      Mas não é, aceite.
    • Adriano Balu
      Mas poderia ser, aceite.
    • Matthias Careca
      James Bond não é negro, aceite.
    • Matthias Careca
      Vão tomar no cu com esse MIMIMI...porra, isso faz parte da história!Pelamor...que geração mais leite com pera.
    • J?nior S.
      Haterzinho infeliz?! É você que tá respondendo todos os meus comentários, fulano com nome fake...Nossa, QUE ORIGINAL!!!
    • Jéssica Marques
      No caso de Ghost in the Shell eu super concordo. Mas Altered Carbon tem uma mistura de raças incrível e o pessoal ainda quer problematizar. Ah vá!
    • Cético Kaiba
      Olha o racista aí, gente! Quando as pessoas assistem a James Bond, a cor de pele do personagem é o que menos importa, tampouco a sua origem étnica. Dado isso, não é problema se ele vier futuramente ser interpretado por um ator negro. Mas, a sua visão preconceituosa o induz a ter uma visão rasa e mesquinha sobre as possibilidades. Não vi problema nenhum por exemplo o Samuel L. Jackson interpretar o Nick Fury no UCM, como outros exemplos. Abra a sua mente, carinha. Olhando pelo histórico dos seus comentários, você tá mais preocupado em aparecer e passa a imagem de pobre haterzinho infeliz. Se brincar, é bolsominion tb. kkkk
    • Adriano Balu
      Levando em consideração que um dos primeiros ingleses era negro, é um precedente válido. E como disse e vc não está entendendo, o que muda o fato dele ser negro? A não ser que incluam conflitos raciais ele pode ser negro e inglês clássico.
    • J?nior S.
      Isso abre um precedente, por essa lógica então não teria problema o Robin Hood ser negro, mesmo este sendo um inglês da IDADE MÉDIA, quando não haviam registros de negros lá....
    • Adriano Balu
      Uma dica, se o livro não é claro e mudar a cor não muda em nada da concepção do personagem, então não importa. Mesmo que o livro se refira a um branco o fato dele ser branco não influencia em nada, o que influencia é o fato de ser inglês.
    • J?nior S.
      Como eu disse, LIVROS DOS ANOS 50! Pode me dizer qual era a concepção de homem inglês tradicional daquela época? Uma dica : NÃO ERA UM CARA COMO O IDRIS ELBA!!!
    • Adriano Balu
      Além disso, como disse, o conteúdo do roteiro não leva em consideração nada de cunho racial, ele não aborda conflitos nesse sentido.
    • Adriano Balu
      Pois é, até por quê não existem e nunca existiram Britânicos negros.
    • Priscila Santos
      Tao bem explicado e ainda não entenderam...
    • J?nior S.
      Cara, os filmes do James Bond são baseados em livros do final dos anos 50, onde ele é decrito como UM HOMEM INGLÊS TRADICIONAL, ou seja, étnica e culturalmente britânico, por tanto não tem O MENOR cabimento ele ser negro.
    • Anderson Silva de Oliveira
      No caso do Pistoleiro teve sim muitas criticas por te sido interpretado pelo Idris Elba, teve muitos fans reclamando e até querendo boicotar o filmeO problema é justamente os fans de cada obra q não aceitam, quando vc se acostuma com um personagem de um jeito vc não aceita q ele seja interpretado diferente do q vc costuma ver, agora quando é uma obra q vc não conhece vc nem liga, eu por exemplo não liguei para o Ancião de Doutor Estranho ser interpretado por uma mulher, pela Valquiria e o Pistoleiro serem negros pq eu não acompanhava as obras antes de virarem filme então pra mim tanto faz, agora Ghost in the Shell eu acompanho o anime desde a década de 90 fora o jogo para PS2, então me acostumei a ver a personagem Motoko Kusanagi como uma mulher asiática e vê-la sendo interpretada pela Scarlett Johansson q não se assemelha em nada a personagem da obra original foi uma tortura pra mim, assistir todo o filme pensando pq não colocaram a Bae Doona de Sense8 ou Rinko Kikuchi de Circulo de Fogo pra interpretar a Motoko , então eu consigo imaginar oq os fans assíduos de Torre Negra sentiram vendo Idris Elba interpretando o Pistoleiro Como eu falei se é um personagem q poucos conhecem as criticas são menores, agora tenta mudar um personagem bem conhecido um exemplo coloca um Batman negro ou um Superman asiático q vc vai ver a enxurrada de criticas negativas, tanto q as maiores reclamações de esbranquecimento ou mudança de etnias são de adaptações de animes, jogos e por ultimo HQs pq demonstram bem a aparência do personagem e para o publico geral é bem mais comum q livrosE essas criticas não são apenas pra mudança de etnias mas tb quando desviam muito o filme ou seriado da obra original, um bom exemplo é os filmes de Resident Evil, q só quem não conhece os jogos consegue engolir a personagem Alice q nem existe nos jogos
    • ChadGrey
      Isto é giro... Se falar mal de Blanck Panther é porque quem falar mal ou é fanboy da DC ou racista.Acusar uma série ou filme de embranquecimento (e isto já é uma palavra) já não só é socialmente aceite como carece de resposta... Enfim...De qualquer forma, boa resposta.
    • Adriano Balu
      A comparação com James Bonde não é cabível uma vez que são interpretados por vários atores e a etnia não muda nada na história dele, ele pode ser britânico, ter sotaque e ser negro da mesma forma. Já para o Pantera é diferente, pois é uma nação ''negra' várias histórias tem cunho racial, etc.. A comparação poderia ser com o Roland (Torre Negra), pois aí sim muda muito, pois nos livros o fato dele ser branco gera conflitos. Espero que tenha entendido a diferença, e também entendido a explicação do(a) JC V.
    • Jc V.
      E a treta continua.
    • Jc V.
      Simples, mas é bem extenso e vc tem o direito de discordar. Ou talvez nem vá entender:Ninguém tá nem aí se em UM filme todos personagens são brancos (os filmes do Woody Allen são todos brancos, ninguém liga), não é esse o alvo dos movimentos sociais. Mas o problema é quando numa indústria gigante e influente como Hollywood 99% dos personagens são brancos. Vê a diferença? Pois bem...O intuito não é focar em personagens específicos e sim aumentar a porcentagem geral de outras etnias no cinema. Logo, se eu pego um personagem originalmente branco e transformo em negro/asiático/etc., essa porcentagem de brancos cai. Porém, qual seria o sentido de pegar um personagem originalmente negro/etc. e transformar ele em branco?? Só pra aumentar ainda mais a desigualdade?!A palavra representatividade já resume bem essa ideia, não sei como as pessoas não entendem. Significa, justamente, aumentar a presença de um grupo, aumentar estatisticamente os representantes desse grupo num coletivo fechado (uma indústria, um partido político, etc.). A sua questão põe as duas atitudes em pé de equilavência, como sendo o mesmo movimento em sentidos opostos. Ontologicamente falando, acho q vc estaria certo. Mas essa não é uma questão sobre o que é algo... É sobre pra que serve algo, ou seja, é uma questão ÉTICA.Ética é pensada no sentido de que nossas atitudes afetam outras pessoas. No caso, a falta de outras etnias na mídia afeta negativamente a sociedade. É algo ruim. Portanto, nesse sentido, não dá pra equiparar o Pistoleiro negro com um Pantera Negra branco (por exemplo). Transformar um personagem negro em branco só agrava a injustiça e a disparidade entre as etnias, é algo errado. Já transformar um personagem branco em negro visa diluir o percentual das etnias. Mas deixo claro, isso TAMBÉM é algo que pode ser considerado errado, mas tem um propósito benéfico. Ou seja, entre duas atitudes erradas, vale a pena escolher a opção que embora errada pelo menos tem uma conseqüência socialmente boa, e é uma causa legítima e justa.Ah, mas o certo então seria criar personagens novos pra cada etnia! Mais ou menos... Vamos pensar nas HQs da Marvel e DC como exemplo: Pensa em UM personagem criado a menos de 20 anos atrás que seja realmente famoso??Difícil né. Arlequina e X23 são as únicas que vêm na minha mente. Isso é pra mostrar como é difícil criar um personagem novo numa indústria que já está estabelecida, é muito difícil. Se 1 já é difícil, imagina dezenas, que seria o necessário.Enfim, como disse lá no começo, pode até discordar. Mas essa é a resposta pra sua pergunta. Não é uma questão pontual, e sim estatística. Não é uma questão ontológica, e sim ética. Não é uma questão de igualdade, e sim de EQUIDADE (pesquise essa palavra).
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