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Narcos: Crítica da 3ª temporada
Por Laysa Zanetti — 29/08/2017 às 20:02
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Após Pablo Escobar, o narcotráfico continua. Sem Wagner Moura, mas com história suficiente — e um Pedro Pascal melhor do que nunca.

Juan Pablo Gutierrez/Netflix

Nota: 4,0 / 5,0

Sem spoilers.

Durante duas temporadas, a medula espinhal de Narcos foi Wagner Moura. Imaginar a série sem ele, que tão amplamente interpretou o antagonista Pablo Escobar, é uma tarefa difícil. Fazer a história seguir, no mesmo ritmo e com a mesma competência, um desafio. E um que, felizmente, a terceira temporada cumpre muito bem.

Sai o Cartel de Medellín, entra o Cartel o Cali. Sai Steve Murphy, fica Javier Peña. Sem Moura e Boyd Holbrook, quem assume o posto ‘central’ da história — narrador e fio condutor de toda a investigação, a cargo da perseguição e de apresentar a elaborada estrutura do ‘novo’ cartel que assume o topo do tráfico — é Pedro Pascal. Sempre competente, aqui ele tem mais espaço para brilhar e mostrar o seu grande potencial dramático como o real protagonista. Trata-se de um personagem pesado, com uma carga emocionalmente mais densa devido às heranças de Escobar e à caçada junto ao DEA, e apesar da narrativa extremamente compassada e do número maior de personagens — que precisam ser apresentados e desenvolvidos, individualmente — Peña consegue segurar com destreza a narrativa e conduzir o público através das novas condições da trama. Mais do que ninguém, Pascal mostra que fez por merecer o lugar de confiança que ganhou neste terceiro ano da série, e assume o posto que deveria ter sido seu desde o início.

Diferente do Cartel de Medellín, o Cartel de Cali não se organiza no entorno de apenas uma pessoa. As figuras centrais são os quatro Cavaleiros de Cali, que trabalham nas sombras: Gilberto (Damián Alcázar) e Miguel Rodriguez (Francisco Denis), 'Pacho' Herrera (Alberto Ammann) e 'Chepe' (Pêpê Rapazote). É praticamente ‘Cocaína S/A’. E embora eles — ou Gilberto, em específico — tenham sido essenciais para a captura e queda de Escobar, “o inimigo do meu inimigo” só é amigo até que volte a jogar para o outro lado.

Juan Pablo Gutierrez/Netflix
Damián Alcázar, como Gilberto

Talvez o maior ganho da terceira temporada de Narcos com a saída de Escobar de cena seja a oportunidade de ampliar a narrativa e trazer personagens igualmente complexos, porém mais humanizados. Por trabalharem nos ‘bastidores’, estes (muitos) personagens novos têm a chance de surgirem em cena em momentos de confronto ‘básicos’ da vida real, e alguns dos conflitos mais intrigantes acontecem justamente em torno da falácia da organização.

É inegável: a ausência de Wagner Moura faz falta. Todo o carisma e a entrega que o ator brasileiro deu ao vilão foi um dos pontos que retiraram Escobar do lugar-comum e o transformaram em um personagem com quem era possível se identificar e enxergar os lados bom e ruim; mas os novos jogadores não ficam para trás. Alberto Ammann como Pacho Herrera (abaixo) e Michael Stahl-David como o americano Chris Feistl são alguns dos maiores rouba-cena da temporada, e não por acaso. Miguel Ángel Silvestre, mais conhecido por Sense8, também demonstra bastante versatilidade. E justamente porque a luz não está especificamente sobre uma única pessoa do lado do Cartel, e estas pessoas têm funções diferentes dentro da organização (que por si só não repete a estrutura de Medellín) é possível ver outros lados delas que, caso contrário, ficariam restritos a capangas dos líderes — o que acontecia nas temporadas 1 e 2.

Juan Pablo Gutierrez/Netflix

Talvez o maior ponto negativo da terceira temporada de Narcos seja a ausência real de personagens femininas fortes; mais que nos anos anteriores, elas ficam restrita aos papéis coadjuvantes de esposas, mães, meros rostos que ajudam a compor o cenário. É claro, isto trata-se de uma adaptação de uma história real, mas há aqui também muitas liberdades criativas — o que de cara elimina a justificativa de que ter mulheres fortes não faria sentido neste cenário.

Juan Pablo Gutierrez/Netflix

A ambientação na década de 1990 atualiza a série, mas mantém um padrão: a amplitude desta narrativa ao se estender para lados que vão além do tráfico de drogas por si só, e chegam a escândalos políticos e jogos de interesse mais generosos, dá o real tom que Narcos parecia querer fincar desde o início a respeito do tamanho e das reais implicações que o narcotráfico tem na realidade. Ao dar nomes, rostos, famílias e vozes a esta complexa (e muito bem elaborada) indústria, Narcos imprime urgência e transmite ao espectador uma sensação esmagadora de estar de pés e mãos atadas frente a um negócio interminável, e infinitamente lucrativo.

O ‘reinício’ do jogo no terceiro ano da série acerta o ponto por ser capaz de manter o ritmo e a estrutura que ficaram marcados na era de Pablo Escobar, mas fica um buraco exatamente no lugar em que Wagner Moura exalava magnetismo. Sim, ele faz falta. Mas há competência — e história, e vonntade — suficientes para continuar. E continuar. E continuar...

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