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    Game of Thrones S07E06: Além da Muralha
    Por Laysa Zanetti — 21 de ago. de 2017 às 01:20
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    Nossa crítica do episódio 'Beyond the Wall'.

    “Ao creme e dourado chamo Viserion. Viserys era cruel, fraco e assustado, mas, ainda assim, era meu irmão. Seu dragão fará o que ele não pôde fazer.”

    (Dany I — A Fúria dos Reis)

    É tradição que o penúltimo episódio da temporada de Game of Thrones seja o mais impactante. Foram neles que aconteceram grandes momentos ao longo dos últimos anos, como a morte de Ned (Sean Bean), a Batalha de Água Negra, o Casamento Vermelho, a Batalha dos Bastardos, etc. Também já é tradição que personagens importantes não sobrevivam para contar a história. “Beyond the Wall” reúne os dois costumes e coloca a última pedra no lugar para que a Grande Guerra aconteça.

    A missão suicida de Jon Snow (Kit Harington) para além da Muralha era uma tragédia anunciada antes mesmo de acontecer. O time de deslocados parte com o objetivo de capturar um dos wights e levá-lo até Porto Real, mas logo se vêem completamente cercados pelo exército do Rei da Noite — que observa tudo à espreita, no aguardo pelo momento certo de agir.

    Game of Thrones 7.05: Eastwatch (Crítica do episódio)

    HBO

    A grande batalha do episódio 6 são mais diálogos do que ação — o que, a princípio, não é ruim. É uma boa construção que acontece no momento ideal, visto que a maior parte daqueles personagens têm pouca interação ou estão se conhecendo naquele exato momento. As trocas divertidas são uma consequência orgânica que trazem leveza e gratidão, como no momento em que Jon tenta entregar Garralonga a Sor Jorah (Iain Glen) e a hilária troca entre Tormund (Kristofer Hivju) e Sandor (Rory McCann) a respeito de Brienne (Gwendoline Christie).

    Se por um lado, as sequências além da Muralha são boas em criar tensão e expectativa, também se baseiam em um uso exagerado de certos recursos de último minuto inverossímeis. A chegada dramática de Daenerys (Emilia Clarke) para salvar Jon e companhia é extática, mas não há motivo algum que justifique, por exemplo, a resistência de Jon em montar Drogon para ir embora o quanto antes. A única função do seu show de exibicionismo foi fazer com que os dragões continuassem voando um pouco mais, para que o Rei da Noite tivesse tempo para atirar a lança em Viserion. Dentro da narrativa, não há o que explique a decisão de Jon; o que prova: ou (1) ele é um herói extremamente incompetente ou (2) Game of Thrones parou de seguir planos inteligentes.

    Como disse Daenerys, heróis fazem coisas estúpidas, e eles morrem. Mas, neste caso, quem morreu não foi bem ele...

    Game of Thrones 7.04: The Spoils of War (Crítica do episódio)

    Helen Sloan/HBO

    A este ponto, já está mais do que estabelecido que Jon quase sempre precisará de alguém (na maior parte das vezes, uma mulher) para salvá-lo das piores situações em que se meter, mas é um abuso da boa vontade de qualquer espectador um único episódio contar com dois momentos deus ex machina, ainda mais quando acontecem em função do mesmo personagem. Primeiro, Daenerys. Depois, Tio Benjen (Joseph Mawle) — cuja única real função na série foi a de aparecer arbitrariamente para salvar alguém, um grande deus ex machina por definição. Precisava, mesmo?

    Nos últimos anos, Game of Thrones tem sido melhor quando decide investir seus recursos, financeiros e narrativos, na construção de sequências de batalha. É nada menos do que incrível ver, por exemplo, o grupo além da Muralha ser cercado por wights e passar a noite encurralado. O desespero é palpável. As sequências em plano aberto na neve são magistrais; a grande batalha que se segue é claustrofóbica, porque as tomadas superiores de Alan Taylor chamam o público para se sentir preso junto aos heróis — embora a batalha em si seja bastante confusa pela dificuldade de seguir algum personagem (qualquer personagem) específico. Ao mesmo tempo, o episódio abdica de qualquer elemento surpresa no entorno de Jon, porque a salvação que está para chegar é descaradamente óbvia.

    O problema é que, enquanto fica cada vez melhor nas batalhas, a série tem deixado a desejar na construção dos aspectos psicológicos dos personagens. Isso fica muito claro na dinâmica apresentada entre Arya (Maisie Williams) e Sansa (Sophie Turner). Era de se esperar que as duas tivessem algum tipo de desentendimento após o reencontro, o que é perfeitamente natural vistas as condições em que se separaram e as eternas comparações que eram feitas entre ambas, mas há um maniqueísmo cretino e desnecessário na forma como aborda os pontos de vista de cada uma delas.

    Helen Sloan/HBO

    Arya tem lá seus motivos para guardar ressentimentos contra a irmã (até porque elas sempre tiveram visões de mundo diferentes) mas ela deveria ser mais esperta do que isso. Ela literalmente aprendeu a identificar verdades e mentiras durante o seu treinamento em Braavos, então era de se esperar que soubesse ‘ler’ o que Sansa está lhe dizendo ao invés de ignorá-la. O objetivo de todo o jogo é demonstrar que, no fim, uma jamais sobreviveria ao que a outra passou. Sansa não conseguiria estar no lugar de Arya, que também seria incapaz de calçar os sapatos da irmã mais velha. Mas a forma simplória que a série escolhe para apresentar o debate força o espectador a escolher um lado da briga, o que não deveria acontecer e serve apenas para imediatamente reforçar a ideia de que, para ser forte, é preciso saber lutar com espadas.

    Será, mesmo? Os maiores jogadores desta história são justamente aqueles que não as empunham muito bem: Lorde Varys (Conleth Hill), Mindinho (Aidan Gillen), Tyrion Lannister (Peter Dinklage), Cersei (Lena Headey), e a finada Olenna Tyrell (Dianna Rigg). E, talvez, Sansa…

    De volta à batalha além da Muralha, a morte de Viserion é, de longe, o momento mais emocionante da temporada. A sua queda é dolorosa, impactante do silêncio total aos gritos desesperados de seus irmãos. É a primeira grande morte, em muito tempo, que causou uma verdadeira tristeza coletiva. Mas tudo fica em terceiro plano na cabeça de Daenerys, que a este momento está mais preocupada com o retorno de Jon que com a perda de seu próprio filho.

    Ao fim do dia, todas as decisões de Daenerys neste episódio são movidas pelos seus sentimentos pelo Rei do Norte, ao invés de suas aspirações políticas e a determinação que demonstrou até então. E aí está o grande problema de tê-los como um casal. Até mesmo o diálogo entre ela e Tyrion ainda em Pedra do Dragão existe para reforçar a ideia do futuro relacionamento, enquanto ele fala sobre herdeiros e sucessão. Jon e Daenerys são bons juntos, pois são líderes natos e de personalidades opostas. Mas construir um relacionamento amoroso entre os dois não deveria significar que uma parte (no caso, a parte feminina) irá abandonar a sua personalidade em função do outro.

    Agora, o Rei da Noite tem um dragão para chamar de seu, e atravessar a Muralha é só questão de tempo…

    HBO

    Considerações gerais
    • Drogon e Rhaegal esboçaram mais reação à morte de Viserion que a própria Daenerys. A este ponto é difícil dizer se a atuação inexpressiva de Emilia Clarke realmente entrou no caminho ou foi proposital, se Daenerys simplesmente ficou em estado de choque, ou resolveu canalizar os sentimentos em raiva.
    • Querido Rei da Noite, por que matar Viserion quando Drogon estava mais perto? Você ainda deixava a turma toda sem transporte, rapaz!
    • Simplesmente aceitamos: os corvos viajam na velocidade da luz.
    • De onde os mortos tiraram aquelas correntes de navios?!
    Episódio: 7.06 - Beyond the Wall
    Escrito por: David BenioffD.B. Weiss
    Dirigido por: Alan Taylor
    Exibido originalmente em: 20/08/2017
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