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    Festival de Cannes 2017: "Trump roubou todas as ideias de House of Cards", diz Robin Wright
    Por Renato Furtado — 18 de mai. de 2017 às 14:38
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    Recentemente, a realidade tem sido mais impressionante que a arte.

    Vittorio Zunino Celotto/Getty Images Europe

    Quando House of Cards foi lançada, em 2013, o mundo era outro. À época, a Netflix ainda estava dando seus primeiros passos no universo da produção de conteúdos originais, a equipe do Brasil ainda não tinha sofrido uma goleada traumatizante e Barack Obama era o presidente dos Estados Unidos, governando em um cenário estabilizado. Passam-se quatro anos e, de lá para cá, tanta coisa aconteceu e mudou, principalmente no mundo da política, que é como se a realidade estivesse imitando as conspirações e tramas políticas dos roteiros de House of Cards.

    No Festival de Cannes, durante uma conferência organizada pela revista Variety, o entrevistador perguntou à Robin Wright se a era Trump e o contexto de crise política no qual os Estados Unidos estão inseridos modificaram a visão dela sobre o realismo da série. Com bom humor, a estrela, presente no sul da França para apresentar The Dark of Night, seu primeiro curta como diretora, respondeu: "Trump roubou todas as nossas ideias para a sexta temporada. Não sei o que faremos. É sério". Para a intérprete, os roteiristas de seu show terão que trabalhar bastante para surpreender o público após os inúmeros escândalos no qual o presidente se envolveu.

    Robin Wright - que chama sua personagem de Lady Macbeth do Ricardo III de Kevin Spacey - também comentou sobre a questão da distribuição de filmes nos cinemas e via plataformas de streaming. Ao contário de Will Smith, a atriz teceu críticas aos novos hábitos de consumo de produtos audiovisuais: "É óbvio que as salas de cinema sempre serão a primeira escolha. Na verdade, ver filmes no celular é rude. Não é justo com o trabalho dos cineastas".

    A quinta temporada de House of Cards, cuja conta no Twitter também fez piada com o aprofundamento da instabilidade política no Brasil ("Tá difícil competir"), estreia no dia 30 de maio. Será que a arte voltará a ganhar da realidade ou já chegamos em um ponto em que a disputa tornou-se injusta? É preciso aguardar os próximos capítulos - tanto da série quanto da vida.

     

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