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    Sexo, drogas e rock'n'roll: O cinema e a música de 1973
    Por João Vitor Figueira — 12 de fev. de 2016 às 18:37
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    Entre no clima de Vinyl, nova série original da HBO produzida por Terence Winter, Martin Scorsese e Mick Jagger.

    A música em 1973:

    O ano de 1973 foi muito importante ano para o rock progressivo e para o proto-punk, com diversos lançamentos de discos que seriam cultuados nos anos seguintes. No dia 1º de março, "The Dark Side of the Moon", do Pink Floyd, chegou às lojas. Atualmente, o disco ocupa a terceira posição no ranking dos álbuns mais vendidos em todos os tempos.

    Foi neste mesmo ano que artistas que viriam a conquistar um lugar de destaque no cenário musical nos anos seguintes deram seus primeiros passos. Enquanto bandas como Aerosmith e Queen lançaram seus discos de estreia, Kiss e AC/DC subiram pela primeira vez aos palcos em 1973. No "obituário" das bandas, 73 foi o ano em que The Velvet Underground, The Doors e The Byrds encerraram suas atividades.

    No auge da carreira, o Led Zeppelin quebrou recorde dos Beatles e realizou o maior show de rock de todos os tempos até aquele momento, com 56,8 mil espectadores. O concerto foi realizado no Estádio de Tampa, na Florida, durante a turnê da banda britânica pelos Estados Unidos.

    Alguns dos maiores sucessos nas rádios dos Estados Unidos e Reino Unido naquele ano foram "Killing Me Softly", de Roberta Flack; "Angie", dos Rolling Stones; e "Crocodile Rock", de Elton John.

    Grandes discos de 1973:

    Pink Floyd - "The Dark Side Of The Moon"

    A década de 1970, especialmente em sua primeira metade, representou a era de ouro rock progressivo e foi no ano de 73 que a obra magna do gênero ganhou vida, servindo como a primeira grande demonstração da força e da densidade artística do Pink Floyd. Primorosamente produzido, o hipnótico álbum conceitual "The Dark Side Of The Moon" trata de temas mundanos como ganância, mortalidade e questões psiquiátricas embalado por uma atmosfera sonora que filtra blues, jazz fusion e música de vanguarda sob o prisma psicodélico.

    Isso tudo sem falar na suposta conexão com O Mágico de Oz...

    Stevie Wonder - "Innervisions"

    Se você conhece Stevie Wonder superficialmente e deseja se aprofundar mais em sua obra, esqueça "I Just Called to Say I Love You" e vá atrás dos brilhantes álbuns que ele lançou nos anos 70. Em "Innervisions", o cantor explora os limites da música negra norte-americana e expande sua lírica para além das canções de amor. Agora Wonder aborda a espiritualidade, os perigos da vida urbana, o vício em drogas e temas mais politizados sem perder seu otimismo característico.

    Como se cantar de forma apaixonada e magistral não fosse o suficiente, Wonder tocou basicamente todos os instrumentos do disco, dando mais uma manifestação de sua versatilidade como instrumentista.

    Iggy & The Stooges - "Raw Power"

    Visceral e sujo como a própria essência do rock 'n' roll, "Raw Power" é um verdadeiro fio desemcapado sônico que apresenta uma banda selvagem no auge. O disco, que serviria como um das pedras fundamentais do punk rock anos mais tarde e era o favorito de Kurt Cobain, é grandiosamente caótico, no melhor sentido do termo. Há apenas uma forma correta de apreciar a ferocidade de faixas icônicas como "Gimme Danger" e "Search and Destroy": Ouvi-las no máximo volume dos alto-falantes e esperar a polícia bater à sua porta.

    David Bowie - "Aladdin Sane"

    Depois do sucesso de "The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars", Bowie assumiu a persona de Aladdin Sane para promover o álbum homônimo. No primeiro disco lançado após seu status como rockstar ser consolidado, Bowie aborda a frenética vida na estrada, sua fixação pela cultura americana e mostra estar no limite da sanidade mental. A vivacidade e a crueza das guitarras de hard rock são predominantes no disco, mas foi o solo de piano de Mike Garson na faixa "Aladdin Sane (1913-1938-197?)" que permanceu pelas décadas seguintes como um dos momentos mais vanguardistas e memoráveis de toda discografia de Bowie.

    Marvin Gaye - "Let's Get It On"

    Em 1971, Marvin Gaye lançou o disco-manifesto "What's Going On" para tentar salvar o planeta e levar paz na Terra aos homens de boa vontade. Em 1973, os Estados Unidos perderam a Guerra do Vietnã e o artista voltou às canções de amor mais lascivo do que nunca.

    Libidinoso do inicio ao fim, o groove sedutor de "Let's Get It On" muitas vezes é resumido à sua faixa-título, mas todas as oito canções do álbum ajudaram a redefinir o som da Motown e o papel do erotismo na soul music. Sexy sem ser vulgar, primorosamente produzido e executado, o trabalho é uma ode classuda aos prazeres carnais.

    Led Zeppelin - "Houses of the Holy"

    Em seus quatro primeiros discos, Jimmy Page destilou riffs cavalares inpsirados pelo blues que entraram para a história do rock e fundamentaram alguns dos pilares do heavy metal. No quinto álbum de estúdio do Led Zeppelin — o primeiro a contar apenas com compisições inéditas —, a banda britânica andou por territórios menos explorados até então, como a psicodelia prog em "No Quarter", o funk em "The Crunge" e o reggae em "D'yer Mak'er", o que faz de "Houses of the Holy" um dos registros mais ecléticos da banda de Robert Plant e companhia.

    Bob Marley & The Wailers - "Catch a Fire"

    Com arranjos simples (mas nunca simplórios ou banais) que colocavam a mensagem de Bob Marley em primeiro plano, "Catch a Fire" foi o disco que fez o reggae ultrapassar as fronteiras da Jamaica e se tornar um fenômeno de escala global. Marley e os Wailers incendiaram a Babilônia e conquistaram corações e mentes quando cantaram a favor do amor e contra injustiças sociais com a mesma paixão.

    New York Dolls - "New York Dolls"

    O álbum de estreia do New York Dolls é, sem a menor sombra de dúvidas, o álbum que mais tem a ver com a atmosfera de Vinyl ("Personality Crisis" até toca em um dos trailers da série) dentre os mencionados nesta lista.

    Por mais que tenham tido a intenção de fazer um disco de glam/hard rock, a banda acabou apresentando um trabalho que ajudou a fomentar o que futuramente seria chamado de punk rock. Donos de uma atitude explosiva nos palcos e de um lado visual sexualmente ambíguo, os Dolls representaram uma onda de vitalidade que só poderia ter surgido em Nova York.

    Paul McCartney & Wings - "Band on the Run"

    Três anos depois dos Beatles encerrarem as atividades, Paul McCartney lançou o mais completo disco de sua carreira, que o reapresentou para o grande público e justificou a credibilidade que ele adquiriu nos anos ao lado de John, George e Ringo. Gravado na Nigéria, o maior triunfo do álbum é sua faixa-título, uma pequena odisseia musical de três movimentos que, cheia de energia, narra a história de uma banda encarcerada em busca de liberdade.

    Herbie Hancock - "Head Hunters"

    Funcionando tanto como um disco de jazz-fusion para quem gosta de funk, quanto como um disco de funk para fãs de jazz, "Head Hunters" traz Herbie Hancock revitalizando sua carreira influenciado pelo groove de James Brown, para o desgosto de alguns puristas do jazz e alegria de ouvintes de mente aberta.

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    Comentários
    • Junior
      O exorcista, cada ano que passa eu respeito e admiro mais esse filme, um filme que consegue surpreender como nenhum outro consegue, um dos maiores testamentos de fé e esperança da história do cinema
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