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    Cinema x streaming: Entenda a decisão da Warner em exibir os lançamentos de 2021 simultaneamente nos dois formatos
    Por Barbara Demerov — 8 de dez. de 2020 às 17:56
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    Espectadores norte-americanos poderão decidir se irão conferir os maiores lançamentos do estúdio em casa ou na tradicional sala de cinema.

    Na última quinta-feira (03), a Warnermedia fez um dos anúncios mais significativos dentro do meio cinematográfico nos últimos anos. Em 2021, a empresa lançará todos os seus filmes simultaneamente no cinema e na plataforma de streaming HBO Max. Serão lançamentos "híbridos" e não há precedentes para tal decisão.

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    O HBO Max ainda não chegou ao Brasil (tampouco há uma data oficial) e só está disponível para os norte-americanos; mas, ainda assim, a definição chocou o mercado e causou diversas reações. Afinal, os EUA são o país que representam a taxa mais alta de bilheteria no cinema ao lado da China e, querendo ou não, a escolha surpreende.

    O primeiro motivo da surpresa é que a discussão sobre o possível "fim" do cinema ganhou proporções maiores diante da pandemia da COVID-19, uma vez que este ano foi absolutamente atípico para as produtoras e especialmente às exibidoras, que tiveram de passar a maior parte dos meses com as portas fechadas devido à pandemia da COVID-19.

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    O fechamento de milhares de salas de cinema ao redor do mundo abriu mais espaço para o streaming brilhar em tempos de quarentena e isolamento social. Mais do que nunca, as pessoas passaram a consumir os mais diversos tipos de conteúdo em suas casas, seja pagando por serviços ou alugando filmes on demand. O cinema tradicional sofreu em 2020 e possivelmente continuará sofrendo no ano que vem.

    Mas isso quer dizer que o cinema vai acabar? Não necessariamente.

    O plano da Warnermedia consiste em lançar seus filmes (de Duna a O Esquadrão Suicida) em ambas as plataformas inicialmente no ano de 2021. Ou seja: ainda não há um plano final de que isso acontecerá todos os anos, com todas as produções do estúdio. E, de qualquer forma, o espectador poderá escolher por qual meio irá assistir às produções.

    O cinema ainda é uma opção. O problema é que, talvez, ele não seja mais a prioridade para alguns.

    O que acontece nesta curiosa e chocante situação é que a janela de exibição entre o cinema e o streaming passa a inexistir para a Warner - pelo menos em 2021. Outros grandes estúdios ainda não tomaram esse passo, mas tudo começar com a Warner, que é detentora de grandes títulos e franquias, não deixa de ser algo grande. O estúdio que mais chegou perto da Warner foi a Universal Pictures, que diminuiu sua janela de exibição para três semanas.

    Além disso, apesar de estarmos diante de novidades otimistas no que diz respeito à pandemia - com a possibilidade de vacinação mundial ao longo de 2021 -, o grande passo dado pela Warner também pensa neste ponto: é preciso esperar que boa parte da população esteja vacinada contra o coronavírus para, então, voltar a pensar de acordo com os formatos tradicionais.

    E é aí que entramos no verdadeiro ponto da discussão: o cinema não irá acabar, mas o tal formato tradicional, sim. 

    A chegada do Disney+ ao Brasil e América Latina em novembro destacou ainda mais estes "novos tempos", que estão chegando com mais rapidez do que o esperado. Em um mundo pré-pandêmico, em 2019, as discussões ainda rodeavam o fato de a Netflix estar se estruturando como produtora/distribuidora de filmes, assim como o ganho dos holofotes em temporadas de premiações - tendo RomaHistória de um CasamentoO Irlandês como exemplos mais recentes.

    Agora, a realidade é outra - e ela veio com mais intensidade, tão inesperada quanto o vírus. Uma coisa acabou "ajudando" a outra dentro do cenário cinematográfico, pois o aumento da diversidade no streaming e a impossibilidade de ir ao cinema sem tantas restrições (isso nos lugares em que as salas estão abertas) fizeram com que boa parte dos cinéfilos se acostumasse com a facilidade do acesso a tantos tipos de conteúdos no sofá de casa.

    Portanto, tendo como principal exemplo a atitude da Warnermedia, que refletirá imensamente no mercado cinematográfico em 2021, o cinema como conhecíamos em 2019 talvez não volte a ser 100% o que era em 2021 ou 2022.

    Salas devem fechar e menos pessoas devem optar por elas. Mas não é possível declarar que o cinema chegou ao fim enquanto ainda não vivenciarmos este cenário ainda mais dividido entre salas de cinema e streaming.

    Quando a pandemia passar, saberemos. Mas os festivais de cinema continuarão existindo, assim como os cinemas de rua e os demais espaços que privilegiam a experiência coletiva. Pelo menos, é o que esperamos diante de uma realidade inconstante.

    Tudo o que foi abordado neste texto não deixa de formar um pensamento que assusta um pouco (afinal, a rapidez com que a discussão tomou conta da internet foi abrupta), mas a adaptação de mídias é algo que vem acontecendo cada vez mais após o surgimento da internet. Revistas e CD's passaram por transições digitais ao longo dos anos e o cinema eventualmente entraria no mesmo contexto. Mas, neste último caso, já sabemos que a coexistência é possível, e que um formato não anula o outro.

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    Comentários
    • Murillo Ramos Mello
      Amo cinema, vou mais de 50x no ano... mas acho que tem que acabar sim!Muita gente sem educação, fica conversando o tempo todo, mexendo no celular... tira toda a magia e foco do filme. Fora que a maioria dos filmes são Dublados.O único que se salva, é o Petra Belas Artes, mas como povo educado está escasso, vai fechar momentaneamente por falta de publico.Fora os valores do Cinema, não o ingresso apenas, mas cinemas chegam a cobrar 100 reais por um kit de pipoca (vide Cinépolis JK Iguatemi) e também estacionamento.Vou sentir muita falta, mas que possamos assistir a mais lançamentos no conforto, escurinho e silencio de casa.
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