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    Olhar de Cinema 2020: Filmes da competição, Nasir e Los Lobos contam histórias que se engrandecem diante do cotidiano
    Por Barbara Demerov — 15 de out. de 2020 às 13:00
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    Histórias sobre intolerância, capitalismo e isolamento.

    A Mostra Competitiva do Olhar de Cinema 2020 está acirrada. Os filmes que a compõem entregam temas tão plurais quanto universais, o que traduz muito o significado do cinema enquanto ferramenta das mais diversas reflexões.

    A Metamorfose dos Pássaros, por exemplo, entrega a experiência íntima da diretora Catarina Vasconcelos referente à própria família, e ainda assim faz com que memórias de um círculo de pessoas saiam do imaginário e encontrem sentido mundo afora, pois falam sobre questões universais. Leia a crítica.

    Los Lobos, dirigido por Samuel Kishi, e Nasir, de Arun Karthick, são duas obras ficcionais, mas que ao mesmo tempo documentam a realidade como ela é.

    Los Lobos conta a história de uma mãe e seus dois filhos, imigrantes que chegam ao Novo México à procura de uma vida melhor. Através de muitas cenas dentro do apartamento que alugam ao chegar ali, o filme se desenrola num misto de acolhimento familiar e isolamento -- uma vez que a mãe tem de trabalhar fora todos os dias e provar que é apta para morar sozinha em outro país.

    É possível comparar Los Lobos com a rotina precária e ao mesmo tempo composta por lapsos de alegria inocente vista em Projeto Florida. Porém, a obra presente no festival é mais crua no sentido de se afastar de um universo colorido e perfeito (no caso, a Disney). Assim, ele foca bastante na atmosfera limitada de um pequeno apartamento como o agente de afetos, que, mesmo sendo um tanto raros, possuem forte peso na vida dos dois irmãos.

    Nasir possui cores de sobra em sua fotografia, cuja história é centrada no muçulmano que dá título ao filme. A narrativa dá espaço para o espectador acompanhar o dia a dia do protagonista, um vendedor. Isso resulta em uma espécie de poesia cinematográfica, já que acompanhamos a vida de Nasir em casa, na rua e no trabalho.

    Existe uma preocupação do diretor em mostrar com tanto detalhe e afinco a rotina de Nasir que, propositalmente, os problemas da vida real (como a intolerância religiosa) ficam sempre no fundo, apenas esperando para chegarem à superfície. Mas eles estão ali -- e é por isso que as cenas finais sejam tão impactantes.

    De forma simultânea, Karthick apresenta uma história baseada nos belos detalhes que a vida proporciona em segundo plano e na cruel realidade que pode nos alcançar subitamente.

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