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    O Diabo de Cada Dia e outros filmes que abordam o fanatismo religioso
    Por Kalel Adolfo e Barbara Demerov — 24 de set. de 2020 às 20:01
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    O novo filme do diretor filho de brasileiros Antonio Campos saiu recentemente na Netflix, e explora as facetas sombrias da religião.

    Desde que foi lançado, O Diabo de Cada Dia vem ocasionando discussões enfáticas por conta de sua temática. Na trama, acompanhamos um grupo de pessoas buscando redenção através da religião. Contudo, a fé destes indivíduos acaba se transformando em um escudo contra os traços mais obscuros de suas personalidades.

    O longa possui momentos bem indigestos, e reforça a importância de manter um equilíbrio quando discutimos sobre espiritualidade. Ter crenças pode deixar de ser saudável quando não estabelecemos os limites entre a razão e a emoção.

    Essa é uma temática que vem sendo abordada em produções audiovisuais há décadas, e o filme da Netflix não será o primeiro (e nem o último) a proporcionar um novo ângulo para este debate. Pensando nisso, separamos oito obras que cutucam a ferida do fanatismo religioso de formas criativas, intensas e provocantes:

    O Homem de Palha (1973)

    Robin Hardy, o cineasta por trás de O Homem de Palha, marcou o seu nome na história da sétima arte ao retratar o quão longe as pessoas estão dispostas a ir em nome da religião. Na trama central, um policial viaja para uma ilha a fim de investigar o desaparecimento de uma menina. Mas chegando lá, todos os moradores afirmam nunca terem visto a criança em suas vidas.

    Não satisfeito com as respostas obtidas, o protagonista permanece no local, e começa a analisar a rotina de todos os suspeitos. Mas é aquele ditado: quem procura acha. E no caso de O Homem de Palha, o segredo desvendado por Howie (Edward Woodward) acaba lhe custando caro.

    • Onde assistir online: N/A

    -Kalel Adolfo

    Midsommar (2019)

    O longa-metragem mais recente de Ari Aster dividiu o público por conta de sua temática e cenas surpreendentes. Com o protagonismo da jovem atriz Florence Pugh, Midsommar possui forte impacto por abordar paganismo e seus rituais mais tradicionais - como o do próprio título, mas de uma maneira um tanto assustadora.

    O solstício de verão na Suécia, local onde toda a trama do filme se desenrola, acontece de verdade e o ritual que dá nome à produção busca celebrar a natureza e sua fertilidade, justamente no dia em que o Sol e a Terra estão em suas fases mais reprodutivas. Bizarro, não? Se você ainda não assistiu ao filme, espere para ver uma bizarrice atrás da outra…

    • Onde assistir online: Amazon Prime Video

    -Barbara Demerov

    Midsommar e outros filmes que são melhores na versão do diretor

    Wild Wild Country (2018)

    Wild Wild Country é uma assustadora série documental da Netflix que retrata a construção de uma cidade utópica no deserto de Oregon. Lá, uma líder de seita hipnotiza centenas de fiéis a se comportarem de maneira padronizada. Contudo, toda a “fé cega” dos moradores transforma o local em um palco de crimes arrepiantes.

    • Onde assistir online: Netflix

    -Kalel Adolfo

    O Código da Vinci (2006)

    Apesar de ser um filme de investigação repleto de mistério, O Código da Vinci introduz algumas reflexões acerca do cristianismo e causou polêmica à época de seu lançamento. A história investiga o Santo Graal e o papel de Maria Madalena na História.

    Tanto no livro de Dan Brown quanto no filme de Ron Roward, um dos personagens é o monge chamado Silas (Paul Bethany), que chocou o público em cenas em que se auto-tortura. Mas a polêmica do filme não se deve a isso: em diversos países, como Egito, China e Índia, o drama foi banido por "manchar a memória de figuras cristãs e islâmicas, contradizendo a verdade escrita na Bíblia e no Alcorão sobre Jesus". Outros locais exigiram que o estúdio destacasse que esta história é puramente fictícia.

    • Onde assistir online: Claro Video e Globo Play 

    -Barbara Demerov

    Relembre outros filmes que foram banidos além de Mulher-Maravilha

    Holy Hell (2016)

    Holy Hell é um dos documentários mais polêmicos da última década. Will Allen — o diretor da obra — acompanhou o líder de uma seita por 22 anos, e exibiu o resultado no Festival de Sundance. Ao final da película, todos no local estavam chocados.

    O guru espiritual que ficou conhecido mundialmente como “O Professor” era um ex-ator pornô, que decidiu criar a sua própria religião. Ao se aproveitar de indivíduos mentalmente instáveis, ele conseguiu obrigar mulheres a abortar, e estuprou diversos garotos. Quando divulgou o documentário, Allen escondeu o seu nome dos créditos por ter medo de ser perseguido.

    • Onde assistir online: N/A

    -Kalel Adolfo

    8 filmes (muito) polêmicos de temática cristã

    O Mestre (2012)

    Do diretor Paul Thomas AndersonO Mestre traz um elenco de peso para falar sobre um tema um tanto espinhoso: a cientologia. Inspirado em fatos e tomando como base o próprio criador da organização, Lancaster Dodd, o filme conta com Philip Seymour Hoffman no papel do físico e filósofo, Amy Adams e Joaquin Phoenix. É um drama denso e muito instigante que fala sobre líderes religiosos e até onde seus discípulos podem chegar pela causa na qual acreditam.

    • Onde assistir online: Claro Video

    -Barbara Demerov

    Mãe! (2017)

    Arrisco dizer que Mãe! é o filme mais polarizador da última década. Dirigido pelo aclamado Darren Aronofsky (Cisne Negro), a obra é uma viagem atordoante e psicótica às origens do cristianismo. Quando saiu, ninguém entendeu muita coisa, e o cineasta acabou explicando todo o conceito do longa. Por esse motivo, alguns criticam a obra até hoje, afirmando que se a narrativa fosse boa, Aronofsky não precisaria esclarecer a sua mensagem. Foi aí que Mother! ganhou a fama de ser pretencioso.

    Porém — defeitos à parte — o longa definitivamente consegue causar incômodo em quem está o assistindo. A devoção extrema à religião abordada na história acaba provocando agressões físicas, abusos psicológicos e até assassinato. Por isso, gostando ou não, a obra lançada em 2017 é um bom lembrete de que até mesmo a espiritualidade precisa ter limites.

    • Onde assistir online: Telecine

    -Kalel Adolfo

    Quem poderia dirigir um filme sobre o ano de 2020?

    Carrie, A Estranha (1976)

    Tanto a versão de 1976, dirigida por Brian De Palma, e a de 2013, de Kimberly Peirce, concentram o foco do terror diretamente no fanatismo religioso e na intolerância, que surgem a partir da mãe rigorosa da jovem protagonista, dona de poderes telecinéticos.

    É claro que há bastante terror psicológico nesta história de Stephen King, mas é bem interessante ver como o autor se apega a temas humanos e reais para compor a jornada de horror de Carrie, tocando na religião como ponto de crítica e reflexão. Aliás, essa é uma das principais características do autor, não importando se há monstros e espíritos inseridos em suas tramas.

    • Onde assistir online: Telecine (Brian de Palma) e iTunes (Refilmagem) 

    -Barbara Demerov

    As 5 melhores (e piores!) adaptações de obras do Stephen King

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