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    Os Croods 2: Família das cavernas vai encarar as diferenças ao conhecer um novo mundo e seus habitantes (Entrevista)
    Por Paola Piola e Amanda Brandão — 21 de set. de 2020 às 10:01
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    Os Croods: Uma Nova Era estreia em 2021 e mostrará Grug e companhia fazendo novos amigos.

    Em Os Croods, de 2013, o público conhece uma família das cavernas que estava desbravando as novidades do mundo longe de suas raízes. Agora, na sequência do longa prevista para estrear em 2021, os personagens estão em um mundo totalmente diferente do deles. Os Croods: Uma Nova Era acaba de ganhar um primeiro trailer super animado e colorido que os traz conhecendo um novo lugar e uma outra família que tem costumes bem inéditos para eles. A versão original contará com a dublagem de Nicolas CageEmma StoneRyan Reynolds e Peter Dinklage (Game of Thrones) que estreia no filme.

    Ainda sem data confirmada, Os Croods 2: Uma Nova Era estreia em janeiro de 2021 no Brasil.



    A sequência do longa de 2013 tem direção de Joel Crawford e produção de Mark Swift e a Vitoria Pratini aqui do AdoroCinema bateu um papo com os dois para saber um pouco mais do que vem por aí!

    ADC: Então, como foi construir esse novo mundo mais "moderno"?

    Joel Crawford: Em Os Croods 2, nós estamos começando de onde o outro filme parou há sete anos. E o engraçado é que os Croods vivem em um período que nós chamamos de "crudacious period", um tempo intermediário onde o mundo está se descobrindo, e por isso temos a possibilidade de ter essas criaturas híbridas. Então, a gente tem a possibilidade de continuar isso e ver mais sobre esse mundo louco. Mas, para mim, o mais empolgante foi poder acompanhar aqueles personagens que amamos do primeiro filme, essa família disfuncional com quem podemos nos identificar e sentir que há algo realmente bom em se sentir como uma unidade familiar e parte central da história que nos leva adiante. 

    Mark Swift: A premissa do filme é sobre esse conflito de culturas onde o homem encontra o homem moderno e vem ao mundo moderno pela primeira vez e eles vêem coisas que nunca viram antes. É um grande salto para o homem das cavernas que está vivendo na estrada e caem na casa dos Betterman que tem tecnologia moderna, que inclui quartos e janelas e mesa de jantar e coisas assim. Então, eu acho que nos divertimos muito vendo como os Croods se relacionam com todas essas coisas novas.

    ADC: Eu percebi que o trailer está bem colorido. Vocês fizeram o filme pensando nas novas audiências, crianças que hoje em dia adoram YouTube e coisas bem coloridas e grandes criaturas?

    JC: Nós tomamos muito cuidado para tudo se encaixar no universo dos Croods. Temos uma grande evolução em tecnologia em comparação há 10 anos quando comecei o primeiro filme, mas nele a história era sobre o mundo acabando, existia um elemento sombrio, então isso não pedia tantas cores. E agora se trata sobre duas famílias muito diferentes se encontrando, mas que caminha para uma aventura onde eles passam a se admirar, e o melhor cenário para isso tudo era um mundo vibrante, colorido, divertido.

    MS: Quando você começa a contar essas histórias, você apenas tenta contá-las da melhor maneira que você pode e espera que o negócio flua. Como agora temos os Croods entrando na fazendo dos Betterman, pela primeira vez nos dá a oportunidade de nos divertir com alguns animais. No primeiro filme, todas as criaturas que eles encontravam estavam tentando comê-los ou vice-versa, e agora temos o equivalente a vacas, porcos e galinhas. Isso nos deu uma chance de fazer esses personagens um pouco mais bonitos.

    ADC: O que foi mais desafiador nesse filme?

    JC: Bom, tirando a parte do Covid, eu fiquei muito impressionado com a capacidade de todos de se unirem e fazerem esse filme sem se sacrificar e com uma ótima qualidade. O que mais me tirava o sono era como iríamos retratar essa família e personagens que tanto amamos, ao mesmo tempo em temos esses três novos personagens e garantisse que todo mundo tivesse um papel e tempo de tela. Porque eu quero que quando você assista ao filme, você sinta que essa é sua família porque você conhece esses personagens e suas peculiaridades tão bem. Mas tudo saiu lindamente e é uma jornada muito divertida de, ao final, desfrutar de todas as interações na dinâmica entre esses personagens únicos.

    MS: Acho que a coisa mais desafiadora em qualquer filme é inventar uma história que seja atraente e que goste das pessoas. E uma parte em que espero termos feito a escolha certa foi que, originalmente, quando pegamos este filme ele era um triângulo amoroso entre Guy, Eep e Dawn. E nós olhamos para isso e pensamos “Uau! Se duas adolescentes se conhecessem pela primeira vez, elas ficariam com ciúmes uma da outra ou ficariam realmente animadas em conhecer uma outra garota? E optamos por ter as duas tão entusiasmadas em finalmente ter um amigo de sua idade, que acho que isso será atraente quando mostrarmos às pessoas. Então, são as escolhas que você faz e que mudam um filme.

    ADC:  Como é abordado o empoderamento feminino na história? Porque agora temos Eep e uma nova amiga.

    JC: Fizemos algumas escolhas que quase pareciam lutar contra a fórmula da narrativa, mas precisávamos ser fiéis ao personagem. Vou dar um exemplo: começamos o filme com Eep e seu novo namorado, Guy, e eles sentem que pertencem um ao outro porque são os únicos dois adolescentes no mundo. E então temos esta oportunidade única quando Eep conhece a amiga de infância de Guy, a filha dos Betterman, e achamos que ela ficará enciumada, porque estamos acostumados com esse mundo onde vamos à escola e todo o drama que envolve. Mas no mundo dos Croods eles não convivem com outros adolescentes e ela não sabe o que é ciúmes. Ela só vê uma outra garota igual a ela. E eu amo a parte em que ela comemora que tem uma amiga menina. Convencionalmente, Dawn seria a rival e nós não fizemos essa escolha de propósito. A relação delas é algo pelo qual você vibra ao longo do filme. Elas não sentam e falam sobre homens apenas, elas realmente estão interessadas uma na outra e têm suas peculiaridades, não são “princesinhas”. Tem uma cena que eu adoro que as duas estão na casa de Dawn, um lugar murado onde ela passou toda a vida, e ela vê as cicatrizes de Eep, que representam aventuras da personagem no mundo louco do lado de fora, e fica impressionada e encantada, é muito divertido.  Essa dinâmica é muito empoderadora e não parece vir de um lugar fabricado. 

    MS: Para nós é muito importante ter personagens femininas fortes e as encontramos no primeiro filme. Certamente não queríamos fazer um filme em que elas fossem secundárias em relação ao homem, mas o centro da história. E, de fato, esse empoderamento feminino de que você fala é o que salva o dia neste filme. Nós temos um enredo muito divertido para Gram, que no primeiro filme era mais um alívio cômico. Nesse filme, ela é o centro das atenções e inspira e empodera as mulheres para um lugar que eu acho super, super divertido, que eventualmente é a razão pela qual salvamos o dia. 

    ADC: Você diria que o filme passa no Teste de Bechdel?

    JC: Isso é ótimo. Nós estávamos, sim, conscientes disso conforme produzíamos, mas existem as necessidades de roteiro, e essa é uma comédia romântica, então é difícil não falar disso. Você tem Eep e Guy apaixonados, num início de relacionamento, e são desafiados e se separam. Como mostrar que é através dessa experiência que eles descobrem que realmente pertencem um ao outro e precisam um do outro? Nós fizemos alguns malabarismos  para equilibrar isso e mostrar que era importante, mas também mostrar do ponto de vista do personagem que “ok, Eep está curtindo essa amizade com Dawn, mas ela teve esse momento de rompimento na vida dela também, então ela vai sim falar honestamente sobre isso e Guy em alguns momentos”. Mas tiveram partes em que decidimos que “ok, ela não vai falar sobre Guy aqui”. Então, se eu fosse contar as palavras, não sei em que parte do teste estamos, mas era algo que tínhamos consciência ao longo do caminho.

    ADC: Como foi a escolha dos dubladores?

    MS: Além das pessoas do primeiro filme, nós tivemos que selecionar novos para os Betterman. E, inicialmente, eles são muito diferentes dos Croods, mais avançados, mais modernos e mais intelectuais. E Peter Dinklage (Mr. Betterman) é perfeito para isso. E então ele tem uma voz tão rica que parece shakespeariana. E Leslie Mann é uma gênia do humor. Acho que ambos fizeram um ótimo trabalho. E a filha Dawn é uma garota que está sendo educada em casa e nunca conheceu outra criança. Ela nunca saiu daquela muralha. E então queríamos que ela fosse peculiar, mas realmente calorosa e Kelly Marie Tran capturou isso perfeitamente de alguém que é um pouco diferente, mas um personagem por quem você torce e isso é tão atraente.

    ADC: E como o pai dos Crood, que a princípio não queria sair da caverna, vai encarar esse novo mundo?

    MS: Sim, ele está ameaçado por isso. Grug passou sua vida inteira protegendo sua família. Essa é a sua missão. É tudo o que ele faz até no final do primeiro filme. Ele ainda é aquele cara se sacrificando pela família. Agora ele vem ao mundo onde tudo é perfeito, que atrás da parede não há perigo, ele não tem mais um papel. Qual é o seu papel naquele mundo onde sua família não precisa dele da mesma forma que sempre fez? Ele tem que se ajustar e, claro, ele não gosta disso. Agora seu dever é tentar encontrar o seu lugar dentro desse mundo. E o que é muito, muito fofo é que ele e Mr. Betterman têm um confronto apenas para se descobrirem da mesma forma como é com as meninas. É muito bom ter um amigo e eles se juntam no final de uma maneira muito divertida que acho que as pessoas vão gostar.

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