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    Cauã Reymond propõe reflexão social em novo curta de ficção científica (Entrevista Exclusiva)
    Por Amanda Brandão — 17 de set. de 2020 às 18:13
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    Produção disponível no Youtube traz previsões para o futuro: "Eu, Cauã, não gostaria que fosse assim", declarou o ator.

    Cauã Reymond é um dos principais nomes da TV brasileira e, de uns anos para cá, apostou no cinema em filmes como Uma Quase Dupla, e séries, em Ilha de Ferro. Agora, o astro protagoniza o curta Protesys, com direção de Afonso Poyart.

    Repetindo a parceria da série do Globoplay, o ator estrela a produção ao lado do atleta paralímpico Flávio Reitz. O curta, que mistura documentário com ficção, mostra a história de superação do medalhista paralímpico. Na trama, a reviravolta acontece quando Flávio é convidado por uma startup para testar uma revolucionária tecnologia de próteses biônicas.

    A partir deste ponto, o curta coloca o espectador para se questionar se essa tecnologia está realmente não distante do que imaginamos e qual será o limite para esses novos super atletas, capazes de atingir metas tão extremas.

    O curta foi inteiramente disponibilizado no YouTube e já conta com mais de 25 mil visualizações. Em entrevista ao AdoroCinema, Cauã comentou sobre a discussão que Protesys gera e também sobre os próximos projetos derivados do curta. Afonso, o diretor, contou sobre o sonho de trabalhar com ficção científica.

    Cauã assume dois papéis em Protesys

    O ator teve uma boa conexão com Afonso durante o trabalho em Ilha de Ferro e foi a partir daí que surgiu o convite de trabalhar em Protesys, o projeto do cineasta. Na época de filmagens, o diretor apresentou para Cauã o roteiro do longa (que será parte do universo do curta) e o ator gostou da ideia. 

    O curta surgiu então com o intuito de apresentar ao público a ideia do filme e, por apostar e gostar do projeto, o ator conta que se prontificou a participar e atuar sem cachê. “Passei dois dias em São Paulo filmando com ele, com o Flávio - que na minha opinião também deu um show”, disse.

    Mesmo sem o costume de se assistir para sentir mais liberdade nos trabalhos, após assistir ao curta, ele afirma que se impressionou com o resultado e conversou com Afonso - foi quando surgiu o papel de produtor executivo de Cauã em Protesys. “Ao assistir, fiquei feliz porque tive esse impacto de que parece muito real. Então disse que eu poderia ajudar como produtor executivo e ele topou. Participei como ator e, quando ficou pronto, passei a participar como produtor executivo apresentando o projeto junto com o Afonso para as pessoas”.

    A ideia é, portanto que o curta seja o primeiro capítulo de uma série e, ao lado de Afonso, Cauã está em negociações para que sejam produzidos uma série e um longa

    A ideia de Protesys e o foco do filme

    Afonso Poyart conta, em entrevista, que o projeto surgiu cerca de dois anos atrás juntamente de dois amigos do mundo da publicidade. “Eles imaginaram esse universo no mundo com o avanço das próteses robóticas, os paratletas utilizando esses equipamentos passam a performar de uma maneira incrível, quase como super humanos. E a partir daí começamos a imaginar este universo dentro de um filme”, contou o cineasta.

    Para Afonso, a história do esporte paralímpico é muito encantadora e é sobre isso que o filme vai falar. “O curta é originário do longa. O foco especial do filme é o universo onde os paratletas usando estes equipamentos novos conseguem atingir performances incríveis, inclusive ultrapassando atletas convencionais. Na verdade, o curta é um prólogo dessa “revolução”, é um momento onde está sendo desenvolvido e testado essa tecnologia e o Flávio veio para ajudar a desenvolver”, completou.

    Já a trama vai acompanhar a história de duas irmãs mirins que vem de uma família de atletas. Uma delas compete nas categorias tradicionais e a outra tem uma doença congênita e pratica o paraesporte. Nas palavras de Poyart, o filme “conta sobre ambição, vaidade e o papel dos paratletas com esse avanço das próteses biônicas”.

    “O curta foi lançado para criar no público essa curiosidade de: ‘que coisa é essa? É ficção? Documentário?’. Criar um pouco essa dúvida de que piração é essa. No longa, eu não vou ser eu, eu vou ter um personagem e vai ser em um futuro que a gente imagina que não é tão distante”, comentou Cauã Reymond sobre o seu papel no filme que está por vir. A ideia é que o longa seja produzido em 2021 ou 2022.


    A ficção científica como uma discussão social

    Cauã, que se revelou fã de filmes como Blade Runner e Ad Astra, comentou sobre a ficção científica em Protesys. “Quando eu assisti, fiquei com a sensação de que o salto final do Flávio era uma coisa de ficção científica, mas o resto do curta não. Uma das coisas interessantes é que no roteiro do filme e da série, essa tecnologia que usamos nas próteses vai transbordar para outros lugares da sociedade”, disse.

    Para ele, o curta e o longa podem servir como uma reflexão social a partir dessas tecnologias que serão disponibilizadas no futuro. “Isso também aumenta a distância social que vemos crescendo, principalmente agora com a pandemia, com a crise econômica. Na maioria dos países a distância entre o rico e o pobre, a classe média sendo espremida, só aumenta. Então com essas próteses vai ficar cada vez mais visível essa situação”, comentou o ator.

    “Protesys vai falar um pouco dessa distância social, e de como a inteligência artificial pode ser usada, para o bem e para o mal. Acho que vamos convidar o espectador a entrar nesse universo que imaginamos que pode ser o futuro, mas eu, Cauã, não gostaria que fosse assim”, afirmou.

    O ator também contou que, para a sua preparação para o curta, ele pensou em ter a mesma sensação de alguém que estivesse assistindo à produção e que se conectou muito com a questão de superação emocional que Protesys aborda.

    “O curta fala sobre superação emocional, que também já está no roteiro do longa. O atleta, principalmente no Brasil, já sofre muito para chegar no lugar de sucesso, de êxito, quando chega não necessariamente é bem pago por isso - às vezes mesmo sendo bem sucedido tem uma vida simples. Então, por ser um atleta paraolímpico, ele já tem uma superação que não passa só pelo financeiro e pelo físico, mas uma superação emocional. Me conectei muito com isso por gostar muito de esporte, eu me emociono muito com histórias de superação, por conta da minha história também e isso eu trouxe para o projeto, coloquei a minha emoção neste lugar”, disse ele sobre a preparação.

    Série e novela na Globo: os próximos projetos de Cauã Reymond

    Após um longo período afastado das novelas e dedicando-se aos filmes e séries, Cauã em breve volta para as telinhas. “Fui me preparando ao longo da minha carreira para estar nos cinemas, não foi uma ação que tomei de uma hora para a outra. Minha mãe ficou com câncer e decidi passar mais tempo tanto com a minha filha. Juntei uma coisa na outra para poder estar mais presente com a minha mãe e minha filha porque no cinema os ciclos são mais curtos, não menos intensos, mas mais curtos do que uma novela por exemplo”.

    Além de trabalhar como produtor executivo de Protesys ao lado de Afonso, Cauã está desenvolvendo uma série para a Globo e vai voltar a se preparar para voltar às gravações. “Vou voltar a me preparar porque já estava gravando, mas acho importante eu me aquecer de novo porque vou fazer gêmeos, vou ser um dos protagonistas da novela. São dois, o que é engraçado porque já fiz dois em uma minissérie com o Fernando Carvalho e o Milton Hatoum e agora vou fazer gêmeos de novo. Já é raro para um ator fazer gêmeos, duas vezes então”, brincou ele.

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