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    Por que 365 DNI é o filme mais problemático na Netflix? (Opinião)
    Por Barbara Demerov — 10 de jun. de 2020 às 16:18
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    História comparada a 50 Tons de Cinza e que romantiza a subserviência está gerando discussão na internet.

    365 Days, filme polonês que estreou na Netflix recentemente, pode ser visto como uma releitura de 50 Tons de Cinza, mas em níveis ainda mais extremos e chocantes: aqui, temos um protagonista milionário viciado em exercer seu poder através de atitudes violentas e do sexo, além de uma figura feminina que não hesita em trocar sua vida independente por uma rotina aprisionada, fadada a oferecer prazer. Um relacionamento real, não idealizado, está fora de cogitação.

    Mas, ao contrário da história de Christian Grey (Jamie Dornan) e Anastasia Steele (Dakota Johnson), cujo romance começa até mais gradual quando o casal se conhece de forma inusitada, sem planejamento, no caso de 365 Days o suposto "romance" não só é forçado, como se encaixa mais como uma trama estritamente visada para o sentido pornográfico.

    Até aí, o problema não se encontra no fato de o filme ser quase um pornô, mas sim pela questão do roteiro romantizar ao máximo situações violentas e abusivas para, então, nos apresentar cenas de sexo quase explícito. Desta forma, a impressão é de que o sexo vem como uma recompensa após tantos joguinhos mentais que não fazem o menor sentido.

    Nas redes sociais, o longa está gerando um grande debate com relação às ações de Massimo (Michele Morrone) para com Laura (Anna Maria Sieklucka). Afinal, o personagem, que faz parte da máfia italiana, sequestra Laura pois ela se parece exatamente com uma mulher que surgiu como uma miragem quando Massimo esta à beira da morte. Quando ela é sequestrada, Massimo propõe de forma obrigatória que Laura permaneça com ele por um ano até que ela se apaixone por ele.

    O QUE TORNA 365 DAYS REALMENTE PROBLEMÁTICO?

    A sinopse já explicita os absurdos que estão por vir. Mas, sem nos limitarmos aos furos da narrativa e aspectos técnicos falhos (como a montagem apressada e a direção de atores), 365 Days vai muito além de não ser um bom filme. Além da evidente falta de atenção às questões de roteiro e da vontade em construir um romance interessante, que evolui junto com os personagens, Massimo é um homem completamente desprezível, que se satisfaz ao ver as mulheres aos seus pés. Por ser uma espécie de Christian Grey da máfia, ele se aproveita de todos os clichês possíveis (como carros e casas luxuosas) para provar seu poder e influência. 

    De início, Laura não se impressiona - até porque ela foi sequestrada por um completo estranho -, mas aos poucos (e de forma abrupta) a moça se acostuma com a possibilidade de passar 365 dias presa em um oásis, ganhando roupas e indo a festas luxuosas. Boa parte da discussão na internet com relação ao filme é focada na normalização de um relacionamento que não só é abusivo como também criminoso.

    Por estarmos em tempos de quarentena e isolamento social, há quem diga que 365 Days aguce a sexualidade e libido reprimida dos espectadores. Mas pensar desta forma diante de cenas em que Massimo obriga uma mulher a fazer sexo oral nele ou puxa/empurra Laura enquanto fala, calmamente, que "não fará nada sem sua permissão" não é correto. Mais do que isso: conectar o erotismo com atos de repressão e abuso físico e mental nunca deveria ser algo normalizado.

    Mas não é o que está acontecendo no momento. 365 Days não está rendendo tanta discussão sobre o fato de Massimo ser um vilão escondido no corpo de um homem romântico, mas sim no "embate" entre quem é o favorito entre as mulheres: Massimo ou Christian Grey.

    Chega a ser triste ter que destacar os erros comportamentais vistos na produção polonesa em pleno 2020, época em que vemos diversas pautas e reflexões relacionadas à importância do feminismo e da voz própria. 365 Days apaga toda e qualquer força em Laura para trazer a autoridade masculina a todo o custo. Tanto que o desfecho desta história é trágico - mas só para o lado da mulher.

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    Comentários
    • Eric Santos
      Não tem como curtir comentário aqui, então, aqui vai um like digitado: LIKE S2
    • LAYDE DYANA Sierau
      Concordo com isso. Não sei se mais alguém viu esse filme como releitura erotica da Bela e a Fera, por sinal outra ótima ficção.
    • LAYDE DYANA Sierau
      Sinceramente vi mais síndrome de Estocolmo que submissão feminina. Consider-me feminista, não aprovo a situação mas não pelo sentido sexual, e sim pelo caráter e profissão do homem, que só pode dar problema no fim. Concordo que devemos ver isso como ficção e, caso cada um queira tirar conclusão pessoal, é direito de cada um ficar à vontade para isso. Tudo por tudo, não entendo porque esse filme é tão problemático. A série cinquenta tons trata bem mais de submissão que este - na minha opinião.De mais a mais, sempre digo que devemos expor nosso pensamento, mas respeitando o dos outros.
    • Carol
      Fato!
    • João
      Quem escreveu o artigo deve ser uma feminista das mais chata.
    • Carol
      O que é que o Boso tem a ver com esse assunto criatura??? hahahahahhaaha Na boa... Sem mais.
    • god
      você com certeza é eleitora do Boso
    • god
      gado... você com certeza é eleitora do Boso
    • Carol
      Pra mim isso é só mimimi de gente reprimida e com a sexualidade mal resolvida. PQP!!!! vcs problematizam tudo com esss narrativas feministas. Meeeuuuuu! É só uma ficção. Baseada em fetiches. Tem tanta coisa bizarra no cinema, na TV, no teatro... Porque não problematizaram branca de Neve? Uma mulher lavando e cozinhando para 7 homens. Não poderia ser o contrário! Muito machismo não acham?? Ariel abre mão da própria identidade por causa de macho. ahhhh se lascar mano! O filme apenas retrata a realidade. O que tem de garota de “familia” se prostituindo la na Europa por muito menos que isso. Não precisa ir longe. Os bailes funks só rola baixaria. Novelas da Globo idem. Fatima Bernardes as 10 da manha com as crianças em casa incentivando masturbação. “Movimentos culturais” apresentando bizarrices anais e crianças tocando partes intimas de adultos. Aquela tal de Luisa , ex do comediante, fazendo putaria explícita com o cabeludinho, clipe e letra escrotos pra caramba. Menina apanhando na bunda, faturando milhões, vendendo o corpo na midia em nome da “arte” e vcs aplaudem. Acham lindo a putaria solta no instagram. Mas o filme na plataforma fechada, com senha e privado para crianças vc demonizam. Vcs são um bando de demagogos e hipócritas! Vejo apenas o imundo falando do mal lavado. Sem mais.
    • Tiagoseiyapb
      Concordo e de fato isso ai não foge da realidade quantas mulheres que não vemos historia se render a dinheiro, status ou traficantes, isso não foge de uma certa realidade, eu não vi o filme ainda porem já me despertou a vontade de ver só pra tentar embarcar e tentar entender nesse mimimi todo
    • Laura
      quanto mimimi, meu pai. as pessoas perderam a capacidade de apreciar entretenimento e arte, tem que problematizar TUDO! coisa mais chata.
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