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    Cinemateca Brasileira: Quais desafios Regina Duarte deve encontrar?
    Por Pablo Miyazawa — 20 de mai. de 2020 às 20:00
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    Entenda a importância da instituição que preserva o legado do cinema nacional e pode ser comandada pela ex-secretaria de Cultura.

    Divulgação

    A revelação da saída de Regina Duarte da liderança da Secretaria Especial de Cultura nesta quarta-feira (20) trouxe os holofotes a uma instituição de relevância máxima para a história de nosso Cinema. Trata-se da Cinemateca Brasileira, que, tudo leva a crer, deve passar a ser comandada pela atriz global de 73 anos — isso se certos entraves burocráticos forem resolvidos.

    Responsável pela "preservação e difusão da produção audiovisual brasileira", a Cinemateca abriga em sua sede, em São Paulo, milhares de filmes nacionais e estrangeiros e mais de um milhão de documentos relacionados ao Cinema, como fotos, roteiros, cartazes e publicações impressas. Localizada desde 1992 em um edifício tombado no bairro da Vila Mariana, (que até 1927 abrigava um matadouro), a coleção da instituição é considerada o “maior acervo de imagens em movimento da América Latina”, com mais de 200 mil rolos de filmes, que correspondem a 30 mil títulos, entre longas-metragens, documentários, programas jornalísticos e peças publicitárias, além de um catálogo digital com mais de 250 mil arquivos, que podem ser acessados pelo site da Cinemateca.

    A responsabilidade de conservar o rico legado do audiovisual brasileiro é uma missão de custo e risco elevados. Desde sua fundação, em 1946, a Cinemateca já sofreu com incêndios que danificaram seu acervo — o mais recente ocorreu em fevereiro de 2016 e causou estragos irreparáveis em mais de mil rolos de filmes antigos. No início deste ano, uma enchente em um galpão também inutilizou equipamentos, documentos históricos e mais de 100 mil cópias de filmes em DVD destinadas a cineclubes e escolas. Além desses desafios, a Cinemateca sempre enfrentou dificuldades financeiras históricas, acentuadas ainda mais desde o final do ano passado, quando a Associação de Comunicação Educativa Roquete Pinto (Acerp), órgão responsável pela administração da instituição, teve parte de suas verbas cortadas pelo governo federal.

    A escassez de recursos financeiros tem prejudicado a complexa manutenção do acervo da Cinemateca, já que os funcionários estão com pagamentos atrasados, e também é a causa de danos colaterais curiosos: por exemplo, um possível corte no fornecimento de luz da sede teria efeito desastroso, já que certos materiais mais sensíveis são conservados em salas climatizadas e correm o risco de se deteriorar rapidamente ou de sofrer autocombustão — justamente a causa do incêndio de 2016.

    Coincidência ou não, personalidades do cinema brasileiro estão se mobilizando sobre a causa. Na terça-feira (19), um dia antes da demissão da secretaria de Cultura, foi divulgada uma "carta-socorro" assinada por órgãos ligados ao audiovisual e cineastas como Fernando Meirelles, Walter Salles, Walter Lima Jr.Tizuka Yamazaki, Tatá Amaral e Kleber Mendonça Filho, entre outros. O documento alerta para o risco iminente de deterioração da coleção e o descaso do governo federal para com a Cinemateca. Caso Regina Duarte de fato ocupe um cargo de comando, vai enfrentar problemas antigos, intrincados e de difícil solução. 

    Aos que adoram cinema, resta torcer para que, sob nova direção ou não, a Cinemateca Brasileira consiga urgentemente viver dias melhores.

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