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    Aves de Rapina: Como o filme humaniza a Arlequina
    Por Caqui Bandeira — 7 de fev. de 2020 às 14:54
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    Harley Quinn ou Harleen Quinzel, e protagonista é muito mais complexa do que a gente pensava.

    Já em cartaz, Aves de Rapina - Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa traz uma versão da Harley Quinn que o público ainda não conhecia. Apresentada nos cinemas em Esquadrão Suicida, a vilã interpretada por Margot Robbie era só uma sociopata apaixonada por seu namorado. Porém, seu filme solo apresenta outro lado da personagem, trazendo-a mais para perto da realidade (mesmo que ainda muito longe de ser uma pessoa normal).

    Já de cara, o filme começa com a voz de Robbie contando do passado de Harley, uma menina deixada de lado pelo pai, abandonada em um convento, sempre muito tagarela e sem apreço pelas regras. Solitária após seu término, ela desesperadamente quer companhia, se apegando a qualquer um que lhe dê atenção - como Doc (Dana Lee), o dono do restaurante que aluga o apartamento em que ela mora. Eles não são próximos, tanto é que ele vende a localização dela para uma das pessoas que quer matá-la, mas ela o apresenta para Cassandra Cain (Ella Jay Basco) como "a única pessoa que se importa comigo".

    Aves de Rapina tenta mas não tenta te convencer de que ela é uma vilã. Toda vez que uma nova pessoa aparece para matá-la, já que ela não tem mais a proteção do Coringa, Arlequina dá uma leve explicação do que ela fez contra o indivíduo. Coisas banais que poderiam sempre ser evitadas, como quebrar as pernas do motorista do Máscara Negra (Ewan McGregor), ou tatuar o rosto de um homem por diversão. O lado sociopata continua ali, assim como seu gosto pela violência, mas Aves de rapina faz algo que Esquadrão Suicida (talvez pela quantidade de personagens) não conseguiu fazer.

    Ela pode ser louca, mas ela também guarda uma foto de quando ela pequena junto com as freiras que cuidavam dela. Este também é um dos primeiros itens que ela tenta salvar do apartamento após ser bombardeado. Sua preocupação tanto com Bruce, sua hiena, e com Doc nesta mesma cena mostra que ela tem um coração ali, até porque ela, como todo mundo, precisa de vínculos afetivos. As cenas em seu apartamento, principalmente as com Cassandra, mostram uma menina normal, dando comida para seu animal de estimação (mesmo sendo uma hiena), comendo cereal e assistindo desenho na televisão. É um momento bem gente como a gente, mesmo sendo precedido com o roubo do mercado e sucedido com a explosão do apartamento.

    A atuação de Robbie ajuda muito para elevar o quanto a platéia empatiza com a personagem, que ao mesmo tempo consegue passar a loucura e a vulnerabilidade da Arlequina. A diretora Cathy Yan e a roteirista Christina Hodson deixam bem claro quando Harley Quinn está na tela e quando Harleen Quinzel toma conta. A cena em que ela conta para Canário Negro (Jurnee Smollett-Bell) que ela e o Coringa terminaram, de verdade desta vez, com lágrimas no olhos, sobre o quão sozinha ela se sente, isso é Harleen. Segundos depois quando um homem lhe ofereceu uma bebida, Harley volta ao comando, com sorrisos e charme de sobra.

    Até mesmo sua relação com as outras mulheres do filme parte de um lugar de desespero mais do que qualquer outra coisa. A junção do time se dá só no terceiro ato do filme, ponto em que ela fez uma escolha terrível (escolhendo sua segurança em troca da vida de Cassandra), e por mais que a parceria seja muito divertida de assistir, ela ainda não sabe como se relacionar direito com pessoas “normais”. As Aves de Rapina surgem por uma questão de sobrevivência, mas mesmo com elas tentando se matar momentos antes, Harley fica extasiada em ter tanta gente no seu lado, lutando com ela, e não contra. Sempre botando à tona estes sentimentos tão humanos e tão relacionáveis, Harley Quinn, Arlequina e Harleen Quinzel não são tão diferentes de nós. Até porque, quem nunca fez burrices por paixão? Ou por um coração partido? Quem nunca confiou em alguém não tão confiável por não ter mais ninguém? Cometeu erros por motivos egoístas?

    Aves de Rapina deixa claro que ela não é só uma louca, dissimulada e vilã, mas também uma mulher solitária, que precisa de afeto e companhia. Isso não a torna uma boa pessoa, mesmo em seus melhores momentos, suas atitudes não são 100% boas. Nem heroína, nem vilã, Aves de Rapina apresenta uma personagem multifacetada que não pode ser encaixada em um só estereótipo.

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    Comentários
    • Luan Love
      resumindo o texto : ela é bipolar.
    • Leo Mendes
      O texto tenta demais convencer mas falta consistência nos argumentos . . . Seria uma matéria patrocinada pelo estúdio?
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