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    Uma Segunda Chance para Amar: "Eu consigo tirar uma risada sem precisar ofender uma pessoa", conta Paul Feig (Entrevista exclusiva)
    Por Laysa Zanetti — 24 de nov. de 2019 às 10:50
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    Batemos um papo exclusivo com o diretor e o elenco da nova comédia natalina.

    "Last Christmas, I gave you my heart..."

    É a clássica canção natalina de George Michael que dá origem a Uma Segunda Chance para Amar, nova comédia romântica natalina dirigida por Paul Feig e estrelada por Emilia ClarkeHenry Golding e Michelle Yeoh.

    Na história, Clarke interpreta Kate, uma jovem que trabalha como ajudante na loja de enfeites natalinos de Santa (Yeoh). Desmotivada e longe de ser a pessoa mais empolgada com o Natal, ela vê sua vida mudar quando conhece o misterioso Tom (Golding), que parece sempre estar disposto a ajudá-la.

    "Sim, me enviaram o filme há um ano e meio", explica Feig, em entrevista exclusiva ao AdoroCinema. "A Emma Thompson desenvolveu o filme durante, mais ou menos, oito anos, e ela me mandou de forma inesperada. Eu fiquei tipo: 'Nossa! Não sabia que estavam trabalhando nisso por tanto tempo!', mas ficou claro quando eu li o roteiro, porque ele era muito bom. E eu entrei imediatamente no projeto. Mas, quando você tem um roteiro muito bom, a questão maior é saber executá-lo corretamente, sabe? Eu já vi roteiros incríveis se tornarem filmes muito ruins", declara.

    "Muitas vezes você não consegue acertar no elenco, no tom do filme", ele continua. "Então, tudo começa na formação do elenco. Eu conheci a Emilia uns quatro anos atrás em uma reunião e eu me apaixonei por ela porque ela era muito engraçada, de um jeito que você não vê normalmente nos filmes e nos programas televisivos que ela faz. E o Henry, eu tinha acabado de trabalhar com ele em Um Pequeno Favor e eu sabia que ele era exatamente esse personagem. E a Michelle Yeoh, eu virei amigo dela por causa do Henry e nós a queríamos no filme, foi perfeito para ela. Tudo se encaixou por causa do roteiro e do elenco. E depois escolhemos Londres como plano de fundo e elevamos o filme para outro nível."

    Michelle Yeoh completa:

    "Então, quando [Paul] me mandou o roteiro, eu pensei: 'Sério? Você me vê nesse papel?', porque é um papel cômico, e ele disse que sim, mesmo que eu nunca tivesse feito uma comédia antes. Eu participei de Podre de Ricos, que é uma comédia romântica, mas sempre fazendo papéis mais sérios. Eu nunca tinha tido a chance de interpretar alguém mais engraçado. Então, como atriz, isso foi imediatamente um desafio para mim, porque eu sempre quero fazer papéis diferentes, e o Paul tinha acabado de me dar um. Mas, e se eu não fosse engraçada? Isso seria uma tragédia, não é?", brinca.

    Enquanto utiliza Londres como plano de fundo, Last Christmas traz também conversas sobre o Brexit e uma narrativa pró-diversidade. Feig e Yeoh opinam:

    "É engraçado porque algumas pessoas da comédia reclamam da cultura pró-diversidade e das questões políticas. Eu não consigo entender e fico me perguntando: 'Qual é o tipo de comédia que você quer fazer?', porque eu nunca quero ofender ninguém, mas sinto que algumas coisas que se restringem a umas pessoas podem impedir que outras se sintam mal", explica.

    "Eu consigo tirar uma risada sem precisar ofender uma pessoa por algo que ela não consiga mudar, sabe? Eu me divirto com as pessoas o dia todo, seja com as coisas que elas acreditam ou guardam com carinho, mas, quando é sobre aquilo que elas são, a cor de pele, o gênero, o verdadeiro sistema de crença deles, isso já é sair dos limites. Eu não entendo porque eu acho que é muito fácil fazer comédia, mesmo com esse momento atual."

    A atriz continua:

    "Foi um processo longo, trabalhamos muito para chegar até aqui, e não é algo que acontece do dia para a noite. É algo que muitas pessoas de fora estão tentando erradicar, sabe? Nós somos atores e, por isso, nós deveríamos receber oportunidades iguais e poder colocar em prática nosso trabalho. Sabe, no passado, com o whitewashing, e todos os estereótipos… Sempre vai existir esse estereótipo em algum personagem, mas eles precisam ter histórias por trás, precisam ter intenções, sonhos e desejos, o que nos dá equilíbrio. Mas todos eles merecem ter as mesmas oportunidades para exercer essa beleza e não serem definidos como uma coisa só. E é por isso que eu amo a loja da Santa, ela não tem só coisas bonitas de natal lá, ela tem uma coisa diferente para cada pessoa. Algumas coisas você olha e pensa: 'Sério? Por que alguém iria querer um porco pendurado em uma cruz?', mas vai ter alguém que vai ter esse sentimento único por esse tipo de coisa, e, na nossa vida, nós não podemos julgar o querer e o desejo do outro e, é por isso que acho que precisamos abraçar as nossas diferenças."

    Confira a entrevista completa no vídeo acima — e, em breve, aqui no AdoroCinema, a nossa entrevista com Emilia Clarke e Henry Golding. Uma Segunda Chance para Amar chega aos cinemas no dia 28 de novembro.

    *Laysa Zanetti viajou até Nova York a convite da Universal Pictures. 

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