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    Kati Critica: Por que as pessoas gostam de levar susto?
    Por Katiúscia Vianna — 27/10/2019 às 09:23
    Atualizado 27/10/2019 às 15:48
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    Tenho pena das pessoas chamadas Annabelle que sofrem bullying...

    Katiúscia Vianna é uma redatora do AdoroCinema que acumulou mais de duas décadas de cultura inútil e decidiu transformar isso num emprego. Nessa jornada, ela tem a missão de representar os fandoms barulhentos e/ou esnobados do Twitter, falar das séries que a crítica ignora e celebrar as '"farofas" que trazem alegria para o povo. Ou seja, os guilty pleasures! Com um ponto de vista 'singular' (ou doido, depende de quem opina), surge a coluna Kati Critica — misturando açúcar, tempero e um pouco de haterismo zoeiro.

    Existem coisas na vida que nunca irei entender. Tipo a mania dessa geração em publicar coisas que só vão durar 24 horas nas redes sociais. Ou o fato de Bohemian Rhapsody ter levado tantos Oscars, enquanto Amy Adams não tem nenhum. Mas se tem um sentimento que não compreendo é a alegria que o ser humano tem em levar susto.

    Sério, cada vez que assistimos um filme de terror, estamos nos voluntariando, por livre e espontânea vontade, para sofrer. Possivelmente nas mãos de uma boneca demoníaca que nos fará ter dúvida sobre nossos próprios ursinhos de pelúcia. Ficar aterrorizado não é divertido. Ok, é engraçado ligar para sua irmã, assim que ela terminou de ver O Chamado pela primeira vez, para falar que ela só tem "seven days" com uma voz bizarra? Claro. Mas isso é tipo pegadinha do Ivo Holanda, não conta.

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    No clima de Halloween, decidi falar do amor aos filmes de terror no 'Kati Critica' da semana. Sem tanto conhecimento de causa, já que levo susto no menu do DVD de O Grito, decidi pesquisar sobre o assunto no nosso querido Google. Sou uma jornalista dedicada e quero saber porque isso faz tanto sucesso. Afinal, a franquia Invocação do Mal não arrecadou quase US$ 2 bilhões simplesmente pela simpatia do James Wan.

    Aparentemente, existe mais de uma resposta. Quando estamos com medo, nosso corpo se protege ao ativar uma série de sistemas, causando várias sensações. Se é uma situação controlada, tipo "tem um fantasma na minha TV, porém minhas portas estão trancadas, então não devo morrer tão cedo" (o que não faz sentido, pois fantasmas atravessam portas), então o resultado biológico seria bom, que nem um riso.

    Já quando eu vejo um filme de terror, fico assustada o tempo todo, olhando por cima dos ombros, e ficando total em cima do sofá, para ter certeza que ninguém vai puxar meu pé. É que nem andar de montanha russa... Qual é a graça de ficar sendo jogada para todo lado, num carrinho que eu não estou pilotando, numa velocidade fora do normal? Se eu gostasse de ficar de cabeça para baixo, eu seria um morcego. Ou o Batman, no mínimo.

    Voltando ao tópico do medo... Outra pesquisa da Universidade de Pittsburgh diz que que é justamente o alívio — depois de passar horas com sistemas ligados durante o período de terror — que é relaxante, liberando endorfina no cérebro. (Pelo menos, foi o que eu entendi, sempre fui péssima em biologia. Sou de humanas) Também não concordo com isso. Se estou vendo um filme de um assassino com uma faca, não corto verduras durante uma semana. Mentira, eu não como verduras.

    Basicamente, se você perguntar quem é meu ídolo do terror, a melhor resposta que posso te dar é a Branda (Regina Hall) da franquia Todo Mundo em Pânico.

    Ok, eu sei que, biológica e racionalmente, existem explicações para o ser humano curtir um terror básico; mas não entra na minha cabeça. É que nem o pessoal viciado em academia. "Ah Kati, fazer exercício é ótimo!" "Claro, eu amo ficar com dor em cada parte do meu corpo!" Eu sou a mais a Primeira Lei de Newton: se um corpo está em inércia, a tendência é continuar assim e está ótimo. (Crianças, é sempre bom lembrar que essa é uma coluna de humor. Façam exercícios sim, então soltem seu tablet e vão fazer um esporte, para não serem que nem a tia Kati, sedentária e pouco saudável).

    Curiosamente, o meu pavor não é uma característica genética, pois tem gente da minha família que ama o gênero. Nunca vou esquecer quando uma das minhas irmãs foi, junto com meu primo, ver um dos 876 capítulos da franquia Jogos Mortais. Ambos ficaram comendo hambúrgueres, cheios de ketchup, enquanto o cara abria a cabeça de outro personagem na telona; enquanto eu quase vomitava só de ouvir a história. Já minha outra irmã (sabe a assustada de O Chamado no início do texto)? Essa é das minhas. Uma vez, ela quase teve um ataque cardíaco ao, simplesmente, ver a foto de um suposto fantasma real, no extinto programa do Gilberto Barros.

    Eu culpo minha mãe. Eu amo essa senhora, mas ela passou minha infância toda vendo filmes baseados nos livros de Stephen King. Sabe, é muito fã do autor, então comprava todos os DVDs possíveis com histórias do moço. E se o cenário atual é símbolo de algo nessa vida, não falta texto de Stephen King sempre sendo adaptado como longa ou série, o tempo todo.

    Então, imagine a situação: mamãe está vendo O Iluminado na TV da sala, enquanto uma pequena Kati de 8 anos está brincando no chão. Sempre dona de um olhar curioso (ou seja, fofoqueira), a criança vivia olhando para TV, a cada barulho que fazia, para entender o que estava acontecendo. Agora pense como a criança inocente que um dia já fui (cujo máximo de terror que tinha em sua vida era a canção "Bruxa, fedida, tomara que te dê dor de barriga" das Chiquititas), vendo as gêmeas de O Iluminado pela primeira vez. Ou relacionando o triciclo que Danny usava com a abertura de um dos meus desenhos favoritos, O Fantástico Mundo de Bobby! Taca-lhe dez anos de terapia.

    Olha, é oficial: não gosto de filmes de terror, com exceção daqueles que tem um teor mais psicológico ou justifica os "jump scares" com roteiro decente, tipo Um Lugar Silencioso ou Corra!. Sem falar que existem premissas que não fazem sentido. Chucky, o Brinquedo Assassino, por exemplo. Ele é um boneco; o nome já diz! É só dar um chute nele que a bagaça quebra. Ou o próprio O Chamado, onde o pessoal deixava aquela fita maldita em qualquer mesa, para qualquer idiota curioso ver! 

    Enfim, não sou uma pessoa hipócrita. Da mesma maneira que eu desejo que as pessoas parem com o preconceito com comédias românticas; eu nunca desejaria o fim dos filmes de terror. Tem gente que gosta, então vê quem quer. Só não me leve junto, pois sou medrosa, obrigada. Nunca fui fã de de terror, mas não tem nada a ver com o fato de meu apelido ter sido "Samara" durante anos, pois eu era pálida e de cabelos escuros. Eu juro.

    Moral da história: se você ouvir um barulho misterioso, não vá investigar; você não é Sam ou Dean Winchester. Se Supernatural fosse real, o ser humano trouxa ia morrer bem mais cedo, não ia durar 15 temporadas.

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