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    Malévola - Dona do Mal: "Há muita força e diversidade nessa história", diz Michelle Pfeiffer (Entrevista exclusiva)
    Por Laysa Zanetti — 15/10/2019 às 23:30
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    Batemos um papo exclusivo com a intérprete da nova inimiga de Malévola!

    por Laysa Zanetti

    O mundo já sabe, pelo menos desde 2014, que a Malévola não é exatamente tão má assim. Desde que Angelina Jolie assumiu o papel da icônica vilã de humor ácido, que parece ter sido feito na medida para ela, no filme que inverteu os papéis e contou a história sobre como ela foi vítima do ódio e do preconceito e, no fim das contas, tornou-se mãe e protetora da então princesa Aurora (Elle Fanning), a Disney passou a investir pesado em novas abordagens dos seus clássicos contos de princesas, sempre sob ângulos inéditos. Agora, Aurora é rainha dos Moors, está de casamento marcado com o príncipe Phillip (Harris Dickinson) e tem uma futura sogra um tanto… diabólica.

    Estamos falando, é claro, da Rainha Ingrith, personagem de Michelle Pfeiffer em Malévola - Dona do Mal. Casada com o Rei John (Robert Lindsay), a futura sogra de Aurora até aparenta ser cheia das boas intenções, mas apenas no início desta trama. Ela foi escolhida, afinal de contas, para ser a pessoa que daria conta de bater de frente com a personagem de Angelina Jolie. Já imaginou esse duelo de gigantes?

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    “Eu fiquei muito empolgada de trabalhar com Angelina e Elle [Fanning], e poder interagir cara-a-cara com ela”, declarou Michelle Pfeiffer, em entrevista exclusiva concedida ao AdoroCinema em Los Angeles. “Nós nos divertimos bastante, e acho que é justamente isso que faz a relação entre as duas, e essa dinâmica, mais deliciosa.”

    Quem é a rainha Ingrith

    Jaap Buitendijk/Walt Disney Pictures

    Em qualquer clássica história de princesa, existe uma rainha boa e uma bruxa má. Dessa vez, estamos falando do oposto. Uma “bruxa” boa — embora tenha suas contradições — e uma rainha má, responsabilidade carregada por Pfeiffer.

    “Uma das coisas interessantes nesse filme é que trata-se de um conto de fadas, mas, ao mesmo tempo, um conto de fadas bem incomum”, afirma. “Ele meio que está nessa área cinza, do ‘bem contra o mal’.  E, querendo ou não, nós temos um pouco de tudo isso. Eu acho que, em termos de força, isso se manifesta de formas diferentes com todos nós. E uma das coisas que eu amo é que isso se desenvolve instantaneamente. A Aurora é, em diversas formas, a mais forte e inteligente de todas nós. Quer dizer, a minha personagem é diabólica, mas eu não a consideraria terrivelmente esperta.”

    A respeito da sua própria caracterização como a maléfica Ingrith, Pfeiffer explica quais são os desafios de encontrar um ponto de equilíbrio entre uma vilã crível e uma personagem com a qual o público pode ao menos tentar entender, ou encontrar nela um ponto de humanidade.

    “É bom encontrar um meio-termo e ter uma mistura das duas coisas”, revela sobre a sua predileção entre interpretar mocinhas ou vilãs. “E ao mesmo tempo é meio delicado, porque a sua responsabilidade no filme é ser a vilã, ser assustadora e convincente”, continua. “Ao mesmo tempo, se a personagem for muito cartunesca, você não vai acreditar nela. Então o segredo é: você tem que sugar as pessoas o máximo possível, e encontrar a humanidade da personagem. E então inverter isso de ponta-cabeça para que as pessoas não saibam o que esperar. Mas talvez interpretar uma vilã seja um pouquinho mais divertido.”

    Aurora x Ingrith x Malévola

    Divulgação

    Três mulheres no centro da trama, Ingrith, Malévola e Aurora estão o tempo todo medindo forças em Malévola - Dona do Mal. Enquanto no primeiro filme, Aurora era uma princesa aos 14 anos, dessa vez ela é uma mulher em total formação, que aos 20 já comanda todo um reino — ela é, afinal, a rainha dos Moors — e continua perdidamente apaixonada pelo príncipe Phillip, agora vivido por Harris Dickinson. Sua postura independente e corajosa, no entanto, não significa que ela precise abandonar a feminilidade. Para Elle Fanning, sua fortaleza está exatamente nisso.

    “No segundo filme, a Aurora meio que incorpora esse amor pela vida. Ela vive entre dois mundos, ela é humana mas, ao mesmo tempo, rainha dos seres da floresta encantada. E ela consegue viver harmoniosamente com esses dois lados, e não entende por que o resto do mundo não consegue fazer isso também. O que é incrível é que, no segundo filme, ela é realmente uma mulher jovem, ela cresceu, está mais forte e mais confiante de si mesma e está aprendendo a ter independência. Eu adoro o tema familiar no filme porque é bem parecido com a vida real, com o crescimento natural que vivenciamos de deixar o ninho e começar a fazer nossas próprias escolhas durante a vida. E a Malévola obviamente não aprova o príncipe Phillip, mas nós sabemos que o amor ganha e é por isso que Aurora se impõe sob Malévola, o qual é um momento bem forte no filme e pode até ser chocante de assistir para os fãs”, afirma.

    “Aurora está cuidando da vida dela, mas com gentileza, o que eu acredito ser a coisa mais importante. Nós não queríamos que Aurora fosse aquela pessoa que usasse armadura e ficasse lutando, essa não é a natureza real de Aurora e eu adoro que ela simbolize isso com firmeza, principalmente para garotas mais jovens. Eu era assim. Sempre fui uma pessoa mais leve, sempre quis ser mãe, me casar, ter uma vida mais feminina mesmo; e não há nada de errado com isso, é um oportunidade de mostrar sua força exercendo a sua feminilidade, e a Aurora faz isso com um vestido rosa. Bem radical!”

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    Em contrapartida, Ingrith sente confiança vendo sua força através da imposição do medo: “Eu acho que muito do que vemos hoje em dia é que uma forma de controlar as pessoas é fazê-las ficarem com medo. E assim que [a Ingrith] deixa [seus súditos] com medo, ela consegue controlá-los. Eu acho que existe uma certa verdade no que ela diz”, confessa Pfeiffer.

    Por sua vez, Jolie crê que a jornada da sua personagem-título é mais sobre a manutenção de laços familiares.

    “É sobre família. Quando a Aurora e a Malévola foram colocadas juntas para serem uma família, eles não estavam esperando a Malévola. E ela foi muito machucada na vida, ela meio que se perdeu, perdeu a habilidade de ser uma pessoa doce e ser amada, e ainda do amor de uma criança, o que fez uma grande diferença na minha vida [...] Acho que, em filmes para o público jovem, sempre há essas mensagens [...]  e isso me afeta diretamente. As perguntas da Malévola são sobre ela ser boa o suficiente para ser a mãe da Aurora, e se ela é, de fato, sua mãe.”

    A mensagem do filme

    Jaap Buitendijk/Walt Disney Pictures

    Sendo Malévola - Dona do Mal a história entre dois grupos — os humanos e os míticos da floresta encantada — que se estranham e não são capazes de conviverem juntos, Michelle Pfeiffer acredita que o mundo tem algo a aprender e em que se inspirar com a mensagem do longa.

    “Eu amo que, antes de tudo, Malévola é obviamente um conto de fadas. Mas é um conto de fadas incomum, fora do usual. E eu acredito que existam questionamentos e temas filosóficos que perpassam pela narrativa. Amo que as pessoas estejam absorvendo isso, porque eu não sabia se isso iria acontecer. Mas há muita força e diversidade nessa história”, declara.

    “Acho que, da forma como o mundo está agora, temos que parar de pensar nas coisas em termos de limites ou em termos de 'eles contra nós'. E não dá, as coisas não funcionam dessa forma, principalmente se as sociedades e os países simplesmente trabalharem em isolamento.”

    Girl Power!

    Jaap Buitendijk/Walt Disney Pictures

    É claro, Malévola - Dona do Mal tem um grande elenco. Mas não dá para negar que, tendo três mulheres no centro da ação, existe um gostinho especial nessa história.

    “Antes de tudo, é claro que há tanto homens quanto mulheres lutando no filme, mas antes de tudo estamos vendo as mulheres no centro da ação. De verdade, eu nem pensei sobre isso, apenas fui trabalhar com os meus colegas — simplesmente acontece que a maior parte era formada por mulheres. E eu amei tudo, amei trabalhar com todos”, declara. 

    “Acho que isso faz parte de um movimento que mostra que, de verdade, a arte imita a vida. As pessoas estão vendo que existe um apetite verdadeiro por esse tipo de narrativa e esse tipo de personagem, que as pessoas querem ver. Se não fosse assim, nada disso estaria acontecendo”, finaliza.

    Malévola - Dona do Mal chega aos cinemas em 17 de outubro. Já garantiu seu ingresso?

    *Laysa Zanetti viajou até Los Angeles a convite da Walt Disney Pictures.

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