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    Festival de Gramado 2019: Lázaro Ramos exalta Trapalhões e a diversidade do cinema brasileiro em homenagem
    Por Francisco Russo — 20 de ago. de 2019 às 07:01
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    O ator recebeu o Troféu Oscarito, em pleno Palácio dos Festivais.

    Cleiton Thiele / Agência Pressphoto

    Por mais que já tivesse um Kikito na estante de casa, curiosamente Lázaro Ramos jamais tinha subido ao palco do Palácio dos Festivais. Na época em que foi premiado como melhor ator, por sua atuação em Cafundó (2005), estava ocupado com outros compromissos e não pôde comparecer ao Festival de Gramado. Uma lacuna que, 19 anos depois, enfim foi preenchida.

    Ganhador do troféu Oscarito deste ano, Lázaro subiu ao palco já consagrado por tantas interpretações marcantes no cinema brasileiro: Madame Satã, O Homem que Copiava, Meu Tio Matou um CaraCidade BaixaO Beijo no Asfalto são alguns exemplos. Entretanto, foi com uma participação obscura em um filme infame que o ator foi convocado ao palco, após a exibição na telona de sua cena dançando ao lado de Carla Perez em Cinderela Baiana. O público, é claro, gargalhou com gosto - e Lázaro também.

    Já no palco, Lázaro lembrou aquele garoto da Bahia que passou tantas tardes dentro do cinema, "na época em que era possível assistir várias sessões comprando apenas um ingresso". E dedicou o troféu não apenas a quem ajudou a lhe formar o gosto pelo cinema, mas a todos aqueles com quem trabalhou e que o inspiraram. Em especial a atriz Ruth de Souzafalecida em 28 de julho deste ano.

    Edison Vara / Agência Pressphoto
    Lázaro Ramos com o troféu Oscarito.

    "Vou me dar ao direito hoje de não agradecer somente às pessoas que me deram trabalho e confiaram em mim. Quero agradecer hoje às pessoas que fizeram cinema neste país, que fizeram com que sonhasse. Tenho que agradecer ao Dedé e aos Trapalhões por terem feito com que todos os anos eu esperasse um filme para assistir e me visse naquele lugar, no meu país. Tenho que agradecer a todos os cineastas que fizeram com que tivesse saúde produzindo comédia, que é muito importante para a indústria também e conta muito da gente.

    Tenho que agradecer aos cineastas de Pernambuco e do Rio Grande do Sul, que contaram histórias que nunca imaginei que existiriam e assim me transportei para outros mundos e reeduquei meu olhar, perdi meus preconceitos. Quero agradecer como público, pelo que o cinema brasileiro fez pra mim. Formou minha identidade. Se estou aqui, é por causa do cinema brasileiro que eu vi.

    Quero agradecer a Zózimo Bulbul, quando vi Alma no Olho e entendi que era possível também usar a câmera como uma arma, de transformação. É isso que quero celebrar neste prêmio que me deixa tão honrado: a diversidade que é o cinema brasileiro. E a gente não pode perder isso de vista nunca! Todo mundo precisa ter voz, para contar todo tipo de história.

    Para finalizar, dedido este prêmio à minha esposa Taís [Araújo], meus filhos, meu pai que amo tanto. Dedico também à dona Ruth de Souza, que foi uma mãe para mim. Ela vai fazer muita falta, com toda a inspiração que trouxe para este menino preto que não sabia que podia sonhar e que agora espera poder fazer com que mais gente sonhe."

    Atualmente em meio às filmagens de Detetives do Prédio Azul 3, Lázaro Ramos estará bastante presente nas telonas nos próximos meses. O ator está no já finalizado Correndo Atrás e nos ainda inéditos Silêncio da Chuva e M8 - Quando a Morte Socorre a Vida. Além disto, o ator prepara sua estreia como diretor de ficção em Medida Provisória, cujo lançamento acontecerá no primeiro semestre de 2020, ainda sem data marcada.

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