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    Festival de Gramado 2019: Abertura conta com protestos em defesa do cinema brasileiro
    Por Francisco Russo — 17 de ago. de 2019 às 17:08
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    Primeiro dia do evento exibiu Bacurau e O Homem Cordial.

    Começou quente o Festival de Gramado, não só devido à alta temperatura local - em relação ao padrão habitual da cidade, é bom ressaltar - como também pelos vários protestos em pleno palco do Palácio dos Festivais, sede do evento.

    De certa forma, tal reação já era esperada, não só pela escolha de Bacurau para abrir a edição deste ano mas, também, devido às recentes declarações do presidente Jair Bolsonaro acerca de mudanças na Ancine, com a criação de um filtro que seria aplicado aos filmes que tentassem obter financiamento público. O sucesso Bruna Surfistinha, visto por 2,1 milhões de espectadores, foi citado como exemplo de filme cuja aprovação "seria inadmissível", o que gerou resposta da protagonista do longa-metragem, Deborah Secco.

    Cleiton Thiele / Agência Pressphoto
    Parte da delegação de "Bacurau": as atrizes Barbara Colen e Sonia Braga com os diretores Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles

    No palco para apresentar Bacurau em sua primeira exibição pública em solo brasileiro, o diretor Kleber Mendonça Filho convocou elenco e equipe técnica do filme a se identificarem, pedindo respeito. "Bacurau é um projeto que venho desenvolvendo com meu grande amigo Juliano Dornelles e com minha grande companheira Emilie Lesclaux nos últimos 10 anos e, durante este período, a gente foi acumulando pessoas que foram entrando direto com outros profissionais. Somos todos aqui profissionais da área da cultura e queria passar o microfone para cada um dizer o que faz no filme e seu nome, com muito orgulho, porque somos profissionais da área da cultura e exigimos respeito!". A cada apresentação, uma nova ovação.

    Bem recebido pelo público gramadense, Bacurau teve até momentos de catarse coletiva, com aplausos durante uma cena específica que, é claro, não será mencionada para evitar spoilers. Vale lembrar que o filme ganhou o Prêmio do Júri no Festival de Cannes deste ano e estreará nos cinemas brasileiros em 29 de agosto. Confira nossa crítica!

    Cleiton Thiele / Agência Pressphoto
    Paulo Miklos, o diretor Iberê Carvalho, Felipe Kenji e Thaíde

    Logo em seguida foi exibido O Homem Cordial, o primeiro filme da mostra competitiva nacional deste ano, que também contou com protestos no palco. O mais contundente veio do ator e rapper Thaíde: "Participar de um filme como O Homem Cordial, que conta uma história tão contundente e original, verdadeira, atual como este, é também uma questão de responsabilidade. E um recado direto para aqueles que querem podar, que querem inibir o cinema brasileiro. Enquanto existirem diretores com a coragem de Iberê Carvalho, como tantos outros diretores no Brasil, vocês estarão perdidos. Nunca se esqueçam disto!"

    Estrelado por Paulo Miklos, O Homem Cordial traz a história de um cantor de rock acusado pelo assassinato de um policial, após um vídeo amador viralizar na internet. Confira nossa crítica!

     

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