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    Toy Story 4: Diretor e produtores falam sobre o dia em que Keanu Reeves subiu na mesa para imitar Duke Caboom (Exclusivo)
    Por Laysa Zanetti — 16/06/2019 às 09:01
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    O AdoroCinema bateu um papo com Josh Cooley, Jonas Rivera e Mark Nielsen

    Já imaginou uma “Sala do Rei Leão”? Se você está pensando em paredes desenhadas e coloridas, decoradas com personagens clássicos, está no caminho certo. Foi neste cenário que o time responsável por Toy Story 4 — o diretor Josh Cooley e os produtores Mark NielsenJonas Rivera — bateu um papo exclusivo com o AdoroCinema. A sala fica no prédio de animação do Disney’s Hollywood Studios, em Orlando, na Flórida, para falar sobre o que os levou a aceitarem o desafio de trazer de volta Woody, Buzz Lightyear e companhia após o praticamente unânime Toy Story 3 — que todos julgavam ser o fim da saga antes de a Disney anunciar, há cinco anos, que estava desenvolvendo uma sequência.

    “Estamos na sala do Rei Leão! Uau. Você tem perguntas sobre O Rei Leão? A gente também responde”, brincou Rivera. “Bom, na verdade, eu tenho sim”, respondi. “Ah! Mas só vamos falar sobre a animação”, continuou o produtor em clima descontraído.

    Desde então, o projeto passou por algumas reformulações antes de sua versão final, que chega aos cinemas no próximo dia 20 de junho. A direção, inicialmente, seria de John Lasseter, o então manda-chuva da Pixar que comandou os dois primeiros filmes; o roteiro seria de Rashida Jones com Will McCormack, a partir de uma ideia que era de Lasseter, Lee UnkrichPete Docter e Andrew Stanton. Quando o lançamento ainda estava marcado para 2017, a história seria supostamente um tipo de “comédia romântica” entre Woody e Betty — antes mesmo de Garfinho ser anunciado como um dos novos personagens.

    “Betty sempre foi parte do filme, desde o início”, explica Cooley. “Nosso código para o filme era Peep [o nome original da personagem é Bo Peep]. Sabíamos que havia algo ali a ser explorado, independente do quanto o filme mudaria, havia algo entre Bo e Woody. Originalmente, parecia mais uma comédia romântica, e por isso não parecia muito ser um filme de Toy Story. Parecia uma história entre pessoas, e não brinquedos. É claro, essa relação ainda está no filme, mas não queríamos nos limitar a este gênero, queríamos abordar tudo o que poderia ser abordado nesta história.”

    John Parra/Getty Images
    Jonas Rivera, Josh Cooley e Mark Nielsen

    Ainda que não esteja presente em Toy Story 3, Betty retorna com muita relevância no novo longa — e sua ausência no anterior é explicada. “Queríamos que ela fosse real, sempre dizíamos que não queríamos que ela fosse estereotipada ou um tipo de troféu transformado em uma heroína de ação”, afirma Rivera. “Queríamos que ela fosse verdadeira. Falamos dela como se fosse a primeira personagem realista de Toy Story. É ela quem é esperta o suficiente para descobrir como sobreviver, como estar sozinha — todas essas coisas que Woody e os outros personagens tentaram evitar. E nós amamos a ideia de ela não ser exatamente um brinquedo. Demos a ela um pouco de crise de identidade. Então, na sala dos roteiristas, muitas vezes nos questionávamos, ‘ela é um brinquedo?’ Algumas pessoas diziam que sim, outras que não. Então decidimos brincar com isso. Isso nos ajudou a fazê-la mais legal. Ela é de porcelana, então é literalmente mais frágil, mas ela tem uma aparência específica que nos deu permissão de mudá-la um pouco. Então, com todas essas coisas misturadas, começamos a circular esta personagem e nos apaixonar por ela. Ela passou a soar bastante real.”

    Mark Nielsen completa: “Todos nós temos filhas. Então, queríamos que ela fosse uma personagem aspiracional para as nossas filhas. Então nós amamos a ideia de fazê-la mais forte e independente. Ela é uma sobrevivente, mas também está prosperando lá fora.”

    Conheça Garfinho

    A inspiração em seus próprios filhos não ficou apenas na nova roupagem de Betty, mas também é, de certa forma, de onde veio Garfinho, o questionador personagem de Tony Hale.

    “Acho que é uma coisa meio midi-chlorians, de Star Wars. Eu não quero saber de onde vem a Força”, compara Cooley, quando questionado sobre a origem da vida de um brinquedo feito de lixo. “Mas é meio algo sobre o amor de uma criança, o nome dela no pé dele, e o fato de ele significar algo para ela. Para mim, isso é o suficiente para me convencer de trazê-lo à vida e fazer isso complicar totalmente o universo de Woody.”

    “Mas nós estamos sempre olhando para os nossos próprios filhos para ter ideias e tirar a prova, observar como eles brincam com os seus brinquedos. Minha filha brinca de uma certa forma diferente de outros, então Bonnie vai ter uma relação com os brinquedos diferente de Andy. Eles não podem estar na mesma situação em que estavam antes. Mas um ponto importante é que os nossos filhos brincam com qualquer coisa”, continua.

    Rivera explica: “William, meu filho, está tipo [pega um guardanapo na mesa e começa a brincar como se fosse um caminhão]. Isso é um brinquedo!”

    Cooley continua: “Então nós questionamos, ‘este guardanapo agora está vivo?’ Parte do processo vem das piadas que fazíamos sobre o assunto. Então especulamos, ‘e se ela fizesse um brinquedo que ganhasse vida?' E aí foi uma ideia engraçada, que ficou ainda mais engraçada caso ele não fizesse a menor ideia do que estivesse acontecendo.”

    E este é exatamente quem é Garfinho.

    “Nós debatemos sobre ele se lembrar da vida que tinha antes”, completa o diretor. “ Lá no fundo, ele definitivamente se lembra do momento em que esteve na boca de uma criança!”

    Aos risos, Rivera confessa: “Honestamente, todas essas perguntas são as perguntas que fizemos a nós mesmos na sala dos roteiristas. ‘Podemos fazer isso?’ E isso despertou a nossa vontade de fazer ainda mais.”

    Duke Caboom, o Dublê Favorito do Canadá

    Em Toy Story 4, Woody enfrenta um novo desafio para fora do quarto de Bonnie quando ela constrói um novo amigo, o Garfinho, e o xerife enfrenta uma série de confusões e salvamentos. Estes incluem encontros com Gabby Gabby (Christina Hendricks), Duke Caboom (Keanu Reeves) e Patinho e Coelhinho (Keegan-Michael Key e Jordan Peele).

    Reeves acabou sendo a escolha mais do que perfeita para interpretar o dublê do Canadá.

    Getty Images

    “Queríamos alguém canadense no papel, porque sabíamos que [Duke Caboom] seria o Dublê Favorito do Canadá. Então fomos para uma escalação às cegas”, conta Nielsen. “O diretor de elenco trouxe apenas atores canadenses, e colocou para tocar as vozes de, talvez, 15 diferentes atores, sem nós sabermos quem eram. Não havia nomes ou faces. Estávamos apenas ouvindo as vozes e olhando para uma foto de Duke Caboom. E então, talvez na metade da lista, chegamos em Keanu e, sem identificá-lo imediatamente, ele soou como uma voz muito confiante. Então nós três paramos e perguntamos, ‘uou, quem é esse?’

    “Fizemos contato com ele, e ele disse que queria ouvir mais sobre o filme”, segue o produtor. “Então ele foi até Emeryville, almoçamos juntos e começamos a discutir o personagem. Ele perguntava coisas do tipo, ‘de que parte do Canadá ele é?’ e muitas perguntas profundas. Ele queria ir fundo no personagem, no psicológico de Duke.”

    O diretor continua: “Ele começou a fazer perguntas fantásticas sobre o personagem, e na minha cabeça eu estava pensando, ‘m*rda, eu não pensei sobre isso’. Então estávamos formulando tudo ali na hora. Quanto mais falávamos, mais ele ficava ativamente interessado em se tornar Duke Caboom, a ponto de começar a fazer gestos e se mover de forma que nós falamos, ‘isso vai entrar para o filme’. Ele subiu na mesa e começou a fazer poses ali no átrio, e as pessoas do lado começaram a estranhar. ‘Por acaso aquele é o Keanu Reeves dançando em cima de uma mesa?’ Ele abraçou o personagem totalmente e é o ator mais dedicado.”

    Nielsen finaliza: “E também não sabíamos do amor dele por motocicletas antes disso. Ele tem uma empresa de motos, e isso acabou caindo perfeitamente com o personagem.”

    Patinho e Coelhinho

    A hilária e inseparável dupla é dublada originalmente por Keegan-Michael Key e Jordan Peele, repetindo a parceria da série Key and Peele.

    “[Key e Peele] são muito bons enquanto personagens”, elogia Cooley. “Eles encarnaram os personagens, e foi ótimo porque eu escrevia alguma coisa, e eles liam e começavam a derivar daquilo. E um dos grandes prazeres de assistir àquilo era ver que eles não os descaracterizavam. Ainda estava no ponto, e ainda fazia sentido para as cenas e os personagens. Isso por si só já é incrível, mas existe mais. Eles sempre gravavam juntos, e eles literalmente conseguem ler a mente um do outro. Eles se olhavam e sabiam o que o outro iria dizer ou como iria reagir, ou como dizer algo que iria incentivar o outro. Era inacreditável. Toda a cantoria no filme foi improvisada.”

    Nielsen recorda: “Eles simplesmente começavam a cantar, do nada. E a música continuava, e eles não paravam. Nunca rimos tanto quanto rimos naquelas sessões. Eles são muito talentosos e engraçados”, admite.

    “O mais engraçado sobre Patinho e Coelhinho é que eles nunca fizeram nada na vida, eles estão presos naquela coisa”, reflete Rivera. “Mas eles são mais convencidos que qualquer outro. Nas cabeças deles, eles já fizeram de tudo. Eles estão sempre tipo, aah, a gente sabe o que fazer’. Eles sempre têm esses planos que são ridículos porque eles nunca de fato fizeram qualquer coisa.”

    Tirar todos estes personagens e todas as histórias do papel foi uma tarefa que o trio — acompanhado de mais centenas de profissionais entre animadores, produtores e roteiristas — não enxerga com leveza.

    “Nós amamos esses personagens e essa história, o pessoal da Pixar e todo mundo que fez este filme se importa demais”, declara Nielsen. “Eles estão no tecido da criação do estúdio. Então, é claro, levamos isso muito a sério. Todo mundo na equipe se prontificou e quis fazê-lo digno de ser um filme de Toy Story. E nós tomamos o nosso tempo para ter certeza de que estávamos contando uma história que valesse a pena. Então nós tropeçamos em algumas coisas, começamos a fazer algo mais comédia romântica, sobre Woody e Bo, mas então nós realmente nos concentramos em fazer um filme sobre Woody, e reconhecer que os três primeiros filmes de fato são sobre ele, sua jornada e tudo o que ele aprendeu no caminho. Então, quando partimos disso para fazer dessa a história de Woody, estamos falando sobre o que ele precisava aprender e como ele poderia crescer e mudar. Foi aí que percebemos que tínhamos algo que valia ser explorado.”

    Cooley completa: “De repente, ele soava como um filme de Toy Story, assim que não era mais sobre estas duas pessoas. Era a história de Woody, mas Bo definitivamente é a catalisadora e o ajuda a mudar. Foi aí que percebemos que tínhamos alguma coisa. Mas nós mesmos dissemos que não iríamos colocar este filme no mundo se não fosse bom. Tivemos as mesmas perguntas que todo mundo tem agora. ‘Oi? O que? Por quê?’ Mas falamos que íamos fazer um filme que nós amássemos e, com sorte, o mundo também vai amar. E a pressão foi imensa, e acho que parte da pressão que nós colocamos em nós mesmos foi maior ainda. Houve muitas noites em claro.”

    Então, apesar de todas as novidades, Toy Story 4 é, no fim das contas, uma história sobre Woody.

    “O que torna o Woody um personagem crível é que ele é muito falho. Ele é movido por medo, ciúmes e raiva”, reflete Rivera.

    “Te interrompendo, eu não diria que ele é falho. Diria que é humano”, afirma Cooley.

    “Sim, é humano”, continua o produtor. “Ele não é perfeito, ele é identificável. Então todas essas coisas são marcas humanas. É engraçado, porque mesmo como produtor, trabalhando na Pixar, eu me pergunto como cheguei aqui e o que estou fazendo. Então eu gosto de imaginar que um pouco disso se costurou no filme”, finaliza.

    *Laysa Zanetti viajou até Orlando a convite da Walt Disney Pictures. 

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