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    Toy Story 4: Tom Hanks e Tim Allen falam sobre o retorno ao mundo dos brinquedos (Entrevista)
    Por Laysa Zanetti — 20/06/2019 às 09:09
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    Os eternos Woody e Buzz Lightyear explicam por que voltar para Toy Story 4 foi emocionante e difícil.

    24 anos se passaram desde o momento em que Woody e Buzz Lightyear ganharam o mundo em Toy Story - Um Mundo de Aventuras, e desde então eles se tornaram figuras carimbadas no mundo da animação e no imaginário de uma geração inteira que cresceu com os brinquedos e as animações da Pixar. De volta aos personagens quase dez anos após o suposto fim da história, com Toy Story 3 (2010), Tom HanksTim Allen — os intérpretes originais do Xerife e do Astronauta — se uniram a Annie Potts, a Betty, para falar sobre o retorno à franquia e como estes personagens, de uma forma ou de outra, definiram suas vidas.

    “Woody foi o melhor presente que eu já vi se desenvolvendo e crescendo muitas e muitas vezes, na minha família e ao redor do mundo”, conta Tom Hanks. “[Ele] é um personagem tridimensional que tem uma bagagem emocional que as crianças ainda carregam com elas. O que eu tenho apreciado de verdade é que não importa a sua idade. Quando você vê o filme, você tem a mesma idade que tinha no primeiro [...], e sempre vai ser assim. De uma certa forma, todo o empreendimento da Disney gira em torno da ligação emocional que temos com cada um destes personagens.”

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    Tom Hanks, eternizado no cinema Quero Ser Grande (1988), Forrest Gump (1994) e O Resgate do Soldado Ryan (1998) entre muitos e muitos outros, revela ainda que Woody e Buzz fazem até sua família se emocionar. “Estava na Disneyland outro dia com a minha família, e no final do dia eles têm um show em que todos os personagens estão navegando juntos no navio de Mark Twain”, falou a uma plateia de jornalistas, em evento realizado em Orlando, na Flórida. “E aí de repente a minha filha, que tem uns 30 anos, começou a chorar. Perguntei se ela estava bem, e ela respondeu: ‘Pai, olha ali no fim do barco. São Woody e Buzz. Você sempre vai estar ali, dançando pelo resto da vida, enquanto este lugar estiver aqui’. E isso é mais do que apenas algo legal, é uma espécie de talismã que todos nós carregamos, porque fomos espertos o suficiente de dizer que deveríamos fazer isso, de dizer ‘Vamos lá, pessoal!’”, brinca, repetindo a frase que, segundo ele, é a que mais repetiu durante toda a sua carreira.

    Ausente de Toy Story 3, Betty está de volta nesta quarta sequência, como uma personagem mais empoderada e com uma história pessoal a contar. O produtor Jonas Rivera recorda do momento da primeira leitura com Annie Potts. “Quando você leu a personagem, lembro que comentou conosco: ‘Ah, ela fala de um jeito diferente agora’, e nós ficamos felizes de isso ter sido observado. Foi importante para nos guiarmos também.”

    John Parra/Getty Images

    Potts completa: “Eu queria contar uma história. Eu estava em um barco, descendo uma área remota da Amazônia no verão passado, e tinha um garotinho brincando em um banco de areia no rio. Ele estava usando uma camisa escrito ‘Toy Story’, com o Woody na frente. Isso foi na Amazônia! E eu pensei no quanto isso é muito maior do que qualquer um de nós, e no como [esta história] chegou tão longe.”

    Hanks aproveita o momento para contar sobre o dia-a-dia dublando ao lado de Potts — os dois fizeram todo o trabalho de Toy Story 4 lado a lado. “Mesmo separados por uma mesa e um microfone, a maneira com que Annie Potts vai olhar para você, com os olhos dela para cima, e quando ela diz as palavras ‘Oh, Woody’, te pega toda vez. Você vira um pudim e começa a tremer toda vez.”

    A atriz não perde a oportunidade e repete a icônica frase: “Oh, Woody”.

    Brincalhão e bem-humorado, Tim Allen arrancou risadas da plateia falando sobre as suas maiores lembranças na cabine de dublagem ao longo das últimas décadas: “Eu adoro crianças... mais ou menos. Adoro famílias, mas a minha memória desses últimos quase 30 anos não é para crianças. Então, às vezes, as coisas memoráveis são sobre eu dizendo coisas que o Buzz não diria nunca, depois de um longo dia fazendo a mesma coisa muitas vezes.”

    O ator explica: “São ótimos momentos, mas não são os favoritos dos animadores. Eles olham com um sorriso amarelo e falam ‘Nossa, isso foi muito divertido! Muito legal, gente’, mas eles não estão nem um pouco satisfeitos com a improvisação porque precisam voltar e animar tudo de novo.”

    Mas Josh Cooley, o diretor, declara que ver Tim Allen brilhando e brincando eram os momentos mais divertidos para ele. Uma vez que Allen e Hanks dublam separadamente, Cooley era o responsável por ler as falas de Woody junto ao ator. “Eram os melhores momentos para mim. Infelizmente, não podíamos incluir aquelas falas no filme, porque o filme precisa ser para crianças. Caso contrário, a classificação teria que ser para maiores.”

    Ainda que Hanks e Allen não façam as dublagens juntos — algo que acontece tradicionalmente desde o primeiro —, os dois mantêm uma forte amizade que, neste quarto capítulo, passa por alguns testes.

    “É engraçado assistir a essa transição”, explica Allen. “Em algum ponto, Woody — porque ele é malvado — diz ‘Você é um brinquedo.’ E eu transitei de um lugar — [Buzz] sempre foi maravilhosamente ignorante sobre o fato de ser um brinquedo —, mas sua transição sempre foi de dizer: ‘Ok, aquele foi um péssimo momento para mim, vamos nos reagrupar’, e no seu íntimo, Buzz sempre foi coração-mole. E Woody fala coisas sobre a ‘voz interna’ que ele não entende. Isso é a parte mais doce. Eles são melhores amigos, e a jornada é sobre o quão bons amigos eles são.”

    O ator revela também que a confiança que tem com o personagem é algo em que nem ele mesmo acredita às vezes: “Eu cheguei a um ponto — e não acredito que estou dizendo isso — cheguei a um ponto em que eu digo: ‘Buzz não diria isso’. E eu estou dizendo às pessoas que criaram o personagem! Eu digo: ‘Não! Não! O Buzz não fica tão empolgado assim, e ele não diria isso. Estou indo pegar uns pedaços de abacaxi’.”

    Cooley revela que considera as interferências de Allen algo benéfico: “Eu amo quando ele diz isso, porque ajuda a moldar o personagem. Ele o conhece melhor do que eu, tem feito isso há 25 anos.”

    Ainda assim o sentimento, chegando neste fim, é agridoce tanto para Allen quanto para Hanks.

    “O que acontece com o 4 é como ver uma filha se casando”, compara Allen. “Você fica feliz por ser algo bom, mas fica triste por perder algo que era seu. Quando eu cheguei ao final, foi muito difícil. Tive um momento difícil, mandei mensagem para o Tom [Hanks] falando. É incrível o que estes bastardos talentosos fizeram.”

    Jonas Rivera usa o momento para fazer uma confissão: “Tim, você não sabe disso, mas nós usamos a sua reação como guia. No início, ficamos receosos. Podemos fazer isso? E então, quando você reagiu, ficamos em paz. Pensamos, ok, se conseguimos pegar o Buzz Lightyear, e fazê-lo sentar e refletir, então acho que temos alguma coisa aqui..”

    “Ótimo! Bom saber que a minha dor serviu para alguma coisa. Bom saber que vocês se aproveitam da tristeza de outras pessoas”, retruca o ator, em tom de brincadeira.

    “Nós estávamos de volta no estúdio HB, o original, onde tudo começou. Então quando eu li a última frase, perguntei: ‘É— Estamos— É isso? É o final?’, e me responderam: ‘É isso’. Nas sessões anteriores à última, Tim havia me mandado mensagem sobre o final, dizendo [imitando a voz de Allen] ‘Se prepare para o fim. Eu não consigo acreditar. Fiquei muito emocionado, muito emocionado. Ainda estou me recuperando.’ Então, sabendo que estaríamos nesse território, eu pedi para ficar de costas para todos na hora de gravar, porque eu não queria ser autoconsciente sobre o que eu sabia que seriam as últimas horas no filme. Então, quando acabei de gravar, senti que eu estava do outro lado do oceano, acenando para todos no barco, porque havia ficado no continente.”

    “Foi muito profundo”, segue. “Há muita memória muscular nessas coisas. Você dirige até o estúdio, estaciona no mesmo lugar que eles guardam para você, passa pelas mesmas portas, volta para o carro e dirige pelos mesmos locais… e eu havia gravado o último momento do...  do atual Toy Story...”

    Neste momento, percebendo que acabou entrando em território “perigoso”, Tom Hanks sequer esperou pela pergunta a respeito de um possível Toy Story 5: “Eles têm esses pontos oficiais sobre o que temos que dizer a respeito de qualquer futuro. Acho que já falei mais do que deveria. Então, se vocês me derem uns minutos, vou dizer a vocês a versão oficial do que tenho que falar a respeito de outros Toy Story”, declara, levando todos às gargalhadas enquanto tira um bloco de papéis do bolso e expansivamente os desdobra para encontrar a parte que buscava.

    “Achei! ‘Toy Story 4 é sobre a jornada de Woody para fora do conforto do quarto de Bonnie, e qualquer possibilidade que existe para um brinquedo. Então interprete isso como quiser e veremos o que acontece.’ E obrigada, Departamento de Integração Vernacular da Disney, por eu saber o que devo dizer aqui.”

    *Laysa Zanetti viajou até Orlando a convite da Walt Disney Pictures.

     
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