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    Festival de Cannes 2019: Almodóvar é ovacionado, por Dor e Glória
    Por Renato Hermsdorff — 18 de mai. de 2019 às 16:06
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    Penélope Cruz diz que ficou "tímida" ao interpretar a "mãe" do diretor.

    O cultuado Pedro Almodóvar já presidiu o júri do Festival de Cannes, em 2017, mas, embora tenha disputado a Palma de Ouro em outras cinco ocasiões, nunca levou o prêmio para a Espanha. Dor e Glória, seu filme (mais) autobiográfico - sexta chance de abraçar a estatueta -, estreou nesta sexta no evento, sob forte ovação.

    O longa conta a história de Salvador Mallo (Antonio Banderas), um experiente cineasta que, em crise, revisita sua carreira e vida pessoal. Para o filme, Almodóvar escalou “el equipo de los sueños”, um recall de grandes atores com quem já trabalhou. Além de Banderas, estão lá, entre outros, Cecilia Roth (Tudo Sobre Minha Mãe), Julieta Serrano (Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos), Penélope Cruz, claro, que interpreta a mãe de Almodóvar, ou melhor, de Salvador.

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    Almodóvar, Penélope e António no tapete vermelho de Cannes.

    A atriz disse na coletiva para a imprensa neste sábado que se sentiu “tímida” durante o processo. "Foi curioso. Era uma forma de agir com respeito para com alguém que está se desnudando tanto”, comentou.

    Almodóvar, por sua vez, confirmou que “se projetou” no filme. “Mas não é para tomar tudo literalmente”, avisou. O diretor informou que desde a cena do despertar sexual do protagonista, por exemplo, até um momento de discussão com a mãe, tudo foi inventado. Não que ele não tenha passado por todo esse "drama", acrescentou.

    “O resultado poderia ser uma obra vaidosa, uma recapitulação dos dias de glória, como sugere o título, porém o roteiro concentra-se muito mais no que vem após o sucesso: depois de ter filmado seus projetos mais bem-sucedidos, o que resta a um diretor incapaz de reproduzir este êxito? Como comparar-se a si mesmo? Quando se atinge o ápice, a consequência lógica seria inevitavelmente a queda? O filme concentra-se nesta área cinzenta, melancólica, voltada constantemente ao passado pela dificuldade de enfrentar o presente”, aponta a crítica do AdoroCinema (acesse aqui).

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    Banderas na pele do protagonista.

    O segundo filme do dia a entrar para a disputa da Palma de Ouro foi Little Joe. Com uma estética exuberante (comunicável com o estilo almodovariano, até), o longa conta a história de uma dedicada criadora de plantas que cria uma espécie de flor que, se bem cuidada, deixa o dono feliz.

    A “viagem” foi aprovada pelo AdoroCinema. “Partindo da premissa improvável, a diretora Jessica Hausner poderia criar algo um tanto ridículo, na verve de A Pequena Loja dos Horrores ou tantas ficções científicas sobre cobaias mortais. Felizmente, o filme é inteiramente construído sobre um impecável equilíbrio de tons”.

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    Little Joe.

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