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    É Tudo Verdade 2019: O magnífico Retrato Chinês representa o alto nível da mostra competitiva
    Por Bruno Carmelo — 11 de abr. de 2019 às 13:55
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    Uma prova de que o documentário não precisa ser explicativo.

    Quando o diretor artístico Amir Labaki elogiou a qualidade excepcional da seleção 2019 do Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade, ele não estava mentindo.

    O evento ainda vai até o dia 14 de abril, e o AdoroCinema ainda tem muitos filmes para descobrir, mas as mostras competitivas brasileira e internacional têm apresentado um nível altíssimo. Entre as produções nacionais, Cine Marrocos impressiona por criar uma oficina dramática com moradores de uma ocupação, Rumo traz a irreverência do grupo musical com depoimentos e animação, enquanto Soldado Estrangeiro brinca com as fronteiras do cinema de observação.

    Na seção internacional, Reconstruindo Utoya convida os sobreviventes do massacre norueguês para reencenarem os fatos e As Testemunhas de Putin mostra como uma mesma gravação, efetuada há décadas, pode dar origem a dois filmes diferentes, um favorável ao presidente russo, e outro contrário à sua política autoritária. São filmes fortes, capazes de gerar discussões calorosas - como costuma acontecer aos bons filmes, aliás.

    Retrato Chinês

    Mas talvez o grande destaque tenha sido a obra-prima Retrato Chinês, de Wang Xiaoshuai. Logo após apresentar o comovente So Long, My Son no festival de Berlim (onde venceu dois prêmios), ele está representado no festival brasileiro com o olhar inusitado à China contemporânea: os operários, os camponeses, as crianças, os funcionários públicos, os transeuntes.

    No entanto, ao invés dos tradicionais depoimentos, narrações ou letreiros, o projeto não usa nenhuma ferramenta explicativa, nem mesmo diálogos. O espectador se depara com pessoas comuns que encaram diretamente a câmera - e o público - mostrando seus trabalhos, seu dia a dia. Ao invés de uma observação silenciosa, temos uma espécie de diálogo entre pessoas que se observam, de culturas diferentes. As imagens são belíssimas, excepcionalmente bem enquadradas e iluminadas.

    Não seria exagero apostar que este será um dos maiores filmes exibidos nos nossos cinemas este ano. Para os espectadores indecisos sobre suas próximas sessões, esta é certamente uma ótima pedida.

    Leia as nossas críticas do 24º Festival É Tudo Verdade:

    A Arrancada
    Carta a Theo
    Cine Marrocos
    Dorival Caymmi - Um Homem de Afetos
    Estou me Guardando para Quando o Carnaval Chegar
    Fotografação
    Hungria 2018 - Bastidores da Democracia
    Memórias do Grupo Opinião
    Mike Wallace Está Aqui
    Piazzolla: Os Anos do Tubarão
    Reconstruindo Utoya
    Rumo
    Soldado Estrangeiro
    Soldados da Borracha
    Ziva Postec - A Montadora por Trás do Filme Shoah

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