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    Agnès Varda: Cinco filmes essenciais para conhecer o trabalho da diretora
    Por Bruno Carmelo — 29 de mar. de 2019 às 15:40
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    Um dos maiores nomes do cinema francês.

    Em 29 de março, o cinema se despediu de uma das maiores diretoras de todos os tempos: a franco-belga Agnès Varda, falecida aos 90 anos em decorrência de um câncer.

    Em seis décadas de carreira, ela foi fundamental para a criação da Nouvelle Vague, distinguindo-se dos colegas homens pelo forte engajamento político. Feminista declarada, ela sempre lutou contra a desigualdade social, algo que se percebe em todos os seus filmes, tanto ficções quanto documentários.

    Ela deixa um filme pronto, o belo Varda by Agnès (leia a nossa crítica), filme-testamento ovacionado no último festival de Berlim. O documentário autobiográfico tem distribuição garantida no Brasil, embora ainda não tenha uma data de esteia definida.

    Abaixo, o AdoroCinema relembra cinco títulos icônicos dirigidos por Varda:



    1) Cléo das 5 às 7 (1962)

    O segundo longa-metragem de Varda (após La Pointe Courte) foi responsável por lançá-la entre os grandes de sua geração. A trama acompanha uma hora e meia na vida de uma cantora famosa (Corinne Marchand), que espera com ansiedade o resultado de um exame médico. Inicialmente vista como estrela, ela é vista além da fama conforme se mistura aos habitantes anônimos da cidade. O filme foi selecionado no Festival de Cannes.


    2) Uma Canta, a Outra Não (1977)

    No auge do movimento hippie, Varda narra a trama de duas garotas opostas: Pauline (Valérie Mairesse) e Suzanne (Thérèse Liotard) que, apesar das diferenças, se tornam grandes amigas. A primeira é livre, espontânea, e torna-se artista de rua - cantando músicas divertidas contra a guerra e em defesa do direito ao aborto - enquanto a segunda investe na vida familiar, casando-se e tendo filhos. Os caminhos diferentes questionam a emancipação da mulher após o icônico maio de 1968.


    3) Os Catadores e Eu (1999)

    Um dia, frequentando uma feira de seu bairro, Varda se surpreendeu com as figuras dos catadores, que vivem dos restos de comida. Ela retornou às feiras e aos poucos travou contato com essas pessoas para descobrir sua rotina, sua visão sobre a França e as perspectivas para o futuro. Um olhar carinhoso e potente às vítimas da desigualdade social nas cidades e no campo francês. Além da exibição em Cannes, o projeto venceu o Méliès de melhor filme francês em 2000.


    4) As Praias de Agnès (2008)

    Nos últimos dez anos, Varda passou a reavaliar sua carreira no mesmo período em que manifestava um interesse crescente pela vídeoarte, o cinema experimental e o design gráfico. O resultado deste processo é o documentário biográfico no qual ela relembra a sua infância, o casamento com Jacques Demy, a descoberta da paixão pelo cinema. Ela utiliza recursos poéticos como filmar a si mesma na praia ou reconstruir uma praia artificial pelas ruas de Paris. Por este filme, venceu o César de melhor documentário. 


    5) Visages, Villages (2016)

    Aos 87 anos de idade, ativa e cheia de projetos, Varda se lançou numa parceria com o artista conceitual JR, de 36 anos. A ideia era levar os grandes retratos feitos por ele ao interior da França, destacando a história de pessoas esquecidas e em dificuldade financeira. Assim, criaram murais gigantescos valorizando os agricultores e operários, enquanto discutiam a perenidade das imagens. O documentário foi indicado ao César e ao Oscar.

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