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    Festival de Berlim 2019: A Tale of Three Sisters eleva nível da Mostra Competitiva e aponta os primeiros favoritos
    Por Bruno Carmelo — 11 de fev. de 2019 às 19:35
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    Ghost Town Anthology foi a surpresa mais radical da seleção até agora.

    Depois de alguns filmes de boa qualidade, porém não surpreendentes, a Mostra Competitiva do 69º Festival Internacional de Cinema de Berlim trouxe o seu dia mais forte até agora.

    Duas produções excelentes - uma canadense, a outra turca - começaram a mexer com as apostas da imprensa. Enquanto isso, na seções paralelas, o cinema brasileiro tem despertado reações muito positivas.


    Ghost Town Anthology representa a incursão do canadense Denis Côté pelo cinema de gênero, entre o suspense e o terror. Na trama, uma minúscula cidade sofre o impacto da morte misteriosa de um adolescente. Enquanto atravessam o período de luto, os moradores começam a perceber fenômenos sobrenaturais pelo local.

    As imagens em película granulada (16mm, provavelmente) criam um efeito diferente de todas as outras produções digitais de Berlim, e o modo como o cineasta brinca entre a insinuação e a concretização do terror rende um resultado instigante. Seria ótimo se o júri liderado por Juliette Binoche recompensasse a produção, embora ela possa ser pouco consensual por suas escolhas extremas.

    A Tale of Three Sisters revelou o talento impressionante do turco Emin Alper na construção de imagens e condução narrativa. A história gira em torno de uma família moradora do campo, cujas três filhas foram enviadas à cidade para trabalharem como empregadas domésticas, mas rejeitadas e devolvidas ao campo. Aos poucos, descobrimos o que motivou o retorno de cada uma delas.

    As imagens são deslumbrantes e os diálogos possuem um refinamento raro. Pelos corredores da Berlinale, especula-se que esta possa ser uma boa escolha para um prêmio grande - o Urso de Ouro, quem sabe -, mas nunca se sabe o que passa nas discussões entre os jurados...

    Em paralelo, o cinema brasileiro tem se saído muito bem. Divino Amor, dirigido por Gabriel Mascaro, foi apresentado na Mostra Panorama numa sala totalmente lotada, com direito a uma dezena de pessoas sentadas nas escadas. O público se divertiu com a história distópica do Brasil em 2027, transformado numa república evangélica.

    A crônica feroz dos nossos costumes, estrelada por Dira PaesJúlio Machado deve gerar uma polêmica considerável quando for lançada nos cinemas brasileiros, e merece a atenção por tratar com respeito tanto a fé religiosa quanto os caminhos distantes da espiritualidade.

    Marcelo Gomes foi outro diretor bem acolhido pelo público alemão. O documentário Estou me Guardando para Quando o Carnaval Chegar retrata a cidade de Toritama, em Pernambuco, onde os moradores dedicam seus dias à produção de calças jeans.

    O cineasta questiona a alienação desta "produção autônoma" um tanto escravizante, enquanto escuta com empatia os operários, felizes com a possibilidade de uma renda superior devido à carga de trabalho aumentada. Ao final da sessão, os aplausos foram calorosos e o debate demonstrou grande interesse da plateia local por uma realidade diferente da europeia.


    O dia 12 de fevereiro trará dois novos concorrentes ao Urso de Ouro: o alemão I Was At Home, But e o italiano Piranhas.

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    Comentários
    • Jonathan Kennedy
      Surpresas.
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