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    Kati Critica: Aturar o Oscar ainda vale a pena?
    Por Katiúscia Vianna — 17/02/2019 às 09:30
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    Aguentar quase 3 horas de premiação + tapete vermelho + comentar no Twitter + fazer bolão é só para os fortes, viu?

    Katiúscia Vianna é uma redatora do AdoroCinema que acumulou mais de duas décadas de cultura inútil e decidiu transformar isso num emprego. Nessa jornada, ela tem a missão de representar os fandoms barulhentos e/ou esnobados do Twitter, falar das séries que a crítica ignora e celebrar as '"farofas" que trazem alegria para o povo. Ou seja, os guilty pleasures! Com um ponto de vista 'singular' (ou doido, depende de quem opina), surge a coluna Kati Critica — misturando açúcar, tempero e um pouco de haterismo zoeiro.

    O ano era 1998. Céline Dion usava um vestido preto longo, diante de uma orquestra toda vestida de branco. Ela soltava a voz com "My Heart Will Go On", ostentando o "Coração do Oceano" no peito, e um cabelo tão alto que parecia um poodle. Hoje em dia, isso é um símbolo da breguice. Mas para uma menina de 4 anos? Era mágico. Um sentimento reforçado considerando quantas vezes ela reviu tal apresentação, já que seu pai tinha mania de gravar as cerimônias do Oscar em VHS. Geração Z, procure o que é fita cassete no Google, pois não sou obrigada.

    Sinceramente, o Oscar não é pra qualquer um. Ok, neste ano temos a Lady Gaga e seu hit viciante do agudão, também conhecido como "Shallow", mas nem sempre é assim. A maioria dos filmes indicados não tem "apelo popular" e chegam aos cinemas apenas dias antes da premiação em si. Duram cerca de 3 horas — quando temos sorte — e nem sempre tem um momento treta que vai te deixar acordado até as 4 da manhã olhando memes. Saudades Moonlight vs La La Land...

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    Então, muita gente se questiona: ainda vale a pena aturar o prêmio da Academia? Principalmente se você perdeu as primeiras categorias quando estava vendo paredão do Big Brother Brasil. Quando cai no mesmo fim de semana do carnaval, então... Nem se fala! Quem vence é o desfile da Beija-Flor de Nilópolis, (com um samba-enredo cujo título deve ser maior que a quantidade de sobrenomes do Dom Pedro I). Mas o 'Kati Critica' chega essa semana para te ensinar como aproveitar o Oscar. Afinal, que outro evento nos proporciona momentos maravilhosos como a Jennifer Lawrence caindo?

    Aliás, dica para JLaw (e para o universo): se você caiu e pessoas do gabarito de Bradley CooperHugh Jackman se levantam para te ajudar... Você fica no chão, amiga! Até finge que torceu o tornozelo para fazer o discurso de agradecimento no colo de um deles!

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    Aliás, pausa para lembrar que ela caiu, de novo, na cerimônia do ano seguinte!

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    Enfim, para começar a apreciar o Oscar é preciso abrir o coração. Ou seja, parar de reclamar que são mais de três horas de duração. Afinal, tem um pessoal que começou a maratonar as 15 temporadas de Grey's Anatomy agora. Ou seja, coragem não falta no ser humano. Você não precisa fazer que nem os especialistas que começam o pré-show às 15 horas. Porém, sempre vale a pena ver o tapete vermelho!

    Existe algo bizarro e hipnótico no desejo eterno de nós pobres e meros mortais querendo opinar nos figurinos das ricas celebridades. Mas, como uma aprendiz do Fashion Police de Joan Rivers, acredito que é algo lindo. Se você gosta de moda, nunca esqueceu daquele laço vermelho ostentado por Nicole Kidman em 2007. Se você gosta de zoeira, nunca esqueceu quando a perna da Angelina Jolie ganhou seu próprio Twitter.

    E todo ser humano não consegue esquecer a Bjork entoando algo entre Lago dos Cisnes ou Patinho Feio em 2001... 

    Apesar de exibirem looks mais caros que seu rim, o Oscar também é a chance dos famosos mostrarem como são 'gente como a gente'. Sally Field parecia que estava comemorando um beijo no 'crush', gritando "Vocês gostam de mim!" em seu discurso vitorioso por Um Lugar no Coração. Por sua vez, Roberto Benigni pulou na cadeira — literalmente — ao ser premiado com A Vida É Bela! Já Melissa Leo "chocou" ao soltar um palavrão, de tanta alegria, por levar a estatueta por O Vencedor. E eles são tão esfomeados que ainda transformaram a cerimônia na 'Pizzaria do Faustão'!

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    Por outro lado, se você é um hater que adora rir de ricos se dando mal na vida, que nem no documentário do Fyre Festival, essa é sua chance! Pois sim, muito antes de John Travolta soltar um 'Adele Dazeem'; barracos e tretas já aconteciam. Em 1973, Marlon Brando mandou uma india receber sua estatueta por O Poderoso Chefão, num protesto contra a falta de representatividade em Hollywood!  No ano seguinte, um cara apareceu pelado, subindo ao palco na frente de Elizabeth Taylor. Nossa, as coisas eram loucas na década de 70...

    Em 2019, a treta já está praticamente garantida! A Academia voltou atrás em, praticamente, toda decisão que tomou para "atualizar" o show. O prêmio de filme popular não vai rolarKevin Hart não vai apresentar, as cinco canções indicadas vão tocar, o pessoal de Hollywood pressionou para todas as categorias serem televisionadas... Separa a pipoca!

    Aliás, é bom mesmo que a Academia pare com a palhaçada de não apresentar todos os indicados em melhor canção original. Pois é o prêmio mais legal! Graças a ele, o mundo pode conhecer obras mais indies como "Falling Slowly" (Apenas uma Vez) e "Mystery of Love" (Me Chame Pelo Seu Nome). Os anos 80 foram cheios de hits como "Fame" (Fama) e "Flashdance... What a Feeling" (Flashdance). Já os anos 90 tiveram os hinos da Disney como "Beauty and the Beast" (A Bela e a Fera), "Can You Feel the Love Tonight" (O Rei Leão) e "Colours of the Wind" (Pocahontas)!

    E os produtores de antigamente eram loucões, recriando os filmes no palco, com uns cenários bregas caprichados e dançarinos para todo lado. Particularmente, uma das minhas performances preferidas foi a vitoriosa "It's Hard out Here for a Pimp" (Ritmo de um Sonho) — cuja tradução do título singelo é "É Difícil Aqui para um Cafetão". Repare no agudo final de Taraji P. Henson, dando a louca, anos antes de ser a Cookie de Empire.

    Por fim, o segredo é curtir o prêmio da Academia como se fosse futebol. Se você acertou quem ia ganhar, é gol. Se estava entre dois e você escolheu errado, é trave. Se foi zebra, é bola pra fora. Se Amy Adams foi esnobada de novo, é que nem quando o Neymar cai no chão. Ainda bem que o povo já pôde celebrar a vitória do Leonardo DiCaprio, pelo menos!

    Tudo bem, o Oscar não é só alegria. A Academia ainda é majoritariamente formada por homens brancos e velhos, que chamavam Marilyn Monroe de "broto maneiro", e estamos vivendo uma luta constante por representatividade, diante de uma cerimônia movida pelo capitalismo e pura ostentação de Hollywood. Mulheres quase nunca são indicadas na direção e Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror) é a única vencedora do prêmio até hoje. Tentam fugir do estigma de #OscarsSoWhite, mas Halle Berry (A Última Ceia) segue como a única negra a vencer como atriz principal. E a presença de outras minorias é praticamente nula fora da categoria de filme estrangeiro. Ainda há muito que melhorar... O Oscar é imperfeito. Que nem a sociedade. 

    Moral da história: Temos que aproveitar as pequenas alegrias da vida. Tipo esse gif da Ellen DeGeneres vestida como Glinda, a Bruxa Boa do Sul! (Na verdade, ia postar aquela super selfie cheia de famosos, mas o Kevin Spacey está nela, então estragou tudo!)

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