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    Boy Erased: Distribuidora nega censura ao desistir de exibir filme em cinemas brasileiros
    Por Katiúscia Vianna — 4 de fev. de 2019 às 18:53
    Atualizado 5 de fev. de 2019 às 14:38
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    Drama estrelado por Lucas Hedges, Nicole Kidman e Russell Crowe conta a história real de um jovem homossexual obrigado a passar pela terapia de conversão - a chamada "cura gay".

    No último fim de semana, Boy Erased: Uma Verdade Anulada causou polêmica nas redes sociais. Inicialmente, o drama estrelado por Lucas Hedges — sobre um jovem obrigado a frequentar um centro de "cura gay" — tinha seu lançamento nos cinemas brasileiros marcado para o dia 1º de fevereiro, mas a obra saiu do calendário local da Universal Pictures. A partir disso, vários usuários começaram a acusar a empresa de censura, por conta do atual cenário conservador dominante no país.

    Em declaração oficial, a distribuidora fez questão de negar tal informação: "A Universal Pictures não lançará Boy Erased nos cinemas, única e exclusivamente, por uma questão comercial baseada no custo de campanha de lançamento versus estimativa de bilheteria nos cinemas. [...] Bem-vindos a Marwen, previsto para este ano, também não será lançado pelo mesmo motivo."

    Realmente, ambos tiveram desempenho fraco nos Estados Unidos e não conseguiram indicações ao Oscar — o que acaba afetando sua exibição em outros países, como já aconteceu com outros filmes pequenos, em anos anteriores. Quem fez tal acusação se espalhar pelo Twitter foi ator Kevin McHale, conhecido por sua performance em Glee.

    Ativista da causa LGBT, ele indicou uma possível influência da eleição do presidente Jair Bolsonaro na decisão da Universal: "Começa assim. Boy Erased foi banido no Brasil. Bolsonaro é perigoso e uma ameaça para a comunidade gay no Brasil. Censurar um filme sobre os perigos da terapia de conversão é apenas o início."

    Em resposta, o presidente usou a rede social para negar tal acusação, afirmando que "tem mais o que fazer".

    Autor do livro que inspirou o longa (baseado em sua própria experiência numa terapia de conversão), Garrard Conley também manifestou tristeza pelo cancelamento de Boy Erased. Ele declarou estar triste (mas não surpreso) por ver o que está acontecendo num país tão belo. Com os esclarecimentos da Universal e de Bolsonaro, ele logo excluiu tal publicação.

    Em seguida, esclareceu a situação na qual se encontra, dizendo como está tentando entender os reais motivos de tal decisão: "Aparentemente, existe muita confusão — justificável, pois estamos ouvindo fontes de outro país — sobre a possível censura de Boy Erased. Estamos pesquisando e irei compartilhar o que encontrar. Não vamos deixar que isso nos distraía da situação enfrentada pela comunidade LGBT. Fomos treinados para ter medo de ver importantes conteúdos sendo negados, mesmo que possa salvar vidas. Já aconteceu antes. Ps: acho perigoso usar o termo 'fake news' ao acreditar que alguém está incorreto. Podemos fazer um melhor uso dessa palavra." Desde então, o criador e produtor afirma estar sendo vítima de grupos extremistas nas redes sociais.

    De qualquer forma, ainda não foi revelado quando o filme de Joel Edgerton chegará em DVD, Blu-ray ou streaming, então os fãs lançaram a hastag #CadeBoyErasedNoBrasil nas redes sociais. Por sua vez, o livro "Boy Erased: Uma Verdade Anulada" foi lançado no país pela editora Intrínseca — que também se pronunciou sobre o assunto:

    "Quando decidimos publicar o livro, acreditamos que junto com a adaptação cinematográfica de suas memórias poderíamos levar uma mensagem necessária de tolerância e superação para todos que vivem situações semelhantes de repressão a suas sexualidades. Avaliamos que o livro seria uma importante contribuição para debates e que ajudaria a tornar pública a situação que muitos sofrem em silêncio. [...] Como muitos, lamentamos a notícia recente de que o filme não será mais exibido nos cinemas do Brasil. Manteremos nossos esforços para a promoção do livro como inicialmente planejado, com a certeza da relevância do tema e de sua contribuição para uma sociedade plural e livre de preconceitos."

    O AdoroCinema teve a chance de ver Boy Erased no Festival de Toronto de 2018 — leia nossa crítica. Confira abaixo a canção-tema "Revelation" (indicada ao Globo de Ouro) de Troye Sivan, que também atua no filme, ao lado de Hedges, Edgerton, Nicole Kidman Russell Crowe.

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    Comentários
    • Jonathan Kennedy
      Palhaçada hein, dona Universal.
    • Cido Marques
      Vc que pensa que não teve nada a ver, já descobriram que Damares ligou para o estúdio ameaçando se não barrassem o filme.
    • Vítor Menezes
      olha as respostas que o kevin mchale ganhou no tweet dele, massacraram. Eu inclusive mandei uma mensagem dizendo basicamente (mas em inglês):Tradução: BS, foi uma decisão do estúdio por falta de audiência. O Bolsonaro está no hospital e não teve NADA a ver com isso seu mentiroso. Mas você não liga pra isso, você quer mentir pra promover sua BS e alimentar sua narrativa. É um simples #quemlacranãolucra na qual o Bolsonaro não teve NADA a ver. M-E-N-T-I-R-O-S-O
    • Cido Marques
      Bolsonaro poderia aproveitar o momento para se manifestar contra a censura e a homofobia, uma pena, perdeu uma ótima oportunidade de limpar sua imagem, agora que vão achar que foi ele mesmo que censurou.
    • Luke
      E esses países que são conservadores do Leste Europeu são muito religiosos
    • Gustavo Rodrigues
      Acho que você tá confundindo um pouco as coisas.Ser liberal que eu digo é no contesto da economia como é fazer negocio no pais. Não é culpa de religião que o pais A ou pais B é ruim. Um bom exemplo que religião não é necessariamente ruim é o fato é que judeus são muito bem sucedidos. Acredito que o certo é dizer que fanatismo religioso ou qualquer tipo de fanatismo só liva as pessoas para o buraco.
    • Arthur Oliveira Souza
      Um fato é que os países mais religiosos e mais conservadores são justamente os piores de se viverem.Enquanto os mais progressistas são os melhores de se viver e com melhor qualidade de vida.E não são só os islâmicos que são ruins de se viverem, as filipinas(país cristão) países africanos(muitos são cristãos),rússia(cristão) e América latina(toda cristã) são ruins de se viverem.Enquanto os mais liberais ou laicos ,como quase toda a europa,japão,coréia do sul,austrália,nova zelândia.Até mesmo nos EUA é assim, pois os estados mais conservadores lá são os piores de IDH ,enquanto os mais liberais são os mais desenvolvidos.,
    • Gustavo Rodrigues
      Na verdade você pode ser libertário e conservador não tem problema nenhum. É mais uma questão de defender o livre mercado, estado minimo e a liberdade individual. E o seus exemplos desculpa mas não são lá muito bons.
    • Dheo
      Mto mimimi...povo quer LACRAR sem fazer uma análise correta do pq do filme nao ser lançado nos cinemas. Achei o TT do Bolsonaro (não sou eleitor dele) foi pertinente. Mas o filme não teria apelo comercial, não. Assisti e o filme é nd demais. Achei a trama fraca pra falar a vdd.
    • Vidamell Vida R.
      hmmm........
    • Arthur Oliveira Souza
      Realmente, liberalismo e progressismo fedem. Adoraria viver em países conservadores como países árabes,Filipinas,índia,Rússia e países africanos, que são bons lugares de se viver graças ao seu conservadorismo. Enquanto que países liberais como boa parte da Europa,Coréia do Sul, Nova Zelândia e Austrália são lugares horríveis de se viver, graças ao seu progressismo.
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