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    "Todo bom filme de terror é um drama", explicam Kevin Kölsch e Dennis Widmyer, diretores de Cemitério Maldito (Exclusivo)
    Por Bruno Carmelo — 16/02/2019 às 09:15
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    Dois especialistas em terror adaptam Stephen King.

    Kerry Hayes - Paramount Pictures

    Quem visitasse o set de filmagem de Cemitério Maldito talvez não adivinhasse que os dois jovens andando pela floresta despreocupadamente, conversando com os técnicos em tom amistoso, eram os diretores do projeto, Kevin Kölsch e Dennis Widmyer. Escolhidos pelo trabalho com curtas-metragens de terror e filmes independentes, eles preparam o maior projeto de suas carreiras até então: a nova adaptação cinematográfica do livro "O Cemitério", de Stephen King.

    O AdoroCinema teve a oportunidade de acompanhar um dia nas filmagens nos arredores de Toronto e conversar com a equipe, incluindo os atores principaisJason Clarke e John Lithgow. Entrevistamos também a a dupla de diretores, que conseguiu uma brecha no meio das gravações, durante as trocas de cenário, para falar com a imprensa.

    Sorridentes e empolgados, conversaram de pé mesmo, enquanto técnicos passavam por todos os lados levando refletores de luz, estojos de maquiagem, roteiros e se comunicando via walkie talkie. Às vezes, os diretores eram interrompidos por alguma pergunta da equipe, mas logo voltavam a conversar sobre a assustadora história de uma família que se muda para a beira de uma estrada e descobre um sinistro cemitério de animais, capaz de trazer de volta os bichos enterrados. O que aconteceria se o teste fosse feito com humanos? 


    Kerry Hayes - Paramount Pictures

    "O livro mais assustador já escrito"

    Os cineastas confirmaram algo que Jason Clarke já tinha dito: são dois grandes fãs de Stephen King, muito conscientes da posição singular de "O Cemitério" dentro da obra do escritor.

    Kevin Kölsch: "Comecei a ler Stephen King quando eu tinha 11 ou 12 anos de idade. Eu me lembro de segurar 'O Cemitério' nas mãos e ler na contracapa que se tratava do 'livro mais assustador já escrito'. Mas este é um momento particular dentro da obra de King. Ele é sentimental e tem muito carinho pelos personagens, e apesar das cenas de terror, mesmo O Iluminado termina com um casamento. Mas 'O Cemitério' é diferente: o herói nunca encontra uma saída. Ele perde o controle, e as coisas só desmoronam a partir disso. Uma história dessas, para um adolescente, é certamente algo marcante, que se distingue de todas as outras histórias de terror".

    Uma pergunta inevitável diz respeito à participação de King no filme. Ele teria acompanhado as filmagens? Para a nossa surpresa, o escritor ainda nem tinha passado pelo local das gravações, e talvez não o fizesse:

    Dennis Widmyer: "Stephen está ciente do filme, é claro, e aprova a nossa versão. Até escrevemos uma carta convidando-o para visitar o set se quiser, mas até este momento, ele não pôde vir, porque ele não tem tempo. Você já viu quantas adaptações dos livros dele ele está fazendo neste momento? É insano! Fico verificando o Twitter dele diariamente para ver se ele vai citar o nosso filme, mas aí ele só fala de Donald Trump! Além disso, ele tem outros projetos para escrever, outros para supervisionar, e na idade dele, ele quer se dedicar à família também".

    Kerry Hayes - Paramount Pictures

    "Tem algo especial nesse cara"

    John Lithgow já tinha confiado à imprensa que foi seduzido pela ideia do projeto quando os cineastas disseram que ele era a "única opção" para o papel de Jud, o vizinho da família Creed, que apresenta o cemitério a Louis (Jason Clarke) quando este se confronta com a morte do gato da família. Mas Widmyer e Kölsch e revelam como foram escolhidos os outros atores:

    Kevin Kölsch: "Participamos de toda a escolha de elenco. Jason Clarke foi o primeiro escolhido. Ele é o tipo de cara que a gente vê em vários filmes e sempre pensava: 'Gosto dele'. Desde que comecei a trabalhar no cenário independente, eu o via em diversos projetos e pensava 'Vamos prestar atenção nesse cara, tem algo especial nele'. Sonhava em trabalhar com ele um dia, e aqui estamos, no nosso primeiro grande filme juntos".

    Dennis Widmyer: "Já a Amy Seimetz tem muita experiência com terror, e trabalhou com vários amigos nossos. Mal precisamos analisar os outros trabalhos dela, porque ela tinha bastante experiência nesse tipo de projeto e de personagem. Além disso, a personagem dela é bastante interessante, porque sofre uma boa transformação. De certo modo, Jason e Amy já faziam parte do no nosso círculo".

    Kerry Hayes - Paramount Pictures

    "Esta não é uma história com final feliz"

    Não seria arriscado apostar numa história tão sombria nos nossos tempos? 

    Dennis Widmyer: "Não me preocupo com o fato de não ter um final feliz, pelo contrário, adoro isso! Fico surpreso que os produtores tenham deixado a gente fazer a história assim. Mas eles perceberam que não é possível mudar a essência do livro: essa não é uma história com final feliz. É uma conclusão traumatizante, que faz as pessoas pensarem no que aconteceu e em suas decisões. É algo muito psicológico".

    Ele completa: "Temos muita dificuldade de falar sobre a morte, e também de lidar com ela no cinema. Muitas vezes mostramos algumas pessoas chorando e depois seguimos adiante, sem tocar no assunto. Fazemos de tudo para evitar o tema a fundo. Por isso, fiquei feliz de poder lidar de maneira direta com a questão".

    Kevin Kölsch: "Todo bom filme de terror é um drama. Kubrick nunca considerou O Iluminado como um filme de terror, Friedkin jamais pensou em O Exorcista como um filme de terror. Isso porque ambos são dramas domésticos sobre uma família em crise. É preciso trabalhar com o tempo, a espera, e construir muito bem cada personagem, suas motivações, sua origem. Só então podemos nos identificar com o que acontece com eles".

    Kerry Hayes - Paramount Pictures

    "Ela era extremamente assustadora"

    Em comparação com a primeira adaptação cinematográfica do livro, que estreou em 1989, os diretores garantem que a principal modificação será tornar a história mais realista:

    Kevin Kölsch: "Tínhamos medo de colocar Zelda no roteiro, por exemplo. Todo mundo se lembra dela no primeiro filme, e ela era extremamente assustadora, quase um monstro. Nós não queríamos isso. Por isso, transformamos a personagem em algo mais natural, ou talvez seja melhor dizer que todo aspecto sobrenatural da história tem uma explicação natural".

    "Aqui, Zelda é uma garota doente, e a família não sabe mais como cuidar dela, a ponto de deixá-la um pouco de canto, como se tivessem desistido. É a irmã mais nova que precisa vigiá-la, garantir que esteja bem. Essa responsabilidade, em si, é gigante para uma garotinha, sabendo que Zelda vai morrer em breve. Esse trauma pode ser bem trabalhado no terror".

    Widmyer relembrou as principais dificuldades encontradas na produção:

    "Foram dias difíceis. Tudo o que dizem é verdade: 'Não trabalhe com animais nem com crianças!'. No nosso caso, temos os dois! Mas conseguimos cenas ótimas com eles, então valeu a pena. Estamos satisfeitos com tudo o que foi criado até agora".


    Cemitério Maldito estreia dia 4 de abril nos cinemas.

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