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    5 filmes lançados após a morte de seus diretores
    Por Renato Furtado — 10/11/2018 às 09:12
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    Os testamentos de cinco grandes cineastas.

    Mais de trinta anos após a morte de Orson Welles, aconteceu o que parecia ser impossível: o lançamento do “brilhante” O Outro Lado do Vento, como define a crítica 4,5 estrelas do AdoroCinema. O filme perdido, uma espécie de documentário falso e semi-autobiográfico sobre um dos maiores cineastas de todos os tempos, veio à luz por intermédio da Netflix, que bancou a restauração da obra com o apoio das anotações e dos colegas de Welles. Entretanto, por mais que seja especial, O Outro Lado do Vento não é único no quesito “estreia póstuma”. Por isso, confira a seguir uma lista com 5 produções lançadas após o falecimento de seus cineastas:

    DE OLHOS BEM FECHADOS

    De Olhos Bem Fechados, o último trabalho do titânico Stanley Kubrick, chegou às telonas após um longo e complicado processo, mas seu realizador só teve a chance de ver o resultado final da produção em uma ocasião. Depois de dedicar um longo período de sua vida a um de seus projetos dos sonhos, baseado na obra do austríaco Arthur Schnitzler, e filmar durante 400 dias seguidos, o cineasta acabou não resistindo a um ataque do coração. Falecido aos 70 anos, apenas seis dias depois de ver De Olhos Bem Fechados pela primeira e única vez, o lendário cineasta não teve a oportunidade de testemunhar a aclamação de seu onírico drama erótico coestrelado por Tom Cruise e Nicole Kidman. No fim das contas, o enigmático De Olhos Bem Fechados tornou-se o filme-testamento de um artista que alterou para sempre a história da sétima arte.

    ÚLTIMAS CONVERSAS

    A tragédia que encurtou a brilhante trajetória de Eduardo Coutinho faz com que Últimas Conversas seja ainda mais emocionante e icônico. Morto pelo próprio filho, esquizofrênico, o documentarista, um dos mais importantes realizadores brasileiros, não pôde finalizar os registros de seus diálogos com jovens das periferias e subúrbios cariocas sobre suas perspectivas para o futuro. A tarefa de concluir Últimas Conversas coube, então, à montadora Jordana Berg, colaboradora de longa data de Coutinho, e ao realizador João Moreira Salles, um aprendiz do falecido diretor. Misto de ensaio sobre as potencialidades da juventude e da finitude da vida em si, Últimas Conversas tornou-se, paradoxalmente, o símbolo da essência da filmografia de seu cineasta, por mais que ele não tenha tido a chance de completar o longa.

    OS VIVOS E OS MORTOS

    John Huston era um daqueles homens cujas vidas não cabiam em si mesmas: precisavam escoar para o terreno das lendas. Filmou intensamente e rodou longa após longa até completar oito décadas de idade, época em que fazia os preparativos finais para terminar a produção de Os Vivos e os Mortos. Baseado no conto de James Joyce e estrelado pela filha do cineasta, Anjelica Huston, o longa foi dirigido por um Huston em uma cadeira de rodas; muito debilitado, o realizador precisava de tubos para auxiliar sua respiração e frequentemente acompanhava as gravações fora do set, comunicando-se com os atores remotamente. Lutando contra sua fragilidade, Huston completou Os Vivos e Os Mortos e faleceu quatro meses antes da estreia do longa, vítima de um ataque do coração e das complicações causadas por um enfisema.

    QUERELLE

    Outra vítima de um problema no coração e que não viu seu último trabalho chegar às salas de cinema foi o alemão Rainer Werner Fassbinder, que sofreu uma overdose após misturar comprimidos para dormir e cocaína. Lançado dois meses após o falecimento de RWF, Querelle teria deixado seu diretor mais do que orgulhoso. Apesar da recepção mista da imprensa, o longa vendeu 100 mil ingressos em apenas três semanas, um forte rendimento à época, e foi descrito como o perfeito epitáfio de Fassbinder: “uma declaração intensamente pessoal que é o retrato mais preciso da sensibilidade gay masculina feito por um diretor renomado”, de acordo com Penny Ashbrook.

    UM FILME PARA NICK

    Este é um caso muito específico: o documentário Um Filme para Nick, de Wim Wenders (Paris, Texas) foi produzido com a plena ciência de que seu codiretor e protagonista, Nicholas Ray (Juventude Transviada), estava prestes a falecer. Aliás, o objetivo do alemão era justamente registrar os últimos dias de vida de seu mentor e amigo. Parte presente de despedida de Wenders para o colega e ídolo pessoal e parte homenagem ao cinema noir e à carreira do cineasta de No Silêncio da Noite e Johnny Guitar, Um Filme para Nick fez sua estreia pouco mais de um ano após a partida de Ray, aos 67 anos, em decorrência de um câncer terminal no pulmão.

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    Comentários
    • Jonathan Kennedy
      São grandes perdas realmente, mais os seus filmes serão lembrados e etermizados para sempre, seja em nossa memória ou guardados a sete chaves em conservação. E além do mais pode inspirar muitos cineastas a serem diretores.
    • RF R
      acho que naquela epoca o cinema nao influenciava na busca de uma saude melhor dos artistas como e feito hoje em dia, que para interpretar um papel, muitos precisam fazer varias dietas entrar em academias, tudo para buscar um resultado esperado.👍
    • Brazinterma
      Faltou o filme Garçonete (2007). Porque ver esse filme dá um gosto amargo de tristeza quando se descobre que a atriz e diretora Adrienne Shelly acabou tendo uma morte bem trágica de assassinato.
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