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    A Casa que Jack Construiu: “Eu sabia que tudo seria mais ou menos permitido”, diz Lars von Trier sobre tom violento do filme (Entrevista exclusiva)
    Por Renato Hermsdorff — 2 de nov. de 2018 às 09:05
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    Diretor relativiza a violência do longa (que tem como alvo mulheres, animais e até crianças) que provocou debandada de público no Festival de Cannes: “Já vi filmes bem mais sanguinários”.

    Em A Casa que Jack Construiu, Jack diz: “Algumas pessoas afirmam que as atrocidades que praticamos na ficção são, na realidade, os desejos internos do que não podemos cometer na nossa sociedade controlada”.

    Se tomarmos a voz de Jack, interpretado por Matt Dillon, como a possível ressonância de seu criador, Lars von Trier, a provocação é irresistível. “Eu nunca fui violento dessa maneira”, retruca o polêmico cineasta de Dogville. “Eu certamente não matei 64 mulheres. Eu acho que me lembraria se fosse o caso”.

    Lars von Trier conversou com o AdoroCinema no Festival de Cannes, em maio, onde estreou The House that Jack Built (no original), de volta à Croisette depois de sete anos banido do evento por comentários antissemitas. O retorno foi cercado de mais “polêmicas” (leia aqui), com uma debandada da sessão de gala por conta do teor do filme (veja no vídeo).

    Divulgação
    Uma Thurman e Matt Dillon.

    O longa conta a história do arquiteto Jack, que se torna uma espécie de serial killer de mulheres, que age provocando as autoridades e pessoas “comuns”. Erudito, a partir de discussões (supostamente?) filosóficas, ele compartilha seus casos marcantes com o sábio Virgílio (Bruno Ganz), numa espécie de descida do personagem ao inferno. “Para mim, é sobre a arte e o custo para o artista”, resume Lars von Trier.

    O realizador relativiza o tom violento, gráfico mesmo, de seu filme, que tem mulheres, animais e até crianças como “alvo”: “Quando me sentei para escrever um filme sobre um assassino em massa, eu sabia que tudo seria mais ou menos permitido, porque eu já vi filmes bem mais sanguinários, inclusive no Festival de Cannes”. E completa: “Estava escrito no ingresso da abertura que era um filme muito violento”.

    Reprodução
    Lars von Trier.

    Visivelmente fragilizado, depois de um longo período de luta contra a depressão, o diretor, que não lançava um longa desde Ninfomaníaca: Volume 2, em 2013, sustenta um discurso de frases fortes em oposição à figura física. No material de divulgação do longa, fez questão de destacar: “Por muitos anos eu fiz filmes sobre boas mulheres. Agora, resolvi fazer um filme sobre um homem mau”.

    Exibido na Mostra São Paulo e no Festival do Rio, A Casa que Jack Construiu está em cartaz em parte do país desde o dia primeiro de novembro. Confira a entrevista no vídeo acima.

     

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    Comentários
    • Jonathan Kennedy
      Lars Von trier seu indecente.
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