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    Admirável Mundo Pop: Os filmes de Nick Hornby envelheceram, mas não perderam a ternura
    Por Pablo Miyazawa — 09/10/2018 às 15:30
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    A obra literária do autor britânico é uma declaração de amor à cultura pop que ainda serve como uma luva na tela do cinema

    Você já leu algum livro de Nick Hornby? Talvez sua resposta seja não. E você já viu algum filme baseado em um livro de Hornby? É provável que sim, mesmo que você não saiba disso.

    Com o lançamento recente de Juliet, Nua e Crua, já são os seis os livros do consagrado escritor britânico que foram transformados em filmes de longa metragem nos últimos 20 anos -- um deles, Febre da Bola (1992), ganhou duas adaptações em menos de dez anos. Isso sem contar Um Grande Garoto (1998), que além de filme, virou uma série de TV recentemente, mesmo destino de Alta Fidelidade (1995), que foi para os cinemas em 2000 e vai se tornar seriado no ano que vem.

    Essa conexão da obra de Hornby com o audiovisual é natural, visto que seus textos são saborosos  tratados de como a cultura pop tem influencia nas nossas vidas. Recheadas de referências (musicais, cinematográficas, esportivas), estreladas por personagens cativantes em crises existenciais e sempre com narrativas irônicas e autodepreciativas em primeira pessoa, seus livros juntos bem poderiam compor um único universo compartilhado, mesmo sem relações e coincidências óbvias entre as histórias. 

    Rose Byrne e Ethan Hawke em Juliet, Nua e Crua, baseado no livro de 2009

    Mas é preciso dizer que as versões cinematográficas do trabalho de Hornby não envelheceram assim tão bem, não apenas por causa do anacronismo de suas abordagens -- quem se importa tanto com música hoje em dia, por exemplo? Mas o fato de a maioria dos millennials desconhecer Alta Fidelidade hoje diz mais sobre o desinteresse das novas gerações com obras "analógicas" do que sobre a relevância cultural da obra em si. Para se ter uma ideia, sem o livro e, consequentemente, o filme, não seríamos hoje tão obcecados com as listas e os "top 10" que regurgitam os temas da cultura pop. Mérito (ou não) de Hornby, que mesmo tão alinhado com o zeitgeist, talvez não tivesse antecipado que criaria uma tendência.

    A seguir, no melhor estilo das listas de Alta Fidelidade, elenquei todos os filmes dos livros de Nick Hornby do pior para o melhor, com exceção do recém-lançado Juliet, Nua e Crua, ao qual ainda não tive a chance de assistir (mas leia a crítica do AdoroCinema aqui). Já viu todos ou a maioria? Então relembre comigo:


    6. Amor em Jogo (2005)

    Este é o segundo filme baseado no livro Febre da Bola (1992) e pode ser considerado a adaptação mais infiel de qualquer obra de Nick Hornby. No livro e no filme original, a trama se passa em Londres e gira em torno de um time de futebol. Adaptada anos depois por Hollywood, a história se transformou na saga de um viciado em beisebol (Jimmy Fallon) às voltas com as dificuldades de conciliar a paixão esportiva pelo Boston Red Sox e a relação com a nova namorada (Drew Barrymore). O resultado é sem graça e com alguns lampejos raros de emoção, tal como uma partida de beisebol costuma ser.

    Amor em Jogo Trailer Original

     

    5. Slam (2017)

    Gravidez adolescente é o tema desta adaptação que pega o cenário tipicamente londrino das obras de Hornby e leva para Roma, com o suporte de um elenco cem por cento italiano -- o que sem dúvidas deixa a história mais charmosa e não menos palatável. Fora as mudanças de cenário e idioma, a trama é até fiel ao livro, exceto pela cena final, que altera por completo o desfecho original. No mais, o resultado é divertido, com boas atuações do elenco desconhecido e soluções narrativas espertas -- a narração do skatista-celebridade Tony Hawk como o mentor espiritual do protagonista é um ótimo acerto. Vale dizer que, de todos os filmes desta lista, é o único disponivel na Netflix brasileira.

     

    4. Uma Longa Queda (2014)


    Aqui, o elenco estrelado e bem entrosado -- Pierce Brosnan, Toni ColletteAaron PaulImogen Poots -- faz toda diferença. Eles formam um quarteto que se encontra acidentalmente no topo de um prédio em Londres na última noite do ano. Todos pretendem cometer suicídio, mas desistem juntos e resolvem ajudar uns aos outros enquanto tentam encontrar sentido para a vida. A química entre os personagens é palpável, e apesar do tema pesado, o resultado é edificante sem cair na pieguice. É uma das adaptações de Hornby que melhor funciona na tela, talvez porque a narrativa em papel já se desenrole como um filme -- na certa o autor já pensava que o livro teria esse destino.

     

    3. Alta Fidelidade (2000)


    O livro mais famoso e influente de Nick Hornby também foi aquele que deu início ao vínculo cativo do escritor com Hollywood. Apesar do título, a fidelidade à obra original não é lá tão alta (a história perde a força quando se muda de Londres para Chicago), mas a mensagem geral é transmitida, muito porque John Cusack praticamente incorpora um papel que parece ter sido feito para ele. Ele é Rob Gordon, um homem em crise pré-meia idade que tenta entender seus fracassos amorosos enquanto organiza listas mentais de discos e canções que marcaram sua vida. É o único dos filmes da lista que explora para valer a obsessão de Hornby pela música e seus criadores -- inclusive, o "boss' Bruce Springsteen se sai bem aqui em uma inusitada participação especial.

     

    2. Fever Pitch (1997)

    A obsessão pelo futebol é o tema de um filme britânico até a medula, em seu humor bizarro e atuações tipicamente exageradas, com destaque para um jovem Colin Firth como o alter-ego do autor. Lançada no Brasil como Febre de Bola, a estreia literária de Hornby é um tratado autobiográfico sobre seu fanatismo imaturo pelo esporte da bola redonda, mais especialmente pelo clube inglês Arsenal, eterno saco de pancadas dos gramados ingleses. É no charme dos diálogos e na alta fidelidade (aqui sim) à obra original que este filme se prova absurdamente melhor do que a descartável versão norte-americana realizada anos depois.

     

    1. Um Grande Garoto (2002)

    A melhor adaptação cinematográfica de um livro de Hornby pode não ser a mais fiel à fonte, mas é a mais sensível e atemporal. Hugh Grant é Will, um solteirão cínico e superficial que vive uma vida hedonista e sem compromissos. Acidentalmente, ele acaba se tornando a referência masculina de Marcus, o problemático "grande garoto" do título, intepretado por um muito jovem Nicholas Hoult. Como de praxe, Toni Collette rouba a cena como Fiona, a mãe neurótica de Marcus. se o filme perde pontos, é por ignorar as referências a Kurt Cobain presentes no texto do livro (daí a inspiração do título, adaptado da canção "About a Girl" do Nirvana), mas ganha muitos outros por conta da inesquecível trilha sonora do homem-banda Badly Drawn Boy.

     

     

    Pablo Miyazawa é colunista semanal do AdoroCinema e consome cultura pop desde que nasceu, há 40 anos, de Star Wars a Atari, de Turma da Mônica a Twin Peaks, de Batman a Pato Donald. Como jornalista, editou produtos de entretenimento como Rolling Stone, IGN, Herói, EGM e Nintendo World.

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