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Oscar 2019: Conheça os favoritos ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro
Por Renato Furtado — 07/10/2018 às 10:08
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Que comece a Copa do Mundo do cinema!

Academia de Artes e Ciências Cinematográficas dos Estados Unidos

Em 2019, o Brasil tentará uma vaga na complexa disputa pelo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro com o mais novo trabalho de um realizador consagrado mundialmente: Carlos Diegues, um dos expoentes do Cinema Novo. Mas o caminho do lírico drama O Grande Circo Místico até a lista final de nomeados ao prêmio não será nada fácil. Por isso - e com o recente fechamento das inscrições à categoria em questão, na última segunda-feira, dia 1º de outubro - é chegada a hora de analisar os principais favoritos do momento às cinco indicações derradeiras. Confira, a seguir, os palpites precoces do AdoroCinema para a mais imprevisível das corridas do Oscar:

COLÔMBIA

Se há um candidato que tem imensas chances de manter o Oscar na América do Sul após a vitória do chileno Uma Mulher Fantástica no ano passado, este é o representante colombiano: Pájaros de Verano, de Cristina Gallego e Ciro Guerra, a dupla responsável pelo elogiado e onírico O Abraço da Serpente, obra que levou a Colômbia pela primeira vez à categoria de Melhor Filme Estrangeiro, há dois anos.

Aclamadíssimo em Cannes pela crítica internacional apesar de ter sido exibido na Quinzena dos Realizadores, mostra paralela à Competição da Croisette pela Palma de Ouro, Pájaros de Verano traça a épica e violenta jornada de um cartel de drogas com doses generosas do bom e velho realismo mágico nascido nos arredores de Bogotá. Na trama, indo muito além das recentes narrativas que giram em torno de Pablo Escobar, Gallego e Guerra encontram espaço para estabelecer a gênese dos cartéis na Colômbia, reexaminar o passado indígena de sua pátria e, de quebra, tirar o fôlego dos espectadores. Um verdadeiro favorito.

COREIA DO SUL

Apesar de possuir uma das cinematografias mais fortes do recente cenário cinematográfico, a Coreia do Sul jamais conseguiu uma indicação ao Oscar. Se depender de Lee Chang-Dong e de seu elegante, contundente, tenso e sutil Em Chamas, no entanto, as coisas podem mudar. Baseado em um conto do autor japonês Haruki Murakami, o sinistro e perverso longa-metragem recebeu nota máxima na avaliação do AdoroCinema e foi descrito como "uma obra magnífica que não deve sair da cabeça do espectador tão cedo".

Favorito de grande parte da imprensa à Palma de Ouro da mais recente edição do Festival de Cannes, Em Chamas tem em seu caminho, no entanto, certas resistências que podem se estabelecer por parte dos acadêmicos em relação às quase explícitas cenas de sexo e nudez do filme - e, como se sabe, a Academia é formada em grande parte por membros de tendências conservadoras. De qualquer forma, é certo que o potencial de Em Chamas é grande o suficiente para perturbar a cabeça dos acadêmicos da melhor e mais insana forma possível. 

JAPÃO

Faz algum tempo que os japoneses não brigam pelo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Na última vez em que os nipônicos chegaram à lista final, no entanto, venceram: em 2008, A Partida recolocou a Terra do Sol Nascente no topo do mundo cinematográfico - ao menos do ponto de vista de Hollywood. E, em 2019, a pátria de Akira KurosawaYasujiro Ozu tem grandes chances de retornar ao páreo com o Assunto de Família de Hirokazu Kore-eda.

Emocionante - leia a crítica 3,5 estrelas do AdoroCinema -, o drama sobre um grupo de ladrões de Tóquio que funciona como uma família disfuncional coroou o trabalho de um aclamado cineasta e encantou as plateias por onde passou, principalmente em Cannes; no sul da França, Assunto de Família conquistou a cobiçada Palma de Ouro, uma das condecorações mais importantes da sétima arte e espécie de passaporte direto para uma indicação ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, como nos casos dos recentes The Square - A Arte da Discórdia e Amor.

MÉXICO

Roma, a mais nova obra-prima de Alfonso Cuarón, é o Aquiles desta corrida: mais bonito; melhor que seus concorrentes diretos - tanto nesta seara quanto na disputa de Melhor Filme -, de acordo com a crítica 5 estrelas do AdoroCinema e também com as avaliações da imprensa internacional; e aparentemente indestrutível. Mas é claro que, em se tratando de um Aquiles como o da mitologia, precisa haver um calcanhar amaldiçoado - e o ponto fraco do vencedor do Leão de Ouro do Festival de Veneza 2018 é a sua distribuidora e produtora, a Netflix.

Como se portarão os conservadores acadêmicos frente ao épico autobiográfico de um dos mais conceituados realizadores contemporâneos? Essa é a pergunta que não quer calar. O fato de ser um "filme Netflix" vai diluir as chances de Roma ou o conservadorismo da Academia será derrotado pelo "cinema em seu estado mais puro e sublime", como define nossa avaliação? Se seguirem suas tradições, os membros da Academia podem punir o mexicano Roma por causa dos imbróglios e impacto causados pela gigante do streaming na indústria cinematográfica. Caso contrário, o drama assume seu posto como franco favorito ao troféu e Cuarón terá a oportunidade de retornar ao México com o Oscar de seu país na bagagem.

POLÔNIA

Pawel Pawlikowski não é o novo Krzysztof Kieślowski, o celebrado realizador da Trilogia das Cores - ele estaria mais para um segundo Krzysztof Zanussi, para falar a verdade -: é o primeiro Pawel Pawlikowski. Sempre que surge um novo astro, há a tendência de compará-lo a uma estrela do passado, mas o diretor de Ida - pelo qual venceu o prêmio da Academia de Melhor Filme Estrangeiro, em 2015 - provou que é um dos cineastas mais consistentes, competentes e talentosos de seu tempo com o igualmente belo Guerra Fria.

Construído de forma deslumbrante e trágica, esta representação sublime do amor, como define a crítica 5 estrelas do AdoroCinema, narra o conturbado romance entre uma jovem cantora e um velho pianista; poderíamos dizer que Guerra Fria é uma espécie de anti-Nasce uma Estrela: não há nada do romantismo de Hollywood aqui em para além disso, trata-se de uma trama soviética. Por isso mesmo, Pawlikowski - que ganhou o prêmio de Melhor Diretor em Cannes 2018 - pode voltar a encantar os acadêmicos do Oscar, apresentando uma espécie de releitura elegante e sóbria de um velho conto hollywoodiano.

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