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    "Quis contar uma história sobre a cura do corpo e da alma", diz Paco Arango, diretor de O Que de Verdade Importa (Entrevista exclusiva)
    Por Barbara Demerov — 27 de set. de 2018 às 12:04
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    Inspirado no trabalho social do ator Paul Newman, filme sobre superação terá toda sua renda no Brasil distribuída entre sete instituições que trabalham no combate ao câncer.

    Para Paco Arango, diretor de O Que de Verdade Importa, super-heróis nem sempre usam capas ou têm superpoderes. Ao contar a sensível história de Alec Bailey (Oliver Jackson-Cohen), jovem que não possui fé em nada e nem em si mesmo, Paco mostra em seu novo filme que o poder da cura (interna e externa) é tão forte quanto o de voar ou ser invisível.

    Em entrevista exclusiva ao AdoroCinema, o diretor espanhol disse que não pensaria duas vezes em escolher o poder da cura caso tivesse a chance. Inspirado a ajudar crianças com câncer a qualquer custo, Paco se dedica há 17 anos pela causa e até criou sua própria fundação, chamada Aladina. "Tudo começou em 2001, quando iniciei um trabalho voluntário com crianças com câncer. Eu entrei em um hospital infantil de Madrid e nunca mais saí de lá. Pelo últimos 17 anos eu vou todos os dias para hospitais", diz.

    O Que de Verdade Importa aborda a fé e o drama pessoal de Alec enquanto ele tenta se reestruturar em uma pequena cidade. Ao descobrir que pode se dedicar pelo resto da vida a curar pessoas com qualquer tipo de doença, diversos acontecimentos fazem o protagonista analisar se tal milagre também pode curá-lo internamente.

    Sobre a abordagem que optou por seguir, Paco diz que "sempre quis contar uma história sobre um homem bonito e egoísta que não quer um poder como este, possibilitando a mudando a vida de tantas pessoas". O diretor ainda inseriu uma mensagem que toca na realidade de crianças e pais com câncer: "Como uma personagem que vive com a doença diz: 'Eu não acredito que você tenha esse poder, mas meus pais acreditam; então vamos fingir que isso é real para que eles não percam a esperança'. Esta mensagem é muito forte para mim e eu quis registrá-la no filme, pois crianças com câncer geralmente protegem seus pais."

    Além de destacar que a fé pode vir de diversos âmbitos e pode ser mais simples do que parece, a ideia principal de Paco era a de fazer uma história que deixasse o espectador se sentir bem. "Eu falo sobre curar, mas não só curar o corpo - o que já seria ótimo. Eu abordo, também, a cura da alma."

    A inspiração da cura mais profunda encontrada no filme não apareceu por acaso. O ator Paul Newman foi a figura principal na qual o diretor se moldou para montar o enredo de O Que de Verdade Importa, pois Newman também ajudou crianças com câncer pelo mundo através de uma linha de produtos que criou para reverter seus lucros em doações. "Meu filme é inteiramente dedicado a ele. Ele é o Cristiano Ronaldo dos atores – é assim que o caracterizo para as crianças, que hoje nem imaginam o quanto ele era incrível. Ele foi um anjo que doou muito e fez coisas muito boas em vida."

    Mas afinal, o que é ser um curador? Paco garante que toda e qualquer pessoa já se encontrou com alguém que lhe ajudou em determinado ponto de sua vida. "Por isso, eu acho que existem muitos curadores em diferentes formas. O mundo tem que se unir, e se todos nós tivermos atitudes como as de Paul Newman, tudo ficaria melhor. Eu vi muito do que ele fez, trabalhamos juntos e nos conhecemos através de nossas fundações. Com o tempo, fui me surpreendendo que poucas pessoas conheciam este seu lado filantropo, então pensei: "preciso fazer um filme para que todos saibam".

    Com planos de dirigir mais um longa com renda gerada às crianças em um futuro próximo, Paco Arango espera que, no Brasil (13º país em que o filme é lançado), O Que de Verdade Importa garanta a união das pessoas e que promova a consciência para o auxílio às fundações que trabalham na luta contra o câncer. "Eu ganho tanto de volta fazendo este tipo de filme – é como comprar um bilhete de loteria e ganhar muito mais. Me deixa feliz saber que eu contagio pessoas a ajudar crianças, e sei que não há nada melhor que eu possa fazer."

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    Comentários
    • Jonathan K
      É uma pena que o filme não é lá essas coisas.
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