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    Festival de Brasília 2018: Noite do cinema LGBT apresenta o explosivo Bixa Travesty para fechar a mostra competitiva
    Por Bruno Carmelo — 23 de set. de 2018 às 11:40
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    Filmes políticos, periféricos e inclusivos.

    Bixa Travesty Trailer Original

    Desde o início da 51ª edição, o Festival de Brasília do Cinema Brasileiro tem proposto um diálogo enriquecedor entre os curtas e longas-metragens apresentados na mostra competitiva.

    Com o cinema completamente lotado, o último dia da competição se concentrou em filmes sobre identidade de gênero e diversidade sexual, nos quais corpos fora dos padrões são vistos como forma de resistência política.

    Bixa Travesty, de Cláudia Priscilla e Kiko Goifman, teve a sua primeira exibição brasileira depois da passagem bem-sucedida em festivais internacionais, incluindo um prêmio em Berlim. O documentário propõe uma forma tão radical quanto sua protagonista, Linn da Quebrada, cujas canções e performances contestam o olhar reduzido à dicotomia homem-mulher. "Nós queremos destruir o patriarcado", afirmou a artista dentro do Cine Brasília, recebendo fortes aplausos do público.

    Leia a nossa crítica.


    Entre os curtas-metragens, Reforma, de Felipe Leal, traz o diretor interpretando a si mesmo no papel de um jovem gay, descontente com o corpo gordo, mas sem querer emagrecer para agradar os outros. O cineasta se insere num novo grupo de realizadores LGBT que exploram a própria nudez e filmam a si próprios em atos sexuais como forma política de autoexposição.

    O curta-metragem é excessivamente focado no corpo do personagem, mas sabe disso e questiona a si próprio nos diálogos. O personagem também sabe que poderia emagrecer, que poderia encontrar um namorado igualmente gordo, por isso contesta todas essas acusações de antemão. Reforma é muito consciente dos argumentos que podem receber, e trata de rebatê-los com franqueza e bom humor. 


    BR3, de Bruno Ribeiro, expande o escopo para retratar três personagens no Complexo da Maré, no Rio de Janeiro. Duas mulheres transexuais e um homem trans exploram formas de serem felizes com os seus corpos e sua sexualidade, sem precisarem da aprovação alheia. Em dois casos, a autoafirmação se faz pelo espetáculo - Kastelany se imagina em forma de diva, como Beyoncé, e Mia se torna uma influenciadora digital. No terceiro caso, a aceitação passa pela cirurgia que retira os seios e permite a Dandara se sentir confortável com o próprio corpo durante o sexo.

    O olhar é simples, em imagens bem filmadas e montadas. Sem discursos externos, o curta-metragem transmite a autonomia das três dentro de um ambiente pouco acolhedor à diversidade de sexual e de gênero - vide a bela cena final. Este é um dos ótimos destaques da mostra competitiva.


    O sábado também trouxe os primeiros filmes da mostra A Arte de Viver, destinada a projetos sobre a arte e artistas. Orin: Música para os Orixás, de Henrique Duarte, busca valorizar o candomblé, o axé, as palavras em iorubá. Apesar das boas intenções, a execução possui inúmeras falhas técnicas e um discurso frágil. Dentro de um festival com tantos documentários excelentes, as deficiências deste trabalho se tornam ainda mais claras.

    Leia a nossa crítica.


    Já o documentário Humberto Mauro, dirigido pelo sobrinho-neto do cineasta, André Di Mauro, foge às biografias convencionais ao propor uma extensa colagem dos filmes feitos pelo diretor, comentados por ele mesmo em entrevistas concedidas durante os anos 1960. O resultado talvez não seja propriamente inovador, mas demonstra refinamento na edição e um senso poético raro em um projeto histórico.

    Leia a nossa crítica.


    O último dia do 51º Festival de Brasília apresenta A Roda da Vida, de William Alves e Zefel Coff, na conclusão da Mostra A Arte da Vida, além do filme de encerramento América Armada, de Pedro Asbeg e Alice Lanari. A partir de 18h40, serão apresentados no Cine Brasília os vencedores da edição 2018.

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